Entregador baleado por PM em Salvador volta ao hospital com infecção e fará 3ª cirurgia
O entregador Sirilo Marques, de 27 anos, baleado por um policial militar durante uma briga de trânsito em Salvador, precisou ser internado novamente no Hospital Geral do Estado (HGE), no domingo (13), após apresentar uma infecção na perna atingida pelo disparo. Ele vai precisar passar por uma terceira cirurgia. Segundo a esposa da vítima, Samile Sahade, Sirilo estava em casa quando apresentou febre. Ela acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que o levou novamente para o HGE. "Vi que ele estava com febre em casa e liguei para o Samu. A mão dele estava amarela, o Samu chegou lá em casa e trouxe ele aqui para o HGE", disse Samile. A esposa contou que os exames confirmaram a infecção e que os médicos indicaram uma nova intervenção cirúrgica. "Ele estava com uma suspeita de ter uma bactéria, fez exame e foi confirmada a infecção na perna. Vai ser necessária a intervenção cirúrgica", afirmou. Sirilo está na emergência do HGE enquanto aguarda a liberação de um quarto para ser transferido para uma unidade de internação. "Ele está no leito, na emergência, aguardando a liberação de um quarto para que ele possa subir", contou Samile. De acordo com a esposa, além da infecção, Sirilo apresentou anemia e uma alteração na coagulação do sangue. A nova cirurgia será necessária para fazer uma limpeza interna na região atingida pelo tiro. "Ele está anêmico. Ele também teve uma alteração na coagulação do sangue, muito abaixo do recomendado. Vai precisar fazer uma cirurgia para lavar internamente. Uma lavagem cirúrgica", explicou. Sirilo foi baleado na perna durante uma discussão de trânsito, em 24 de agosto, na Avenida São Rafael, em Salvador. Segundo a família, ele já havia passado por duas cirurgias desde que foi atingido. A vítima estava dirigindo quando houve uma batida entre o carro dela e o veículo do policial militar Rodrigo Wanderley Ramos Bonfim. Após a colisão, o PM desceu do carro alterado. Com medo, Sirilo começou a gravar a situação com o celular. Imagens registraram o momento em que o policial, que portava um distintivo, abriu a porta do carro do entregador e puxou o celular das mãos dele. O disparo não foi registrado. Sirilo foi atingido na perna e ficou internado no HGE por cerca de duas semanas. Ele tinha recebido alta em 9 de setembro. Segundo Samile, os estilhaços da bala continuam no corpo de Sirilo. A família foi informada de que a retirada poderia representar riscos por causa da proximidade com a artéria femoral e nervos importantes. "Não foram removidos os estilhaços, porque estão próximos a artéria femoral e nervos importantes. Então existia risco de morte e por isso foi decidido por não remover", disse. O policial militar Rodrigo Wanderley Ramos Bonfim foi preso em 2 de setembro, oito dias após o crime. Ele segue custodiado. A Polícia Militar informou anteriormente que instaurou um processo administrativo disciplinar contra o soldado e que acompanha o caso.
