Primeiro-ministro sueco demite-se após vitória da Esquerda
"Cabe agora ao presidente do Parlamento conduzir as próximas etapas para a formação de um novo governo. Para que este trabalho possa começar sem demora, solicito, por este meio, ser exonerado do cargo de primeiro-ministro", escreveu Kristersson numa carta publicada na rede social X, que reconheceu a derrota. O bloco de esquerda liderado pela antiga primeira-ministra Magdalena Andersson venceu as eleições legislativas realizadas no dia 13, segundo o apuramento divulgado pela autoridade eleitoral sueca, após uma disputa particularmente renhida. A diferença entre os dois blocos políticos ficou em cerca de 50 mil votos, numas eleições que registaram uma participação superior à habitual e obrigaram a aguardar pela contabilização de cerca de 300 mil boletins adicionais para confirmar o resultado. A demissão de Kristersson, de 62 anos, permite agora iniciar formalmente as negociações para a formação de um novo executivo, processo que deverá ser conduzido pelo presidente do Parlamento. Apesar da vitória, Magdalena Andersson, de 59 anos, enfrenta negociações difíceis para conseguir reunir uma maioria capaz de sustentar um governo, devido às divergências entre os partidos que integram o bloco de centro-esquerda. O Partido do Centro rejeita a presença de ministros do Partido de Esquerda num futuro executivo, enquanto esta última formação reivindica precisamente a participação no governo. A própria líder social-democrata também tem demonstrado reservas em relação à entrada do Partido de Esquerda no executivo, depois de durante a campanha terem sido divulgadas declarações consideradas antissemitas de alguns dos seus membros. Andersson, que foi primeira-ministra entre 2021 e 2022, declarou-se, contudo, preparada para regressar ao poder. "Se isto [os resultados] se confirmar, então a Suécia terá um novo governo", afirmou a dirigente social-democrata aos apoiantes. Kristersson reconheceu a derrota após a conclusão da contagem, embora possa ainda tentar formar um executivo caso Andersson não consiga obter apoio parlamentar suficiente. Para isso, o líder conservador teria de encontrar novos parceiros, num cenário dificultado pela posição do Partido do Centro, que rejeita um governo com ministros dos Democratas Suecos (SD, extrema-direita). Kristersson tinha prometido atribuir pastas governamentais ao SD caso o seu bloco vencesse as eleições. Os Democratas Suecos registaram, entretanto, o primeiro recuo eleitoral desde a entrada no Parlamento, em 2010, passando de 20,5% dos votos em 2022 para 17,5%. A descida permitiu aos Moderados de Kristersson recuperarem a posição de segunda maior força política sueca, atrás dos sociais-democratas. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, saudou hoje a vitória da oposição sueca, afirmando na rede social X que, "após quatro anos de governo de direita aliado à extrema-direita, os suecos voltam a apostar no Estado de bem-estar social, na justiça social e na transição ecológica". Foto: depositphotos
