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Caso Master: relatório da PF expõe 'fábrica de documentos' para validar crédito vendido ao BRB

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<img src="https://s2-g1.glbimg.com/BBO7QfYs51RmtjzqOhxRlo5YAKA=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/7/z/YgrxcuTLObKr9dBZJTvA/banco-master.jpg" /><br /> Camarotti: Queda de sigilo de documentos do caso Master eleva tensão para terça-feira A Polícia Federal encontrou, em um HD obtido durante a Operação Compliance Zero, uma apresentação de PowerPoint que detalha uma espécie de “fábrica de documentos” criada por funcionários do Banco Master. O esquema usava dados reais de clientes do programa de crédito CredCesta para forjar contratos e simular a cessão de R$ 7,15 bilhões em dívidas ao Banco de Brasília (BRB). 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Os créditos falsificados eram atribuídos à Tirreno Consultoria, uma empresa de fachada sem funcionários ou capacidade operacional, usada para mascarar a falta de lastro das operações. Entre dezembro de 2024 e maio de 2025, Master e Tirreno firmaram 28 instrumentos de cessão de crédito consignado. A perícia da PF constatou que não houve liquidação financeira real nem transferência dos valores para contas de livre movimentação da Tirreno. A empresa só abriu uma conta corrente posteriormente, mas ela permaneceu inativa. Os valores bilionários ficaram restritos a lançamentos escriturais internos em uma conta gerencial reservada do próprio Banco Master. Esses papéis foram então repassados ao BRB, que aceitou os créditos mesmo diante das irregularidades. O arquivo do HD encontrado descreve um fluxo que começava com a extração de dados de clientes e contratos dos sistemas do banco, passava pelo processamento dessas informações em softwares desenvolvidos especificamente para a tarefa e terminava na produção em escala de documentos financeiros. Entre os documentos citados estão Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), Termos de Consentimento e Procurações. A apresentação também registra a retirada de datas e páginas de documentos, inclusive páginas de assinatura, além da solicitação de comprovantes de transferências financeiras sem informações que permitissem rastrear a operação. Como funcionava a produção dos documentos Um dos procedimentos identificados era a compilação de dados de clientes — como os vindos do CredCesta — por funcionários que tinham acesso aos sistemas da instituição. Com os dados em mãos, funcionários do Master faziam uma “geração industrial de documentos financeiros”. O relatório descreve diferentes processos de produção: havia sistemas para criar CCBs e Termos de Consentimento e outro fluxo para gerar Procurações por meio de mala direta. Também foram identificadas alterações em documentos. A apresentação registra a remoção de datas de Termos de Consentimento, a extração de páginas específicas e a separação de páginas de assinatura. Em outro procedimento descrito, funcionários solicitavam comprovantes de transferências financeiras sem informações de rastreabilidade. Segundo a apresentação, o conjunto dessas atividades envolvia funcionários de diferentes áreas em uma “operação coordenada”. Por que esses documentos eram importantes As CCBs são documentos usados para formalizar uma dívida ou obrigação de pagamento. Já Termos de Consentimento e Procurações podem registrar autorizações e permitir que pessoas ou empresas atuem em nome de outras. No caso investigado pela PF, esses documentos serviam para dar uma suposta legitimidade às carteiras de créditos que o Banco Master transferiu ao BRB. Em uma cessão de crédito, uma instituição passa para outra o direito de receber determinadas dívidas. Para que esses créditos pudessem ser apresentados como válidos, era necessário haver documentos capazes de demonstrar a existência das operações e dos respectivos direitos de recebimento. É nesse ponto que a estrutura descrita na apresentação se conecta à operação investigada. O material mostra um fluxo organizado para extrair informações, transformá-las em documentos e reunir registros que davam suporte às operações envolvendo a carteira transferida ao BRB. PF encontrou apresentação em HD do Banco Master A apresentação chegou às mãos da PF depois que a corporação obteve um HD corporativo do Banco Master. A primeira fase da Operação Compliance Zero ocorreu em novembro de 2025. Durante as buscas realizadas na instituição, a PF não conseguiu copiar todo o volume de dados armazenado nos equipamentos. Por isso, posteriormente, solicitou o acervo ao liquidante do banco. O HD foi entregue à corporação em 27 de novembro de 2025 e passou por perícia. Os peritos fizeram uma cópia dos dados para análise, preservando o dispositivo original. Foi nesse processamento que apareceu o arquivo “Revisão - processos e documentos.pptx”, armazenado no SharePoint do Banco Master. Dentro do arquivo, a apresentação tinha o título “Investigações internas – Banco Master”. O documento possuía 26,7 MB e 30 slides, sendo um deles oculto. Os registros técnicos indicam que o arquivo foi criado em 23 de outubro de 2025, às 12h09, e modificado pela última vez no dia seguinte, às 17h45. Documento passou a integrar investigação da PF Depois de localizado, o conteúdo da apresentação foi incorporado à análise da Polícia Federal. As informações constam da Informação de Polícia Judiciária de Análise (IPJ-A nº 1390980/2026), concluída em 23 de março de 2026. A apresentação ajuda a reconstruir, a partir dos registros encontrados no banco, o caminho percorrido pelas informações: dados de clientes e contratos eram extraídos dos sistemas, processados por ferramentas específicas e utilizados na produção de documentos relacionados às operações de crédito. Banco Master. Reprodução/TV Globo

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