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Abandono escolar na reserva indígena de Dourados é até sete vezes maior que a média nacional

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Falta de transporte, violência e gravidez precoce afastam indígenas da escola em MS A falta de transporte, a violência no trajeto, a gravidez precoce e problemas de renda estão entre os fatores que dificultam a permanência de estudantes indígenas na escola em Mato Grosso do Sul. Na Reserva Indígena de Dourados, o percentual de abandono entre alunos do 5º ao 9º ano chega a 7,3%, enquanto nas escolas públicas brasileiras o índice é de, no máximo, 1%. Na reserva existem seis escolas municipais de ensino fundamental e uma escola estadual que atende o ensino médio. A distância entre as comunidades e as unidades de ensino, além das dificuldades de transporte, interfere diretamente na rotina dos estudantes. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp 🔎 Esta reportagem faz parte da série “Me Escute Porque Eu Decido”, exibida no MS2 entre os dias 7 e 14 de setembro. Os conteúdos integram a cobertura especial da TV Morena para as Eleições 2026. Longe da escola A estudante vai de bicicleta para a escola e relata dificuldades pela falta de transporte Arquivo TV Morena Uma jovem indígena deixou de frequentar a escola quando não conseguiu uma vaga próxima de casa. Depois, casou-se e engravidou aos 15 anos. Hoje, aos 18, voltou a estudar na Educação de Jovens e Adultos (EJA), na Escola Araporã. Por medo de represálias, ela pediu para não ser identificada. “Às vezes, fica um pouco difícil pra mim quando eu tô sem transporte pra ir pra escola. Não só eu. Vários alunos que mora longe têm dificuldade pra ir pra escola.” Em uma noite em que não havia ônibus, ela foi para a escola de bicicleta, acompanhada da irmã mais nova e da filha de dois anos. Na volta, as três foram abordadas por homens na rua. “Da volta da escola, tava um homem encapuzado perto da igreja e dali eles começaram a atacar.” Segundo a estudante, a situação fez com que ela passasse a ter medo de voltar para a escola devido à falta de iluminação e de segurança no trajeto. “Sim, eu tô com medo por conta que a rua é muito escura, muito movimentada. Falta de segurança também.” Abandono escolar tem diferentes causas A diretora da Escola Municipal Indígena Augustinho, Fernanda Dourado, trabalha na área há mais de 20 anos e aponta uma série de fatores que contribuem para o afastamento dos estudantes. “Muitas vezes por problemas familiares. Da gravidez precoce. Nós temos a questão, de problema de renda, que eles saem muito cedo pra trabalhar. A distância, a falta que nem, chove, estradas, falta de transporte, o acesso à escola é tudo mais difícil aqui pra eles.” Outro problema citado pela escola é a falta de água e de saneamento. A ausência de estrutura pode afetar a rotina dos alunos e contribuir para o afastamento das atividades escolares. Sonhos interrompidos Jovem indígena deixou de frequentar a escola por falta de vaga Arquivo TV Morena As dificuldades de acesso à educação também aparecem nas histórias de mulheres que não conseguiram concluir os estudos. A aposentada Joseli Moreira conta que queria ter seguido a carreira de advocacia, mas não conseguiu continuar estudando. “Eu tentei estudar, né, na minha época... Eu tentei. Eu queria ser advogada. Porque eu era aquela que eu procurava saber as coisas, defender.” Em Coronel Sapucaia, Adenilza Rodrigo também precisou interromper os estudos. Ela conta que chegou até a sétima série e deixou a escola enquanto vivia com a família em uma fazenda. “Ah, meu sonho era ser veterinária.” Para a jovem que voltou à escola pela EJA, a expectativa agora é concluir a formação e entrar na faculdade. “Meu maior sonho mesmo é terminar meus estudos e fazer faculdade.” Ela pretende seguir a carreira de professora e também sonha com um futuro diferente para a filha. Educação pública de MS Educação em MS avançou entre 2023 e 2025, mas permaneceu abaixo da média nacional Os desafios não estão restritos às comunidades indígenas. Os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mostram que a rede pública de Mato Grosso do Sul avançou entre 2023 e 2025, mas permaneceu abaixo da média nacional nas três etapas avaliadas. No ensino médio, a diferença é a maior: Mato Grosso do Sul passou de 3,8 para 4,2, enquanto a média nacional chegou a 5,7. Os dados mostram que o acesso e a permanência na escola ainda são atravessados por fatores que vão além da sala de aula. Transporte, segurança, renda, estrutura das unidades e condições de vida interferem na trajetória dos estudantes. *Produção: Alysson Maruyama, Caio Tumelero, Gessé López, Michel Pena, Nádia Nicolau, Nicholas Vasconcelos e Rodrigo de Freitas. Imagens: Aldemir Romero, Fábio Rodrigues, Itamar Silva e Valdeir Pereira. Assistente técnico: Nelson Bueno. Videografismo: Leandro Ricarte e Paulo Ribeiro. Edição de imagens: Paulo Ribeiro. Roteiro e direção: Jaqueline Bortolotto. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

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