Em ano de El Niño, Defesa Civil terá 61% menos recursos no orçamento de 2026 em Campo Grande
Estragos causados pelo último temporal em Campo Grande. Reprodução. A Prefeitura de Campo Grande estabeleceu um valor menor para a Defesa Civil Municipal na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, em comparação com o ano anterior. O valor projetado para despesas com pessoal e outras demandas de capacidade operacional é de R$ 736 mil, 61% abaixo dos R$ 1,9 milhão previstos para o órgão em 2025. A Defesa Civil é responsável por prevenir e atender situações de emergência decorrentes de desastres. O órgão deve ser acionado em situações de risco, como rachaduras em imóveis e outros casos que possam colocar pessoas em perigo ou causar danos estruturais. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Para o biólogo José Milton Longo, a falta de recursos suficientes para a resposta aos desastres pode afetar a eficiência e a rapidez do atendimento. Agora no g1 "A gente precisa de recurso para mobilizar equipes, compra de equipamentos e compra de materiais para poder intervir nos locais de acidente. A gente precisa de projetos técnicos bastante eficientes para corrigir, ampliar e melhorar a nossa drenagem e macrodrenagem nas cidades", afirma. Segundo o biólogo, uma nota técnica foi elaborada anteriormente por entidades e órgãos públicos e privados para orientar o estado e os municípios na criação de estratégias de prevenção e enfrentamento às mudanças climáticas. "Teve representantes de prefeituras do interior, da Planurb de Campo Grande, da SEMADES, Defesa Civil, ONGs, Conselhos de Classe e profissionais liberais, enfim, uma série de segmentos da sociedade com visões distintas para convergir num documento que gere políticas públicas assertivas para enfrentamento das condições severas do clima." De acordo com Longo, quando o documento foi elaborado, em maio de 2025, o grupo já havia apresentado ao poder público desafios estruturais, como o enfraquecimento das políticas públicas, a escassez de diagnósticos atualizados, a falta de planos municipais de arborização, a insuficiência de capacitação técnica e a desarticulação dos sistemas de informação. Para ele, o cumprimento das estratégias previstas na nota técnica é importante para melhorar a resposta aos desastres. "Tudo isso vai dar uma amplitude de possibilidades de ação dos municípios se adaptando com soluções baseadas na natureza, monitoramentos frequentes na sua arborização urbana e no seu sistema de drenagem. Isso converge para um enfrentamento mais efetivo dessas condições mais severas quando elas se fazem presentes", finalizou. Câmara diz que pretende ampliar debate Em nota, a Câmara Municipal afirmou que os parlamentares estão promovendo debates relacionados às mudanças climáticas e pretendem ampliar a discussão por meio de audiências públicas. Segundo o Legislativo, a proposta é discutir políticas públicas que preparem Campo Grande para os desafios climáticos dos próximos anos, com planejamento e ações preventivas. Veja a nota na íntegra abaixo. O g1 entrou em contato com a prefeitura, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. Nota na íntegra "Em relação aos impactos provocados pelo temporal que atingiu Campo Grande na última semana, os parlamentares da Casa de Leis já vem promovendo debates relacionados às mudanças climáticas e pretendem ampliar essa discussão por meio de audiências públicas com a participação da sociedade, entidades, terceiro setor e Poder Público. A proposta é discutir políticas públicas que preparem Campo Grande para os desafios climáticos dos próximos anos, com planejamento e ações preventivas. Entre os temas que devem ser debatidos estão o plantio de árvores mais resistentes a condições climáticas adversas, como vendavais, e o planejamento de bacias de contenção e outras medidas de infraestrutura capazes de reduzir os impactos de chuvas intensas, alagamentos e enchentes." Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:
