O prato com ovo e carne de sol que alimenta trabalhadores no Pantanal de Mato Grosso do Sul
Conheça o quebra-torto pantaneiro Antes do nascer do sol, trabalhadores rurais de fazendas de Corumbá, no oeste de Mato Grosso do Sul, tomam o café da manhã que dá energia para a jornada de trabalho. Servida antes das 5h, a refeição é o Quebra-torto, tradição da rotina pantaneira. A refeição é servida antes de os trabalhadores saÃrem para as atividades do dia, muitas vezes ainda no escuro. Entre os pratos estão arroz carreteiro, macarrão de comitiva e o Quebra-torto. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Refeição antes do sol nascer O trabalho começa cedo nas fazendas do Pantanal. Antes das 5h, os trabalhadores já se preparam para sair. Em alguns casos, usam lanternas para iluminar o caminho. Enquanto a equipe começa as atividades, o cozinheiro João Arruda acende o fogo a lenha para preparar o Quebra-torto. Aos 71 anos, João conta que prepara esse tipo de refeição há cerca de 60 anos. "Muita, muita, comitiva, fazendas, até hoje eu vivo da alimentação. É o meu ramo, é o que eu gosto. Tá no DNA, eu gosto de fazer, quebra torto de manhã, o pessoal sai cedo e tem que se alimentar bem", afirmou o cozinheiro. O termo "torto" é usado para se referir à fome. Por isso, o Quebra-torto é uma refeição feita pela manhã para alimentar os trabalhadores antes da jornada. Para o trabalhador rural Odaildo Lemos de Brito, a refeição faz parte da rotina das fazendas. "Pra aguentar o trabalho mesmo, é uma tradição nossa, todas as fazendas tem o quebra torto. Tem que ser cedo pra tarde não dá né, tem que ir pro trabalho. Tem vezes que a gente =atrasa um pouco no almoço, não tem hora pra chegar, assim que é", disse Odaildo. Quebra-torto, prato tÃpico de Mato Grosso do Sul. LunaGarcia/Reprodução O que tem no Quebra-torto? Na fazenda em Corumbá, o Quebra-torto preparado por João tem arroz carreteiro, macarrão e paçoca de carne. A paçoca é feita com carne seca. A carne é cozida, desfiada e frita. Depois, é colocada no pilão com farinha e socada até que os ingredientes se misturem. "A paçoca é cozida e desfiada. Você cozinha ela, desfia ela, frita ela, senão fritar, azeda, aà vai pro pilão pra socar com a farinha, porque a farinha tem que entrar na carne depois que tiver socadinha, vai pra um recipiente", conta o cozinheiro. João também explica que a cebola pode ser frita no óleo e que a manteiga é acrescentada depois para dar sabor à paçoca. "Aà já fica pronta, só pegar e comer". Como é feito o arroz carreteiro Para preparar o arroz carreteiro, João corta a carne de sol em pedaços pequenos. Depois, coloca óleo na panela e acrescenta o alho e a carne. Os ingredientes são fritos. Na sequência, ele acrescenta o arroz e mistura os ingredientes. Por fim, coloca água e deixa cozinhar. Segundo João, o prato fica pronto em cerca de 30 minutos. "Também tem a minha mão santa que eu ponho nele, né?", brincou. O macarrão também é preparado na panela com carne seca e cebolinha. Depois de fritar os ingredientes, João acrescenta água e deixa cozinhar. "Mais um 30 minutos e já está pronto". Paçoca de carne-seca é feita com temperos amassados no pilão. LunaGarcia/Reprodução Tradição antes da jornada Na hora de servir, os trabalhadores seguem costumes da rotina pantaneira. Um deles é manter a panela tampada depois que a comida é colocada no prato. A jornada segue ao longo do dia, e o horário de retorno varia. O trabalhador rural Claudeir Pinheiro diz que o cheiro da comida faz parte do inÃcio da rotina. "De manhã cedo já tem o cheiro do quebra-torto, anima mais pra levantar", afirma o trabalhador. O Quebra-torto faz parte do inÃcio da jornada de trabalho nas fazendas do Pantanal de Mato Grosso do Sul. Servida antes do amanhecer, a refeição reúne pratos que ajudam a alimentar os trabalhadores para um dia de trabalho que pode durar várias horas. "A cozinha tem que te amor por ela, senão não adianta", finaliza João. Café da manhã tipicamente pantaneiro. San Francisco/Divulgação Veja vÃdeos de Mato Grosso do Sul
