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‘Panelas’ disputavam fama ao atrair vítimas para atos de violência, revela polícia após morte de menina em live

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Mãe de menina induzida ao suicídio faz alerta às famílias A 2ª fase da Operação Lívia, que apreendeu seis adolescentes nesta terça-feira (15), expôs novos elementos sobre a atuação de grupos virtuais envolvidos na indução de crianças e adolescentes à automutilação e, em casos extremos, ao suicídio. Grupo ligado à morte de menina de 13 anos era ‘secreto’ e só aceitava usuários por convite, diz Discord Conforme as investigações, os grupos virtuais, conhecidos como “panelas”, disputavam reconhecimento ao atrair vítimas para os chamados “eventos” de violência. Quanto mais extremo era o conteúdo produzido por uma “panela”, maior seria o “hype” — termo usado pelos integrantes para se referir ao reconhecimento conquistado dentro dos grupos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp O estopim da investigação que culminou na apreensão dos adolescentes foi a morte da adolescente sul-mato-grossense Lívia, de 13 anos, em julho de 2026, após uma transmissão ao vivo no Discord. Ao g1, o Discord informou que um servidor privado investigado pela plataforma no contexto do caso da morte da adolescente em Mato Grosso do Sul só podia ser acessado por convite e não era encontrado por outros usuários. Segundo a empresa, pessoas envolvidas em atividades criminosas teriam incentivado a automutilação no espaço, que foi desativado antes da morte da adolescente. Ao detalhar o que identificou, o Discord afirmou: “O Discord investigou um servidor privado no qual acredita-se que indivíduos envolvidos em atividades criminosas tenham incentivado a automutilação e o desativou antes da morte da adolescente. O acesso ao servidor privado dependia de convite, e ele não podia ser encontrado por outros usuários.” A empresa não informou quantas pessoas participavam do servidor nem quem administrava o espaço. O Discord também afirmou que o caso envolveu diferentes plataformas e que o governo compartilhou evidências indicando que a morte da adolescente ocorreu em outro serviço. A empresa não informou qual. A nota do Discord na íntegra está disponível no fim da reportagem. 🔎O Discord é uma plataforma de comunicação bastante utilizada por jogadores de games online e também por adolescentes. A empresa tem sido alvo de críticas e investigações relacionadas a falhas na moderação de conteúdo e na verificação da idade dos usuários. Em nota, a plataforma informou que utiliza "uma combinação de tecnologia avançada e equipes de segurança especializadas para identificar e remover proativamente conteúdos que violem nossas políticas". Leia a íntegra mais abaixo. Seis adolescentes apreendidos A segunda fase da Operação Lívia foi realizada pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), com apoio da investigação cibernética e do CyberLab Foram cumpridos seis mandados contra adolescentes de 14 a 17 anos no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Os novos alvos foram identificados após a análise de celulares e outros materiais apreendidos durante a primeira fase da operação. As investigações apontam para a utilização de mecanismos de chantagem, manipulação e coerção psicológica contra adolescentes em situação de vulnerabilidade, com o objetivo de submetê-los às determinações dos integrantes desses grupos. Segundo a delegada Anne Karine Sanches Trevizan, a polícia continua trabalhando para identificar todas as pessoas que participavam das “panelas” e que tiveram relação com a morte de Lívia. Cerca de 90% dos integrantes identificados até agora são adolescentes. Um adulto também foi identificado. A polícia encontrou ainda outras possíveis vítimas, algumas delas que não haviam contado aos pais que estavam sendo ameaçadas ou manipuladas. Segundo a investigação, as “panelas” tinham administradores, pessoas responsáveis por atrair novos integrantes e participantes que acompanhavam ou incentivavam os chamados “eventos”. Os grupos também disputavam reconhecimento. Quanto mais extremo era o conteúdo produzido, maior seria o prestígio conquistado entre os integrantes. Para a polícia, a morte de Lívia teria representado o ponto máximo de violência buscado pelo grupo investigado. Momento da captura de um dos suspeitos. Divulgação. Como as vítimas eram atraídas As vítimas eram procuradas em redes sociais e plataformas de conversa. A aproximação começava de forma aparentemente amistosa e, em alguns casos, os investigados se passavam por pessoas da mesma idade ou do mesmo sexo para conquistar a confiança dos adolescentes. Depois, apresentavam os grupos às vítimas. Quando elas não aceitavam participar, as ameaças poderiam começar. A polícia encontrou casos em que nomes, telefones e fotos de familiares eram utilizados para intimidar os adolescentes. Discord nega ser conivente O Discord também afirmou que o caso envolveu atividades em diferentes plataformas e disse considerar que a situação vem sendo tratada de forma isolada no debate público. Segundo a empresa, “o governo compartilhou com o Discord evidências indicando que a morte da adolescente ocorreu em outra plataforma”. A empresa negou ainda falta de cooperação com as autoridades brasileiras. Segundo o Discord, a plataforma mantém diálogo com a Advocacia-Geral da União (AGU), concordou, em princípio, com os termos apresentados pelo órgão e entregou três versões de uma proposta. LEIA TAMBÉM: ESCRAVIZAÇÃO VIRTUAL: Como era esquema usado para induzir menina ao suicídio EXCLUSIVO: Mãe de menina de 13 anos induzida ao suicídio falou com g1 e deixou alerta APREENSÃO: Adolescentes foram apreendidos com itens neonazistas e conteúdos de abuso infantil A plataforma afirma que foi a AGU que encerrou as negociações e diz que a falta de coordenação entre órgãos federais e de clareza sobre as medidas solicitadas tem dificultado as discussões. O Discord também rebateu a caracterização feita pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e afirmou que grupos ou indivíduos que promovam ou incentivem violência “não têm lugar” na plataforma. Segundo a empresa, equipes especializadas atuam para identificar ameaças, possíveis vítimas e grupos violentos, além de remover conteúdos e usuários que violem suas políticas e fornecer informações às autoridades quando necessário. Atualmente, o Discord continua disponível no Brasil, mas as funcionalidades de comunicação por vídeo em tempo real estão suspensas. Mensagens, servidores, canais de voz e chamadas somente de áudio continuam funcionando, segundo a empresa. Veja a nota do Discord na íntegra: “O Discord tem um profundo compromisso com a segurança dos usuários e queremos que nossa plataforma de comunicação seja o melhor lugar para amigos se conectarem antes, durante e depois de jogar. Utilizamos uma combinação de tecnologia avançada e equipes de segurança especializadas para identificar e remover proativamente conteúdos que violem nossas políticas. Mantemos sistemas robustos destinados a prevenir a disseminação de exploração sexual e aliciamento em nossa plataforma e também trabalhamos com outras empresas de tecnologia e organizações de segurança para aprimorar a segurança online em toda a internet. Nossos Termos de Serviço exigem que todos os usuários tenham pelo menos 13 anos para usar o Discord e a Central da Família oferece a pais e responsáveis ferramentas para ajudar seus adolescentes a terem uma experiência online mais segura, preservando sua privacidade. Seguimos totalmente comprometidos em cooperar com as autoridades locais neste caso.” Veja mais vídeos de Mato Grosso do Sul:

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