Ex-namorado é condenado a 30 anos de prisão por matar jovem com mais de 40 facadas em apartamento em Vitória
Ana Carolina Rocha Kurth, de 24 anos foi morta a facadas em apartamento no Centro de Vitória. Reprodução/Redes sociais Matheus Stein Pinheiro, réu por matar a namorada Ana Carolina Rocha Kurth, de 24 anos, com mais de 40 facadas, principalmente no rosto e pescoço, dentro do apartamento do casal, em Vitória, foi condenado a 30 anos de prisão após julgamento finalizado nesta sexta-feira (18). O crime aconteceu em maio de 2023, no Centro de Vitória. A jovem morreu clamando por socorro, de acordo com denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES). 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Após o assassinato, Matheus tomou banho, trocou de roupa, deixou o apartamento, foi para a rodoviária, comprou uma passagem e seguiu de ônibus para Conceição da Barra, no Norte do estado. Dois dias depois foi preso pela Polícia Civil. Ele foi acusado de homicídio qualificado, por motivo torpe, praticado de forma cruel e sem possibilitar a defesa da vítima; praticado em um ambiente de violência doméstica e familiar (feminicídio). 'Estava tentando engravidar': quem era a jovem morta a facadas por universitário em apartamento de Vitória Pai de universitário preso por matar namorada a facadas arromba porta do apartamento O relato do MP é de que eles mantinham um relacionamento amoroso conturbado, marcado por brigas motivadas principalmente pelo ciúme de Matheus, o que teria motivado o crime. "Em razão de uma suspeita infundada de que ela o estava traindo e movido por um sentimento de posse, assassinou a vítima com emprego de extrema crueldade, golpeando-a brutalmente com inúmeros golpes de arma branca (instrumento cortante e perfurocortante", relata o MP em seu texto. LEIA TAMBÉM: 'PESADELO': irmã de jovem morta a facadas desabafa um mês após o crime JUSTIÇA: Família e amigos de jovem morta a facadas fazem protesto por justiça e contra feminicídios Ex de réu falou sobre ciúmes Um relacionamento marcado por crises de ciúme, tentativas de controlar o contato com amigos e até as roupas que eram usadas. Esse foi o relato feito por uma ex-namorada de Matheus, segunda testemunha que prestou depoimento no júri popular realizado na tarde desta quinta (17). Durante o depoimento, ela afirmou que o relacionamento com Matheus era conturbado e marcado por crises de ciúme e episódios de agressão. Segundo ela, após o término, também passou a ser perseguida. "Recebi muitas ameaças dele", declarou. Eles começaram a namorar em 2018. "Era um namoro sério, que as famílias tinham conhecimento. Ele visitava a minha casa, íamos juntos a festas de aniversário", contou. Segundo a jovem, as crises de ciúme eram frequentes e algumas chegaram a situações mais graves. Em uma delas, relatou que Matheus teria se irritado com o cachorro dela, da raça shih-tzu. "Uma ocasião ele se revoltou com o meu cachorro e o chutou várias vezes", disse. Matheus Stein Pinheiro, namorado e suspeito de matar a estudante Ana Carolina Rocha Kurth no ES Divulgação Emoção durante júri Familiares de Ana Carolina se emocionaram durante o depoimento da síndica do condomínio onde a vítima morava, Raquel Alves. A mãe, tia e irmã de Ana Carolina precisaram deixar o plenário. Segundo Raquel, desde que o casal passou a morar no prédio, eram frequentes as brigas e as reclamações de moradores. Conforme a síndica, alguns vizinhos evitavam formalizar as queixas por medo de Matheus. A síndica relatou que, poucos dias antes do crime, Matheus insistiu em ver as imagens das câmeras de segurança do prédio por desconfiança que alguém estaria entrando em sua apartamento. Segundo Raquel, ele demonstrava não acreditar nas explicações dadas e, em uma das situações, ela chegou a mostrar as gravações. “Não era uma pessoa boa de lidar”, contou. De acordo com a síndica, quando Ana Carolina estava acompanhada de Matheus, ela costumava manter o olhar baixo. Médica veterinária Letícia Rocha Kurth, de 27 anos e a irmã dela, Ana Carolina Rocha Kurth, de 24 anos Arquivo pessoal Defesa: 'Ele é doente mental' O principal argumento da defesa e que foi apresentado aos jurados, são duas perícias médicas que concluíram que o réu é portador de transtorno mental decorrente do uso de múltiplas drogas e outras substâncias psicoativas. O último laudo foi realizado em julho de 2024 e apontou que Matheus cometeu o crime em função de "delírios" que apresentava, e que, por tal motivo, seria "incapaz de diferenciar realidade e fantasia". "Nós entendemos a gravidade do fato, mas ele é portador de uma doença mental, não é dono da própria vontade e não conseguia perceber o caráter ilícito de seus atos na época dos fatos", assinalou Homero Mafra, advogado que fez a defesa do réu. Além dos laudos, quatro psiquiatras prestaram depoimento na tarde desta quinta-feira (17). Três dos profissionais foram responsáveis pelas perícias anexadas ao processo, que apontam ainda que a condição psiquiátrica tornava o réu parcialmente capaz de entender os fatos, mas incapaz de se autodeterminar, de tomar as próprias decisões ou controlar a sua vontade. Ainda de acordo com o apresentado, esse quadro pode preservar outras capacidades e não impedir que a pessoa continue funcional em determinadas situações, como, por exemplo, o comportamento de Matheus após o crime, que, conforme consta no processo, ele tomou banho no apartamento, conversou com um morador do prédio, comprou uma passagem e viajou para Conceição da Barra. Tentativa de escapar da prisão Oito meses após ser denunciado à Justiça estadual como o autor da morte da namorada, a defesa do jovem chegou a apresentar uma prova apontando que ele é portador de uma doença mental que o torna inimputável, ou seja, não poderia ser julgado pelo crime ou punido pelo estado com a prisão. O então advogado de defesa do acusado, Homero Mafra, explicou que o laudo médico revela que Matheus não tinha consciência de seus atos no momento do crime. "Ele não conseguia perceber o caráter ilícito de seus atos na época dos fatos", disse. O chamado incidente de sanidade mental foi instaurado em julho de 2023, pela Justiça estadual, após ser solicitado por Mafra. O resultado, liberado no final de 2023, revelou que o jovem possui "transtorno mental e comportamental devido ao uso de múltiplas drogas - psicose residual". O problema foi identificado na classificação internacional de doenças com o “CID 10 F19.7”. Matheus Stein Pinheiro, réu por matar a namorada Ana Carolina Rocha Kurth, de 24 anos, com mais de 40 facadas, principalmente no rosto e pescoço, dentro do apartamento do casal, em Vitória Reprodução Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
