Dois servidores do Banco Central receberam propina para orientar Vorcaro em reuniões com a instituição, diz Polícia Federal
<img src="https://s2-g1.glbimg.com/TAqUSMa7KYCe0a5N14pF6vkOqio=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/k/N/Nm0xoeTHOoOvXnh9JvCQ/globo-canal-4-20260911-2000-frame-142733.jpeg" /><br /> PF: Vocaro pagou propina para servidores do BC atuarem como consultores do Master Segundo a Polícia Federal, dois servidores do Banco Central receberam propina para orientar Daniel Vorcaro em reuniões com o BC e revisar documentos de fiscalização. Segundo a Polícia Federal, Paulo Sérgio Neves de Souza, então chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do BC, atuou de maneira reiterada como uma espécie de consultor informal de Daniel Vorcaro, oferecendo orientações detalhadas, revisando documentos sensíveis sempre em benefício direto dos interesses privados do banqueiro. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A PF afirmou que essa consultoria começou em outubro de 2023, quando Paulo Sérgio assumiu o cargo, e que, em diversas oportunidades, ele sugeriu estratégias, antecipou posicionamentos internos do Banco Central e orientou Vorcaro sobre o que dizer em reuniões com diretores e até com o presidente da autarquia. Segundo a PF, em dezembro daquele ano, o servidor “tomou a liberdade” de sugerir pontos a serem abordados nas reuniões de Vorcaro com o “Presi”. Em depoimento, Paulo Sérgio confirmou que "Presi" era Roberto Campos Neto, então presidente do BC. Delegado: “Presi” é quem? Paulo Sérgio diz: “Presi” é o Roberto Campos. Inclusive, é no mesmo dia que é divulgado a nova norma de captação do Conselho Monetário Nacional. Por que que teve esse contexto? Ele estava falando para mim que estava sendo ameaçado pelo sistema, que o sistema estava falando que ele ia quebrar. Eu simplesmente falei: 'Meu amigo, você fala isso...'. Várias situações acontecem dentro do Banco Central quando você tem reunião... Você fala: 'Isso aqui você tem que falar com o presidente, isso, isso e isso'. Porque não é atribuição minha. Se o S1 está te perseguindo, quem pode fazer alguma coisa é a diretoria. Então, aproveite para falar com o Roberto. E foi no contexto dessas duas notas que ele estava desesperado. É praxe você ficar falando sobre... Delegado: Foi situação específica então? Paulo Sérgio: Muito específica. Delegado: Pelo menos para quem não está habituado ao trabalho dos senhores, fica parecendo muito mais um trabalho quase de consultor do banco do que consultor do Banco Central. O senhor está trabalhando quase como um gestor estrategista do Banco Master. A PF encontrou indícios de que Belline Santana, chefe do departamento de Paulo Sérgio, também atuou de maneira consistente e recorrente como consultor informal, participando de reuniões privadas e mantendo interlocução direta com Vorcaro. Os três, Paulo Sérgio, Vorcaro e Belline, tinham um grupo de WhatsApp. Na primeira mensagem, Belline explicou por que criou o canal. Belline Santana: Criei esse grupo, no intuito de facilitar nossa interlocução. Vorcaro respondeu: Ok, obrigado. Belline: Com relação ao documento, considero que ficou bom. Fico apenas com uma dúvida da necessidade/adequação da expressão. Dois servidores do Banco Central receberam propina para orientar Vorcaro em reuniões com a instituição, diz Polícia Federal Jornal Nacional/ Reprodução Segundo a PF, em diversos momentos do diálogo entre Belline e Vorcaro, o servidor se coloca proativamente à disposição para alinhar temas importantes, em um padrão que claramente foge de suas atribuições como servidor público. As mensagens mostram que todo esse serviço em favor do banqueiro tinha um preço. A PF sustenta que os dois servidores receberam vantagens materiais custeadas por Daniel Vorcaro, como uma viagem de luxo à Disney para Paulo Sérgio e família e pagamentos mensais e reiterados para Belline Santana. Segundo a PF, os pagamentos para Belline Santana eram tratados por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Em outubro de 2023, Zettel disse: “Hoje tem que pagar a primeira do Belline, ok?”. “Ok”, respondeu Vorcaro. Em janeiro de 2025, Fabiano Zettel enviou uma mensagem a Vorcaro, com uma lista de pagamentos pendentes daquele mês. Só para Belline, R$ 750 mil. As defesas de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel não quiseram se manifestar. As defesas de Paulo Sérgio de Souza e Belline Santana afirmaram que os dois sempre atuaram dentro de suas atribuições no Banco Central e que os contatos com o Banco Master foram estritamente institucionais, sem qualquer interferência nas atividades de fiscalização. O escritório de Viviane Barci declarou que o contrato com o Master era abrangente e que, por isso, o setor de compliance pediu informações ao ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia-diretora. A nota diz ainda que o escritório questionou eventuais impedimentos legais para a contratação em ações no STF de relatoria de Moraes e também a participação em julgamentos de interesse do possível cliente. O escritório afirma também que o contrato foi assinado e os serviços prestados, já que não havia impedimento legal ou previsão de atuação no STF. Ainda segundo a nota, o ministro Alexandre de Moraes nunca tinha julgado ações envolvendo o Banco Master. O jornalista Diego Escosteguy afirmou que a relação dele com Daniel Vorcaro sempre foi estritamente profissional, caracterizando-se como relação de fonte - uma prática legítima, comum e indispensável ao exercício da imprensa - e que a matéria, segundo ele, não antecipou ou insinuou qualquer operação ou medida cautelar. O Jornal Nacional não teve resposta de Eduardo Bolsonaro, Walfrido Warde e Ailton de Aquino. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Assessoria informal, grupo de mensagens, cobrança de pagamento: PF detalha relação de Vorcaro com servidores do BC
