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Justiça aceita denúncia contra missionária e família por ligação com Comando Vermelho em MT

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Vida dupla do crime A missionária Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, a mãe, duas irmãs, o namorado e um primo viraram réus por envolvimento com uma estrutura ligada ao Comando Vermelho e por um esquema de lavagem de dinheiro da facção, em Cuiabá. A Justiça de Mato Grosso recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPMT) contra os seis nessa quinta-feira (17). Na decisão, o juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, considerou que há indícios de autoria e materialidade suficientes para o início da ação penal. Se tornaram réus: Rhavenna Barcelos: apontada como uma das principais responsáveis pela comunicação entre presos e integrantes da organização fora das unidades prisionais e também teria participado da movimentação de dinheiro. Pastora Orminda Barcelos: mãe de Rhavenna, investigada por auxiliar na comunicação com presos, no recebimento de valores e na suposta lavagem de dinheiro. Renildo Silva Rios: namorado de Rhavenna, apontado como integrante da organização criminosa e teria sido uma das principais fontes dos valores. Rhuan Barcelos: primo de Rhavenna, acusado de guardar dinheiro em espécie e participar da distribuição dos valores. Anatany Nina: irmã de Rhavenna, responsável por realizar depósitos e movimentações bancárias. Lo Rhuama Barcelos: também irmã de Rhavenna, acusada de participar da movimentação dos valores e de receber benefícios financeiros e materiais. Rhavenna, Renildo e Orminda respondem por organização criminosa e lavagem de dinheiro, enquanto Rhuan, Anatany e Lo Rhuama respondem por lavagem de dinheiro, conforme a decisão. O g1 tenta localizar a defesa dos citados. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp O pai de de Rhavenna, Nivaldo de Almeida, que havia sido investigado no mesmo caso, não foi denunciado porque morreu em 5 de setembro de 2026. O juiz determinou que o MP apresente a certidão de óbito. Em julho, a família foi alvo Operação Fariseus, realizada pela Polícia Civil, que cumpriu mandados de busca e apreensão e prisão contra Rhavenna. À época, a polícia descobriu que a missionária utilizava o projeto religioso "Resgatando Vidas" voltado ao atendimento de detentos para se aproximar de integrantes da organização, manter contato com presos e foragidos e facilitar a troca de informações. As condutas investigadas ocorreram entre 2024 e 2026 e descreve uma suposta estrutura familiar usada para receber, guardar, movimentar e ocultar dinheiro. Com o recebimento da denúncia, a Justiça determinou que os acusados sejam citados e apresentem resposta à acusação no prazo de dez dias. Caso algum deles não constitua advogado, a Defensoria Pública deverá atuar na defesa. A partir de agora, o processo segue para as próximas etapas, nas quais as defesas poderão contestar as acusações e apresentar provas. A decisão também registra que Rhavenna continua com a prisão preventiva decretada. Segundo o juiz, eventuais pedidos para revogar a prisão ou substituí-la por outras medidas deverão ser apresentados no processo específico em que a preventiva foi determinada. Rhavenna Barcelos, Renildo Silva, Lo Rhuama Barcelos, Orminda Barcelos, Rhuan Barcelos e Anatany Nina Reprodução Para os investigadores, a atividade religiosa teria permitido que ela e a mãe, Orminda, tivessem acesso a presos de diferentes setores da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, a maior unidade prisional do estado. A denúncia sustenta que esse contato teria sido usado para levar e receber informações, atender pedidos de detentos e fazer a intermediação entre pessoas presas e integrantes da organização criminosa que estavam em liberdade ou eram considerados foragidos. O Ministério Público afirma ainda que mensagens e arquivos encontrados em contas digitais de Rhavenna indicariam contatos com pessoas apontadas pela investigação como integrantes da cúpula do Comando Vermelho em Mato Grosso. Entre os nomes citados na denúncia está Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como "Batman", apontado pelos investigadores como uma liderança da facção no estado. Segundo o MP, Rhavenna teria mantido relacionamento com ele e viajado ao Rio de Janeiro, onde teria circulado em áreas ligadas a integrantes da organização criminosa. A denúncia também cita contatos de Rhavenna com Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como "WT", e com Renildo Silva Rios, chamado de "Veio", "Velhote" ou "Chapa". A divisão de tarefas na família Da direita à esquerda: pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, e a filha Rhavenna Barcelos de Almeida Reprodução Segundo o MP, a mãe de Rhavenna teria recebido e repassado valores, além de manter contato com presos. A investigação cita mensagens nas quais detentos tratariam Orminda como "mãe" e pediriam que ela guardasse valores ou levasse determinados objetos até a unidade prisional. Rhuan, primo de Rhavenna, é apontado como responsável por guardar dinheiro em espécie e entregar os valores quando solicitado. Já Anatany, irmã de Rhavenna, teria participado de depósitos e transferências. Segundo a acusação, a condição de funcionária de uma lotérica teria facilitado a movimentação de valores em diferentes contas. Lo Rhuama, outra irmã de Rhavenna, também é acusada de receber parte dos valores e de ser beneficiada por dinheiro e bens que, conforme o MP, seriam provenientes de integrantes da organização criminosa. A denúncia afirma ainda que os familiares utilizavam diferentes contas bancárias para movimentar o dinheiro e evitar que os valores chamassem a atenção das instituições financeiras.

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