Polícia pede exumação de corpo de mulher para investigar suspeita de feminicídio em Boa Vista
Michele Soares de Deus era técnica de radiologia em Roraima. Arquivo pessoal A Polícia Civil investiga a morte da técnica de radiologia Michele Soares de Deus, que morreu após passar cerca de 40 dias internada no Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista. A polícia pediu ao Instituto de Medicina Legal (IML) a exumação do corpo para esclarecer a causa da morte. A suspeita é de que ela tenha sido agredida pelo companheiro. Michele morreu no dia 7 de setembro de 2026, devido a um traumatismo cranioencefálico grave. Inicialmente, as lesões foram atribuídas a uma queda da cama. Entenda mais abaixo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp O pedido de exumação foi apresentado na segunda-feira (14) pela delegada Carla Gabriella Muniz Paulain, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), em atendimento a uma solicitação do Ministério Público de Roraima (MPRR). "No curso das investigações, surgiram elementos testemunhais indicando possível agressão física, circunstância que demanda confronto técnico com a versão inicialmente apresentada de que as lesões teriam decorrido de uma queda da cama. A própria investigação já identificou testemunhas relacionadas à ocorrência no estabelecimento e vem buscando a consolidação da prova testemunhal e audiovisual", cita trecho do documento. Na requisição à qual o g1 teve acesso, a delegacia solicitou que o IML informe a data, o horário e o local do procedimento para que a equipe possa acompanhar. Agora no g1 LEIA TAMBÉM: Esposa de policial preso em RR por tentativa de feminicídio recua da denúncia mas delegado diz que investigação continua Justiça mantém prisão de policial civil que tentou matar esposa enforcada em Caracaraí Suspeita de feminicídio Vítima ficou internada por cerca de 40 dias no Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista. g1 RR/Arquivo No primeiro atendimento médico, as lesões de Michele foram atribuídas a uma queda acidental da cama. No entanto, testemunhas relataram à polícia que ela sofreu uma agressão física praticada pelo companheiro na madrugada de 27 de julho, próximo a uma casa noturna no bairro Alvorada, zona Oeste. Michele foi vista saindo do local desacordada, dentro do carro do investigado. Ela foi internada no HGR no mesmo dia. No dia 2 de setembro, a irmã de Michele procurou a Polícia Civil para registrar um boletim de ocorrência e pedir a investigação do caso. Segundo o relato, a vítima sofreu um traumatismo cranioencefálico grave, com afundamento de crânio e extenso hematoma intracraniano. A irmã considerou que os ferimentos eram incompatíveis com uma simples queda da cama. A irmã contou ainda que, ao chegar ao hospital, encontrou o investigado nervoso. Segundo ela, o homem informou que o estado de saúde de Michele era gravíssimo e afirmou que o casal havia discutido na noite anterior. De acordo com o relato da irmã, o investigado disse que Michele entrou no quarto do casal e trancou a porta, enquanto ele foi dormir em uma rede. Por volta das 8h do dia seguinte, em 27 de julho, ainda segundo o relato, ele tentou falar com a mulher, mas a porta continuava trancada. Por volta das 11h, ao olhar pela fresta da porta, ele percebeu Michele caída no chão. Ele afirmou ter arrombado a porta e encontrado a mulher nua e apresentando movimentos involuntários. A irmã relatou à polícia que Michele e o investigado mantinham um relacionamento havia cerca de 13 anos e tinham uma filha. Ela também afirmou que o homem já havia agredido Michele anteriormente. Segundo a irmã, em uma dessas agressões, a mulher quebrou um dos braços. Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher pediu que o Instituto de Medicina Legal (IML) de Roraima faça exumação do corpo. Yara Ramalho/g1 RR/Arquivo Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.
