Esposa de policial preso em RR por tentativa de feminicídio recua da denúncia mas delegado diz que investigação continua
Esposa recua de denúncia contra policial preso, mas delegado diz que investigação continua A esposa do policial civil José Maria de Souza Moura, de 58 anos, preso por tentativa de feminicídio contra ela, recuou da versão dita na delegacia e negou ter sido agredida por ele. O delegado do caso, no entanto, afirmou que a apuração do caso não muda por conta de postagens em redes sociais e frisou que a polícia "trabalha com provas". A nova versão da mulher foi divulgada em formato de nota cinco dias após a prisão do marido. No dia, José Maria foi preso em flagrante suspeito de tentar matar a própria companheira enforcada, e teve a prisão preventiva decretada na audiência de custódia. O exame de corpo de delito constatou ferimentos no braço dela. O crime ocorreu na madrugada da última segunda-feira (7), em Caracaraí, ao Sul de Roraima. No dia, ela foi derrubada no chão e teve o pescoço apertado com golpes conhecidos como "mata-leão". Na delegacia, a mulher relatou que ficou sem conseguir respirar e que acreditou que seria morta durante as agressões. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Na carta aberta divulgada na internet, a mulher afirmou que a situação foi "distorcida" e que "nunca houve nenhuma agressão física ou tentativa de feminicídio". Ela relatou que passava por um momento de fragilidade e abalo emocional no momento em que o caso foi registrado. Em nota, a advogada da mulher reforçou a versão de que ela não foi agredida e declarou que a vítima procurou a Corregedoria-Geral da Polícia Civil para esclarecer o episódio. Também pediu a apuração das acusações contra o investigador, as quais classifica como falsas, e cobrou respeito à voz da vítima. Procurado para falar sobre a mudança na narrativa, o delegado Bruno Gabriel Bezerra Costa, titular de Caracaraí, afirmou que a polícia trabalha com provas. Ele destacou que existem elementos colhidos desde os primeiros momentos do caso, incluindo o comparecimento da vítima à delegacia e registros audiovisuais que comprovam o crime. "Isso não significa afirmar que a vítima esteja mentindo. Também não significa afirmar que alguém esteja pressionando essa vítima. O que existe nesse momento é uma aparente divergência entre informações anteriormente registradas e aquilo que agora está sendo afirmado publicamente", disse o delegado. Responsável pela investigação, ele reforçou que qualquer mudança de relato em casos de violência doméstica precisa ser analisada com cautela, para garantir que a mulher não esteja sofrendo pressões. "Meu compromisso não é com a primeira versão, nem com a versão apresentada posteriormente. Meu compromisso é exclusivamente com a prova", concluiu. Conflito de relatos e laudo médico No exame de corpo de delito feito após a prisão do policial, foram constatadas escoriações no braço da vítima. O laudo apontou que a tentativa de asfixia não deixou marcas. No entanto, em depoimento registrado na delegacia logo após o episódio, ao qual o g1 teve acesso, a vítima relatou ter sofrido violência severa e destacou que os fatos daquele dia não eram um "episódio isolado". Ela disse à polícia que já havia sofrido "empurrões, xingamentos e agressões físicas" do companheiro. Sobre o dia da prisão, contou que a briga começou em Boa Vista, após o policial falar com ela de "maneira ríspida". Ao reclamar, ele respondeu que ela "tem que aprender a falar, aprender a agir e tem que aprender a ser mulher". Ao falar sobre um episódio anterior, a mulher disse que o investigador ingeriu bebida alcoólica e passou a ofendê-la com xingamentos. Em seguida, o policial a agarrou, jogou sobre a cama e passou a enforcá-la, apertando o pescoço dela. Condenação anterior por agressão Esta não é a primeira vez que o policial José Maria responde na Justiça por violência contra a mulher. Ele foi condenado pela Justiça de Roraima por agredir a ex-esposa em setembro de 2019. O crime ocorreu dentro de um carro em Boa Vista, após o casal retornar de uma confraternização. José Maria de Souza Moura, investigador da Polícia Civil de Roraima preso por tentativa de feminicídio contra a própria companheira. Reprodução/Redes sociais A discussão começou porque o policial se incomodou com o fato de a esposa ter dançado durante o evento. No decorrer da briga no automóvel, o acusado a atingiu na boca com um soco. Em juízo, ele admitiu a agressão, alegando ter agido num "momento de explosão". Ele foi condenado a 15 dias de prisão em regime aberto pela contravenção penal de vias de fato em contexto de violência doméstica, sendo absolvido de uma acusação de cárcere privado. A pena foi suspensa por dois anos mediante o cumprimento de condições estipuladas pela Justiça. Prisão mantida No caso ocorrido em Caracaraí, a Justiça de Roraima decretou a prisão preventiva do investigador na terça-feira (8), mantendo-o preso por tempo indeterminado. O juiz apontou "acentuada periculosidade" do policial e determinou a transferência dele para um presídio em Boa Vista, além de suspender o direito dele de portar armas de fogo. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.
