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Eletricista diz que 'emprestou os dados' para ser tesoureiro de ONG de Karina da Gama, mas nunca exerceu a função

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O eletricista Vanderlei Magalhães Natividade, que aparece como tesoureiro do Instituto Conhecer Brasil, da empresária Karina da Gama. Reprodução/Redes Sociais Os advogados de defesa do eletricista Vanderlei Magalhães Natividade, que aparece formalmente em documentos como tesoureiro do Instituto Conhecer Brasil (ICB), de Karina da Gama, disseram nesta segunda-feira (14) que ele "nunca exerceu qualquer atividade de fato no instituto", que tem contrato milionário com a Prefeitura de São Paulo. Natividade é apontado pela Polícia Federal (PF) como a pessoa cuja assinatura aparece em documentos relacionados a movimentações que totalizaram cerca de R$ 83 milhões do ICB em apenas um ano. A casa dele foi alvo da operação autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), na última quinta-feira (10). 🔎 Karina da Gama é produtora do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ela também é dona do Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade que mantém contrato milionário com a Prefeitura de São Paulo, e está no centro de uma investigação da Polícia Federal (PF) que apura suspeitas envolvendo recursos públicos e movimentações financeiras relacionadas ao instituto e ao filme. Conforme o g1 publicou, Natividade se apresenta nas redes sociais como um eletricista industrial que faz reparos em empresas e apartamentos. O eletricista Vanderlei Magalhães Natividade, que morava na Brasilândia e aparece como tesoureiro do Instituto Conhecer Brasil, da empresária Karina da Gama. Reprodução/Redes Sociais Os advogados Miguel Kupermann e Matheus Yasbeck Montenegro afirmam que ele apenas se dispôs a ajudar na criação do ICB por sua prima, Karina da Gama, sem jamais ter movimentado qualquer conta bancária da entidade. "Há 12 anos, a pedido de sua prima, Karina da Gama, Vanderlei forneceu seus dados para auxiliá-la na constituição do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ocasião em que foi registrado, formalmente, como tesoureiro estatutário", afirmou a nota. "Não obstante essa designação no estatuto, Vanderlei nunca exerceu qualquer atividade de fato no instituto, nunca movimentou contas da entidade e nunca recebeu qualquer valor em detrimento da sua suposta posição executiva", diz. Vanderlei Magalhães Natividade foi alvo de busca e apreensão da Polícia Civil de SP, em 1° de junho, e da Polícia Federal, em 10 de setembro. Reprodução/STF Casa na Zona Norte Em maio, a produção da TV Globo esteve no endereço onde Vanderlei Natividade mora, na Vila Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo. A casa faz fundos com o terreno onde também vive a família de Karina da Gama, produtora do filme "Dark Horse", que está sendo investigada no Supremo Tribunal Federal (STF). Foto da casa onde vive o eletricista Vanderlei Natividade, no bairro da Brasilândia, Zona Norte de SP. Reprodução/Polícia Civil de SP Segundo os advogados, "a proximidade familiar e a relação de confiança com Karina — que inclusive motivou, em determinado período, a residência de Vanderlei no imóvel vizinho à família dela — explicam por que seu nome foi utilizado na constituição do instituto". "[A proximidade] não se confunde com qualquer papel ativo na administração ou na movimentação de recursos da entidade. Vanderlei é pequeno empresário e trabalha como eletricista nas regiões Norte e Oeste de São Paulo. Não tem qualquer envolvimento com política, produção cultural ou de eventos, tampouco com a produção do filme 'Dark Horse'", disseram seus advogados Nota oficial dos advogados de Vanderlei Magalhães Natividade, ligado ao Instituto Conhecer Brasil (ICB). Reprodução O que diz o ICB O g1 procurou o Instituto Conhecer Brasil (ICB) para entender o motivo do eletricista ainda ser apontado como tesoureiro da entidade, segundo as investigações da Polícia Federal, mas ainda não obteve retorno. A defesa de Karina Ferreira da Gama informou que apresentou uma reclamação constitucional ao STF após a operação da Polícia Federal desta quinta-feira (10). 🔎 Reclamação constitucional é um instrumento usado para garantir a competência de um tribunal e o cumprimento de suas decisões por juízes e tribunais inferiores. Segundo o advogado Ricardo Sayeg, a medida não questiona o mérito da investigação e busca garantir o cumprimento de decisões da Presidência do STF e a competência do juiz natural. A defesa afirma ainda que Karina vinha colaborando espontaneamente com a investigação e entregou à PF, na última sexta-feira, mais de 20 mil páginas de documentos. Ministro Flávio Dino cita Vanderlei Natividade na decisão que autorizou a operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (10). Reprodução/STF O eletricista Vanderlei Magalhães Natividade, que morava na Brasilândia e aparece como tesoureiro do Instituto Conhecer Brasil, da empresária Karina da Gama. Reprodução Karina da Gama é investigada no caso da instalação de wi-fi e no caso 'Dark Horse' Íntegra da Nota de Karina da Gama "Tendo em vista a operação da Polícia Federal na data de hoje [quinta], no exercício da advocacia em favor da Sra. Karina Ferreira da Gama, ajuizamos nesta data, reclamação constitucional em jurisdição criminal perante a Presidência do STF. A medida não discute o mérito da investigação, sendo certo que, a cliente estava contribuindo espontânea e voluntariamente, tanto que, atendeu, na última sexta-feira, à solicitação da Polícia Federal e entregou mais de 20 mil laudas de documentos, o que prova sua boa-fé e lealdade processual. Entretanto, nossa defesa técnica insiste em assegurar a autoridade das decisões da Presidência do STF e a competência do juiz natural. Acreditamos em nossas Instituições e confia-se na Suprema Corte para a plena garantia do devido processo legal."

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