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Primeiro Censo de primatas encontra espécies ameaçadas de extinção em espaços urbanos de MT; conheça

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<img src="https://s2-g1.glbimg.com/4Em7ce-ANSlWFXxaeBuofBXphs8=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/L/m/QCq7ycQXOHEbfzyBw6fg/videos-g1-.png" /><br /> Drones registram macacos durante censo de primatas em Alta Floresta (MT) O primeiro censo de primatas realizado em Alta Floresta, a 800 km de Cuiabá, identificou seis espécies em dois dos quatro fragmentos de vegetação localizados em áreas urbanas e periurbanas do município. Entre os animais registrados estão quatro espécies ameaçadas de extinção, como o zogue-zogue-de-Alta-Floresta, considerado criticamente em perigo (assista acima). O levantamento foi realizado neste ano pelo Projeto Reconecta, em parceria com a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV), e percorreu a Reserva Surucuá, a Fazenda Anacã, o Parque Zoobotânico e o Retiro dos Padres. Foram registradas as seguintes espécies: bugio-vermelho (Alouatta puruensis); macaco-da-noite (Aotus azarae); macaco-aranha-da-cara-preta (Ateles chamek); mico-de-Schneider (Mico schneideri); zogue-zogue-de-Alta-Floresta (Plecturocebus grovesi); macaco-prego (Sapajus apella). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp De acordo com o biólogo e pesquisador associado ao Projeto Reconecta, Luan Goebel, ainda não há um número exato de indivíduos e grupos registrados. Segundo ele, como este foi o primeiro levantamento, a proposta é repetir o Censo e ampliar o esforço de campo para obter estimativas mais precisas sobre o tamanho e a distribuição das populações. O biólogo João Biagini, que não participou do Censo e foi ouvido pelo g1 como especialista independente, avalia que a presença das seis espécies dá relevância ambiental aos fragmentos monitorados. “A presença dessas seis espécies registradas demonstra que tais fragmentos possuem grande relevância ambiental, funcionando como refúgios onde ainda existem populações ativas vivendo, utilizando os recursos disponíveis e se reproduzindo”, disse. Quatro espécies ameaçadas Das seis espécies encontradas, quatro estão na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN): bugio-vermelho, macaco-aranha-da-cara-preta, mico-de-Schneider e zogue-zogue-de-Alta-Floresta. O zogue-zogue-de-Alta-Floresta está na categoria Criticamente em Perigo. Já o macaco-prego é classificado como Menos Preocupante. Durante o trabalho, os pesquisadores também observaram os animais se alimentando e registraram as plantas utilizadas como recurso. Segundo Luan, essas informações podem orientar ações para melhorar a qualidade dos fragmentos e ampliar a oferta de recursos para os primatas. Um dos animais que chama atenção pela dificuldade de observação é o macaco-da-noite, que possui hábitos noturnos. O biólogo e pesquisador Luan Goebel e a mestranda pela Unemat, Julia Ghion, observam fragmento florestal durante censo de primatas. Fernando Canton Drones ajudam a localizar animais Além da observação realizada nas trilhas, o censo contou com drones equipados com câmera térmica. A tecnologia foi utilizada para ampliar a capacidade de localização dos animais, principalmente em locais de difícil acesso ou com vegetação densa. Durante o levantamento, foram registrados com o auxílio do equipamento, indivíduos de macaco-prego, macaco-aranha e zogue-zogue-de-Alta-Floresta. “A câmera identifica o calor corporal dos animais, permitindo localizar indivíduos que poderiam passar despercebidos durante as buscas nas trilhas”, disse Luan. O biólogo afirmou ainda que o drone permite observar os animais a uma distância maior e registrar imagens e vídeos de comportamentos que poderiam não ser percebidos durante as buscas tradicionais. Assim, a tecnologia funciona como complemento ao trabalho realizado em campo. Para a bióloga e coordenadora do Projeto Reconecta, Fernanda Abra, a presença dessas espécies dentro do município deve ser valorizada como um patrimônio ambiental. Segundo ela, é possível encontrar espécies emblemáticas da Amazônia, como o zogue-zogue-de-Alta-Floresta, símbolo do município e criticamente ameaçado de extinção, e o macaco-aranha. “A presença desses animais deve ser vista, antes de tudo, como um patrimônio ambiental de Alta Floresta”, afirmou. Para a bióloga, a conservação exige planejamento urbano, educação ambiental e medidas que permitam a permanência segura da fauna nos fragmentos. Fragmentação e atropelamentos A presença dos animais nos fragmentos, no entanto, também evidencia a necessidade de manter essas áreas e permitir a circulação dos primatas entre elas. Luan aponta a perda, a redução e o isolamento dos fragmentos florestais como alguns dos principais riscos para os primatas. Essas mudanças diminuem o espaço disponível e dificultam o deslocamento dos animais. A falta de conexão entre as áreas pode fazer com que os animais precisem deixar as copas de árvores para chegar a outros fragmentos. “Sem a continuidade das copas das árvores, os macacos não conseguem atravessar para outras áreas sem descer ao solo, e é exatamente ali que mora o perigo de serem atropelados”, explicou o biólogo João. O atropelamento também é uma preocupação no município. Uma das estratégias adotadas é o Programa Alta Floresta Não Atropela, que utiliza pontes de dossel para permitir a passagem dos animais entre áreas de vegetação. Segundo Luan, as estruturas já registraram cerca de 15 mil travessias seguras e nenhum atropelamento nos trechos monitorados. Outra orientação é que os moradores não alimentem nem tentem interagir com os animais silvestres. A recomendação integra ações de educação ambiental desenvolvidas no município e busca preservar o comportamento natural da fauna. Fernanda destaca que os moradores também devem respeitar os limites de velocidade, principalmente nas áreas próximas aos fragmentos florestais. “A principal mudança no comportamento dos moradores seria respeitar os limites de velocidade, especialmente nas áreas próximas aos fragmentos florestais, e nunca alimentar ou tentar interagir com os animais silvestres”, disse. O levantamento A expectativa dos pesquisadores é que o levantamento seja realizado todos os anos. Um único censo permite obter um retrato das populações em determinado momento, enquanto a repetição do trabalho pode revelar mudanças ao longo do tempo. Para João, o acompanhamento contínuo pode revelar aspectos que não aparecem em um levantamento pontual. “Enquanto um levantamento único serve essencialmente para inventariar as espécies que habitam o local, um acompanhamento continuado revelaria indicadores cruciais como a taxa de sucesso reprodutivo, o índice de mortalidade e os motivos reais pelos quais os primatas estão morrendo”, afirmou. Fernanda também destaca que o monitoramento ao longo dos anos poderá mostrar mudanças na distribuição dos primatas pela cidade e ajudar a avaliar a efetividade das medidas de conservação. “Daqui a cinco ou dez anos, também será possível avaliar mudanças na distribuição dos primatas pela cidade, identificar áreas prioritárias para conservação e verificar se ações como as pontes de dossel, a recuperação de áreas verdes e a educação ambiental estão contribuindo para a permanência dessas espécies”, contou. Com o monitoramento contínuo, os pesquisadores esperam identificar mudanças na distribuição das espécies e ameaças à fauna ao longo dos anos. Os dados também poderão orientar novas ações de conservação e ajudar a entender como os fragmentos florestais de Alta Floresta podem continuar abrigando essas populações. Da esquerda para a direita: macaco-prego (Sapajus apella), bugio-vermelho (Alouatta puruensis) e mico-de-schneider (Mico schneideri). Ivã Schuster

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