Campanhas de Raquel Lyra e João Campos trocam acusações sobre confusão com tiro durante ato de Flávio Bolsonaro no Recife
Homem fica ferido após policial atirar durante tumulto antes de comício de Flávio Bolsonaro no Recife Representantes das coligações de Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) trocaram acusações após a confusão durante o ato de campanha do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), no Centro do Recife (veja vídeo acima). Um homem ficou ferido depois que um policial civil disparou um tiro durante o evento, realizado na quarta-feira (16). Nesta quinta (17), a defesa da coligação Pernambuco de Coração, que apoia a governadora e candidata à reeleição, afirmou que o rapaz ferido, identificado como Alexsandro Pereira da Silva, tem ligação com a "cúpula do PSB". Já a Frente Popular de Pernambuco, que representa a candidatura do ex-prefeito do Recife, disse que o policial Uberdan de Menezes Matos Júnior é sócio e filho da dona de uma empresa contratada pela campanha adversária (saiba mais abaixo). ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp Em entrevista coletiva, o advogado da coligação Pernambuco de Coração, Edgar Moury Neto, declarou que há suspeita de que Alexsandro Pereira da Silva era "líder" de um grupo de militantes falsos, contratados pelo PSB, participar do ato como se fossem apoiadores de Raquel Lyra. O g1 tenta contato com Uberdan de Menezes Matos Júnior e Alexsandro Pereira da Silva. "Os fatos que estão revelados até agora apontam para a cúpula do PSB. Alexsandro Pereira, que foi o líder desses militantes falsos, está na antessala da direção do PSB. [...] Esse tipo de manobra eleitoreira é inaceitável, não porque fere o interesse desse ou daquele candidato. Isso é uma questão lateral. Nós precisamos prestar atenção para a gravidade desse tipo de coisa", disse. O tumulto envolvendo Alexsandro Pereira da Silva aconteceu no cruzamento da Rua do Sol com a Avenida Guararapes, no bairro de Santo Antônio, na área central da capital. Segundo uma testemunha que não quis se identificar, que trabalha na rua onde aconteceu a confusão, o grupo começou a brigar com apoiadores de Raquel Lyra e a tentar roubar bandeiras. Foi nesse momento que o comissário da Polícia Civil entrou na confusão e deu um disparo de arma de fogo, ferindo Alexsandro Pereira da Silva, que é técnico em telecomunicações. Segundo o Boletim de Ocorrência do caso, ao qual o g1 teve acesso, Alexsandro alegou ter sido baleado. Mas a campanha de Raquel Lyra afirmou que o homem foi atingido por estilhaços projetados por um tiro de contenção disparado pelo policial. De acordo com a coligação da candidata à reeleição, Alexsandro é marido da conselheira tutelar do Recife Joselma Almeida, que seria uma liderança eleitoral do vereador licenciado da capital e secretário de Esportes do Recife, Eduardo Mota (PSB). Conforme o grupo, ele é filho do coordenador político da campanha de João Campos e tem ligações com comissionados e terceirizados da Secretaria de Esportes do Recife. O g1 entrou em contato com a Frente Popular para falar sobre as alegações de ligação entre Alexsandro Pereira da Silva e a direção do PSB, mas, até a última atualização desta reportagem, não obteve resposta. Frente Popular denuncia policial Em nota, a Frente Popular de Pernambuco informou que apresentou uma "notícia de fato" ao Ministério Público Eleitoral (MPE) pedindo uma investigação para apurar a relação entre o policial civil Uberdan de Menezes Matos Júnior e uma empresa contratada pela campanha de Raquel Lyra. De acordo com a coligação, Uberdan era sócio-administrador da Rede de Negócios e Produção de Eventos LTDA. A instituição foi contratada por R$ 2,5 milhões para fazer a gestão da militância da governadora. Conforme a campanha de João Campos: a empresa consta na Justiça Eleitoral como fornecedor que mais recebeu verba da campanha de Raquel Lyra — foram R$ 2,5 milhões; na Receita Federal, consta que a única sócia-administradora da empresa é Sandra Nazaré Chagas do Amaral, que, segundo a campanha de João Campos, é mãe de Uberdan. "Segundo a notícia-crime, os pagamentos da coligação de Raquel por serviços de contratação e gestão de militância ocorreram em 28 de agosto de 2026, quando Uberdan ainda era administrador da empresa. Cinco dias depois, a Rede de Negócios passou a ter a mãe do policial, Sandra Nazaré Chagas do Amaral, nessa função", diz a nota enviada pela Frente Popular. Ainda de acordo com a coligação, foi solicitada a busca de documentos que comprovem as alterações societárias e a prestação dos serviços contratados "buscando descartar suspeitas de interposição de pessoa para ocultar a continuidade do vínculo societário do policial, além de apropriação de recursos de campanha e possível lavagem de dinheiro". A Frente Popular também apresentou uma suposta divergência na prestação de contas eleitoral e a apuração da regularidade dos registros. Segundo o texto, a campanha de Raquel havia declarado R$ 11,8 milhões em receitas e nenhum gasto no dia 8 de setembro. No entanto, no dia 17 do mesmo mês, o valor apresentado era de R$ 7,63 milhões em despesas, com a empresa de Uberdan aparecendo como fornecedora de R$ 2,5 milhões, concentrando a maior parte dos recursos recebidos da campanha do PSD, segundo a coligação. Na nota, a coligação também declara que a empresa Rede de Negócios e Produção de Eventos LTDA estava com situação cadastral inapta no período em que foi contratada e afirma que servidores públicos não podem administrar empresas, conforme a Lei Federal 8.112/1990. Questionado sobre a relação de Uberdan com a empresa, o advogado da coligação Pernambuco de Coração, Edgar Moury Neto, afirmou que a investigação deve esclarecer todos os fatos relacionados ao episódio, mas não deu mais detalhes sobre a relação apresentada pela Frente Popular. "Nós não podemos aceitar que narrativas desviem o foco do que aconteceu. Tudo ao redor desse fato, tudo mesmo, precisa ser esclarecido. E quem tem mais interesse no esclarecimento desse fato é quem dele foi vítima. A governadora Raquel e a vice-governadora Priscila Krause são vítimas de um crime eleitoral [...]. A polícia vai investigar e vai revelar", afirmou. Imagens nas redes sociais mostram tumulto antes de comício de Flávio Bolsonaro no Recife Reprodução / WhatsApp Roubo de material de campanha De acordo com o advogado Edgar Moury Neto, o grupo que participou da confusão seria formado por falsos militantes e teria iniciado a ação com o roubo de materiais de campanha da governadora Raquel Lyra dias antes. Ainda segundo ele, dois boletins de ocorrência foram registrados pela coligação Pernambuco de Coração. "A origem de tudo foram furtos de materiais de campanha da governadora Raquel. Esse furto não aconteceu ontem, aconteceu há semanas atrás. Esse furto foi registrado pela polícia. Ontem, neste evento de um candidato estranho completamente à campanha da governadora, esses militantes, na casa de 50, 60, não se sabe ainda ao certo [quantos], fantasiados com essa falsa militância, foram presos. O líder foi preso e conduzido [à delegacia]", disse. Ainda segundo o advogado, as pessoas envolvidas no caso não fazem parte da militância da candidata Raquel Lyra e teriam sido levadas ao local em ônibus sem vínculo com a campanha. "Isso ocorreu no meio de um evento político que não tem nada a ver com a governadora Raquel. Pessoas fantasiadas de falsos militantes foram abordadas, presas e conduzidas à Polícia Federal. [...] Está provado que a militância vestida com as cores da governadora Raquel é falsa. Está provado que essas pessoas foram levadas em ônibus completamente desvinculadas à campanha da governadora Raquel. E está provado que o líder desses falsos militantes é ligado, sim, à cúpula do PSB", afirmou. Após a entrevista coletiva, a campanha de Raquel Lyra informou que Alexsandro Pereira da Silva foi levado à Polícia Federal e liberado na madrugada desta quinta após prestar esclarecimentos. Procurada, a Polícia Federal informou que instaurou procedimento policial para apurar ocorrência relacionada à possível prática de crime eleitoral envolvendo propaganda eleitoral. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
