Entre Janeiro e Junho, São Miguel teve 43 casos confirmados de esquistossomose urogenital
O primeiro surto de esquistossomose urogenital no país foi notificado em 2022, precisamente no concelho de São Miguel. Os casos continuaram a ser registados nos anos seguintes e, em 2026, os dados apontam para uma expansão geográfica da doença. “A triangulação dos dados qualitativos com a evidência epidemiológica cofnirmou a persistência da transmissão no município de São Miguel, com exacerbação sazonal no período pluvial e concentração focal nas localidades de Principal, Ribeira de São Miguel, Ribeira de Flamengos e Pilão Cão”,lê-se. Entre os casos confirmados, 72,1% correspondem ao sexo masculino, numa razão de 2,6 casos em homens por cada caso em mulheres. A faixa etária dos 10 aos 14 anos concentra 53,5% dos casos, enquanto a hematúria, ou presença de sangue na urina, foi a manifestação clínica mais frequente, afectando 79,1% dos doentes. A análise identificou ainda uma associação entre o hábito de tomar banho em tanques e a ocorrência da infecção. A taxa de ataque entre os indivíduos expostos foi de 31,5%, enquanto entre os não expostos situou-se nos 22,7%. A exposição a tanques esteve associada a uma razão de risco de 1,39. No que diz respeito ao tratamento, apenas 37,2% dos casos confirmados tinham registo de administração de praziquantel. Destes, 14 pessoas (87,5%) foram submetidas ao esquema de dose única e duas (12,5%) necessitaram de duas doses do medicamento. As entrevistas realizadas no âmbito da análise identificaram limitações relacionadas com recursos humanos, transporte, capacidade diagnóstica e articulação intersectorial. O Boletim conclui que o controlo sustentável da esquistossomose urinária em São Miguel requer uma abordagem integrada, baseada no conceito de “Uma Só Saúde”, com reforço da vigilância activa, melhoria da qualidade dos dados e intervenções intersectoriais dirigidas aos principais factores de risco identificados. A esquistossomose é uma doença parasitária causada por vermes do género Schistosoma. A infeção ocorre quando uma pessoa entra em contacto com água doce contaminada, onde estão presentes formas larvares do parasita, que conseguem penetrar pela pele. Os sintomas variam consoante a intensidade e a fase da infeção. Os mais comuns incluem dor abdominal, diarreia, por vezes com sangue, sangue na urina, sobretudo nas infeções urinárias por Schistosoma haematobium, dor ou ardor ao urina, febre, cansaço e fraqueza, tosse, comichão ou irritação da pele no local onde o parasita penetrou. Em casos mais graves ou prolongados, a doença pode provocar lesões no fígado, intestino ou aparelho urinário, podendo causar complicações importantes.
