Governo do RJ envia ao MP auditorias sobre contratos de R$ 2,6 bilhões; casos envolvem suspeitas de irregularidades
Governo do RJ envia ao MP auditorias sobre contratos de R$ 2,6 bilhões O Governo do Estado do Rio de Janeiro concluiu 30 auditorias sobre contratos que somam pelo menos R$ 2,6 bilhões firmados durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro. Os relatórios apontam possíveis irregularidades como sobrepreço, direcionamento de contratações, falhas em licitações e eventual dano aos cofres públicos. Os documentos foram encaminhados pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) para aprofundamento das apurações. Entre os contratos analisados estão os de transporte escolar, alimentação de presos, serviços de capacitação e obras públicas. Segundo o governo, parte das auditorias já resultou na abertura de investigações no Ministério Público. Um dos casos envolve a contratação do Instituto NTC do Brasil pela Secretaria de Estado de Governo. Em dezembro de 2025, a pasta autorizou, por inexigibilidade de licitação, a compra de 6,4 mil inscrições em quatro cursos on-line, pelo valor de R$ 6,08 milhões. A auditoria questionou a execução do contrato. De acordo com o levantamento, apenas 178 participantes foram considerados aptos, número inferior a 3% das vagas contratadas. ✅ Siga o canal de notícias do g1 Rio no WhatsApp A Controladoria-Geral do Estado apontou ainda problemas na justificativa para a contratação sem licitação e questionou a falta de pesquisa de preços e de alternativas no mercado. O caso passou a ser analisado pelo Ministério Público, que investiga a possibilidade de desperdício e desvio de recursos públicos. Governo do RJ envia ao MP auditorias sobre contratos de R$ 2,6 bilhões Reprodução/TV Globo Auditoria envolve Douglas Ruas e Altineu Côrtes Outro caso que avançou envolve o ex-secretário estadual das Cidades Douglas Ruas e o deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ). A auditoria analisou contratos que somam cerca de R$ 702 milhões, firmados por consórcios liderados pela empresa FP Vieira Engenharia. Um dos contratos, inicialmente de R$ 99,7 milhões, recebeu um aditivo de aproximadamente R$ 45,3 milhões, elevando o valor para R$ 144,9 milhões — aumento de 45,4%. Segundo a auditoria, o percentual ultrapassa o limite de 25% previsto na Lei de Licitações. Ruas comandou a Secretaria das Cidades entre setembro de 2023 e março de 2026, quando deixou o cargo para disputar o Governo do Estado. Entre os fornecedores das obras estava a Mineração Santa Edwiges, que tem entre os sócios Altineu Côrtes Paesler Coutinho, filho do deputado federal. Parte do material fornecido pela empresa foi utilizada em obras de recapeamento em São Gonçalo. A auditoria também identificou uma relação societária entre empresas ligadas às famílias Ruas e Côrtes. A Saur Construção, Terraplanagem e Locação, que tem Douglas Ruas como detentor de 90% do capital social, divide a titularidade de um terreno com a Normandia Empreendimentos e Participações, empresa vinculada ao grupo empresarial da família Côrtes. Segundo o relatório, as duas empresas passaram a movimentar ativos imobiliários e direitos creditórios em operações de consórcio ou copropriedade principalmente a partir de 2023, período em que Ruas assumiu a Secretaria das Cidades. A auditoria também apontou que a Saur acumulou R$ 19,6 milhões de lucro líquido até novembro de 2025, dos quais R$ 15,9 milhões foram destinados a Douglas Ruas como dividendos, segundo documentos analisados pelo governo. Caso foi enviado à Procuradoria-Geral da República Como a apuração envolve Altineu Côrtes, que é deputado federal e tem foro por prerrogativa de função, o Ministério Público do Rio encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília. A PGR deverá avaliar se há elementos que justifiquem a abertura de uma investigação contra o parlamentar. Em nota, Douglas Ruas afirmou que defende a atuação dos órgãos de controle e disse ter "absoluta tranquilidade" sobre seus atos na gestão pública. A campanha do deputado também ressaltou que o próprio relatório da CGE e do GSI não apontaria "caracterização inequívoca de irregularidade material" e defendeu que todos os envolvidos sejam ouvidos e que as apurações cheguem a uma conclusão técnica. Altineu Côrtes afirmou que não existe contrato entre a Mineração Santa Edwiges ou a Normandia com o poder público e que não houve ilícito apontado pela PGR. Segundo ele, as denúncias são resultado de perseguição política relacionada ao período eleitoral. As auditorias não representam, por si só, conclusão de que houve irregularidades ou crime. Os apontamentos ainda são objeto de análise pelos órgãos de controle e de investigação.
