CCS defende aceleração da industrialização e maior apoio às empresas nacionais
O encontro teve como objectivo reforçar a cooperação entre as duas instituições na promoção do investimento, no apoio ao sector privado e na internacionalização das empresas cabo-verdianas. “Estamos a falar da industrialização e da urgência de industrialização da economia cabo-verdiana, porque dependemos quase de tudo da importação. Já existem algumas iniciativas de industrialização, mas precisamos de acelerar e apoiar mais intensamente, porque o tecido empresarial nacional precisa de ser mais acarinhado e ter mais atenção nas suas actividades. Um país só pode desenvolver-se tendo empresários nacionais ricos”, salienta Marcos Rodrigues. O presidente da Câmara de Comércio de Sotavento defende uma aposta em pequenas e médias indústrias, capazes de responder ao mercado nacional e, ao mesmo tempo, criar oportunidades de negócio na região. “Nós não podemos sonhar com grandes indústrias a nível nacional, porque sabemos que somos arquipélagos e que temos problemas complexos na questão do transporte, mas podemos, enfim, sonhar com indústrias de média dimensão e de pequena dimensão. Especialmente indústrias que possam servir também o interesse nacional e que possam servir aqui a região. Temos várias áreas onde nós podemos ser altamente competitivos e que podemos fazer hoje em dia em Cabo Verde. Faço-vos lembrar, por exemplo, a questão do mobiliário para as casas, a questão das tecnologias em várias áreas de montagem de produtos em Cabo Verde”, defende. A reunião abordou também a necessidade de atrair investimentos estrangeiros de maior dimensão para sectores estratégicos, sem limitar a entrada de investidores no país. A presidente da Cabo Verde TradeInvest, Joselina de Carvalho, defende uma maior articulação entre os sectores público e privado para identificar oportunidades de investimento capazes de gerar emprego e dinamizar a economia. “Nós não vamos fazer um travão aos microempresários estrangeiros. São, sim, bem-vindos e serão acarinhados, mas também o foco é alavancarmos os nossos investidores, os nossos microempresários, dar oportunidades, alavancar os seus projectos e, como a Câmara do Comércio, que é o sector privado, conhece todos os empresários, a CVTI, com a função de investimento, tem por objectivo trazer os parceiros e, junto com o local, identificarmos o nicho que gera emprego para Cabo Verde e que também tem ganhos para o investidor que vem”, considera. Entre as áreas apontadas como prioritárias estão a industrialização, os transportes, a pesca e o sector primário. As duas instituições defendem ainda a criação de melhores condições de financiamento e de apoio aos empresários nacionais, numa estratégia que pretende combinar a atracção de investimento estrangeiro com o reforço do tecido empresarial cabo-verdiano.
