Filhote de veado-catingueiro é resgatado sem a mãe e passa a ser alimentado na mamadeira; vídeo
Filhote de veado é resgatado após perder a mãe em Tapiraí Um filhote de veado-catingueiro (Mazama gouazoubira) foi resgatado no domingo (13) em Tapiraí (SP), e encaminhado ao Núcleo da Floresta (Cras), em São Roque (SP). O animal, apelidado de "Luz", foi encontrado sem a mãe. De acordo com o biólogo da ONG, Rafael Mana, o cervídeo é uma fêmea de aproximadamente 25 dias de idade. Ao g1, o especialista apontou que há grandes chances de a mãe ter sido alvo de caça. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp "A gente está com um problema muito sério de caçador em Tapiraí. Inclusive acolhemos uma anta de lá, que também foi vítima de caça", diz. Luz está sendo acompanhada pelos profissionais responsáveis, mas Rafael reforça que ela não poderá mais retornar à natureza. "Por ser muito novinho, o filhote demanda muitos cuidados humanos e isso acaba alterando o comportamento. O manejo desde pequeno inviabiliza a reintrodução", conclui. LEIA TAMBÉM Anta de 180 quilos é resgatada com sinais de caça em Tapiraí: 'Matam para ter um troféu', aponta educadora ambiental Com mais de 400 espécies de aves, Parque Carlos Botelho é refúgio para animais ameaçados na Mata Atlântica; veja fotos Barragens, espécies invasoras e poluição ameaçam biodiversidade do Rio Paranapanema O filhote está sendo alimentado com uso de uma mamadeira e recebendo outros cuidados na ONG. Assista ao vídeo acima. "É um animalzinho lindo, maravilhoso, que a gente precisa dar muita atenção. Esse caso específico comove porque é um filhotinho que, infelizmente, teve a vida inteira interrompida". Filhote de veado-catingueiro é resgatado em Tapiraí (SP) Núcleo da Floresta Curiosidades sobre a espécie Apesar de ser uma espécie comum e de ampla distribuição na região, o veado-catingueiro vem sofrendo um declínio populacional acentuado, segundo o biólogo. Entre os principais problemas estão a caça, os conflitos com cães em áreas verdes, as queimadas, os atropelamentos e a fragmentação de habitats. "Esses cachorros acabam predando os filhotes e os adultos, o que gera um grande conflito. Também temos problemas com queimadas. Esses animais sofrem muito, fogem das áreas atingidas pelo fogo e acabam sendo atropelados", explica. Além disso, a espécie é bastante sensível e pode desenvolver miopatia de captura, uma condição provocada pelo estresse intenso. "O próprio estresse é suficiente para que eles morram mesmo sem estar feridos", afirma. O biólogo pontua que o veado-catingueiro também tem um papel importante no ecossistema, tanto na dispersão da vegetação quanto na cadeia alimentar. "Ela faz parte do cardápio das onças-pardas da região, então é uma espécie muito importante na dispersão da vegetação e também por servir de alimento para grandes predadores", finaliza. Filhote de veado catingueiro é resgatado e encaminhado para o Núcleo da Floresta em São Roque (SP) Núcleo da Floresta/Reprodução Fiscalização e desafios A preservação ambiental é um dos principais desafios de Tapiraí, município que tem mais de 80% do território inserido no bioma Mata Atlântica. Patrícia Faria, educadora ambiental e presidente do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema), explica que o órgão tem atuado para ampliar o diálogo entre a população, o poder público e outras instituições e transformar as demandas ambientais em ações e políticas públicas. "O Comdema nasce justamente da necessidade de fortalecer o diálogo, a participação social e a construção de políticas públicas ambientais em Tapiraí. Nós temos imenso território, e mais de 80% do território está inserido na Mata Atlântica. Então, diante disso, existem diversas formas de a gente atuar", aponta. Integrantes do Comdema em reunião Arquivo Pessoal Atropelamentos, caça, queimadas e desmatamento Entre os problemas acompanhados estão os atropelamentos de animais silvestres na Rodovia Sebastião Ferraz de Camargo Penteado (SP-250/079), a caça, o desmatamento, as queimadas e o descarte irregular de resíduos. Um dos exemplos citados por Patrícia é a ocorrência de atropelamentos de animais silvestres nas rodovias que cortam a região. "Estamos buscando compreender melhor essa realidade, levantar dados, identificar os pontos mais críticos e dialogar com os responsáveis pela rodovia para que medidas de prevenção e proteção da fauna possam ser discutidas. Não queremos trabalhar apenas com casos isolados, queremos transformar informação em planejamento e política pública", diz a educadora. Resgate feito pelo Ecos da Floresta de um coruja murucututu que bateu em um caminhão ao atravessar a pista da SP-079 Arquivo Pessoal Além dos atropelamentos, o município enfrenta outros problemas que afetam diretamente a fauna e a vegetação: a caça ilegal, o desmatamento, as queimadas, o descarte irregular de resíduos e a necessidade de proteção das nascentes e das áreas naturais. Anta foi encontrada muito debilitada e com ferimentos compatíveis à caça em bairro de Tapiraí (SP) Núcleo da Floresta/Divulgação Segundo Patrícia, o desafio atual é fortalecer a prevenção para evitar que o poder público e as entidades precisem agir somente depois que os danos já ocorreram. “Precisamos fortalecer a capacidade do município de prevenir esses problemas, e não apenas agir depois que o dano aconteceu. Queremos um conselho atuante, participativo e próximo da comunidade, capaz de ouvir as demandas, reunir informações, promover o diálogo e ajudar a construir soluções.” À esquerda, gavião que caiu no quintal de um morador e foi resgatado pelo Ecos da Floresta, em Tapiraí (SP). À direita, resgate de uma mãe saruê e seus 5 filhotes que foram atacada por cães Arquivo Pessoal A educadora ambiental ressalta ainda que a preservação das áreas naturais está diretamente ligada à qualidade de vida da população e ao futuro do município. “Em uma região como a nossa, proteger a fauna, as florestas e as águas não é um luxo. É cuidar do patrimônio natural, da qualidade de vida e do futuro de Tapiraí.” Educação ambiental Patrícia também destaca a educação ambiental como uma das principais ferramentas para reduzir os impactos sobre o meio ambiente. A medida, segundo ela, ganha ainda mais importância em Tapiraí por se tratar de um município com vocação turística e grande quantidade de áreas naturais. "Estamos em um território de enorme importância ambiental, com uma biodiversidade muito rica e uma presença significativa de fauna silvestre. Essa riqueza, porém, também traz responsabilidades e desafios, principalmente quando temos recursos financeiros e estruturas públicas limitadas para atender todas essas demandas", afirma. Comdema mantém projetos de educação ambiental com crianças e adolescentes na região de Tapiraí (SP) Arquivo Pessoal Além da conscientização da população e dos visitantes, o conselho busca aproximar diferentes políticas e programas que podem contribuir para a conservação ambiental e, ao mesmo tempo, ampliar a capacidade do município de desenvolver projetos e obter recursos. Entre os temas discutidos estão o ICMS Ecológico, o Programa Município VerdeAzul, o Fundo Municipal de Meio Ambiente (Fundema), a agricultura sustentável e os sistemas agroflorestais. Para a presidente do Comdema, integrar essas iniciativas é uma forma de fazer com que a preservação ambiental deixe de ser tratada apenas como uma ação pontual. “Nosso objetivo é fazer com que a riqueza ambiental de Tapiraí deixe de ser vista apenas como um patrimônio que precisa ser protegido e passe a ser também uma prioridade permanente das políticas públicas.” Patrícia Faria com o filhote de veado-catingueiro que foi resgatado no domingo (13) em Tapiraí (SP) Arquivo Pessoal *Colaborou sob supervisão de Larissa Pandori Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM
