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Bancos tornam crédito mais restritivo e registam menor procura no primeiro trimestre

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<p>De acordo com o Inquérito aos Bancos sobre o Mercado de Crédito, os critérios de concessão de empréstimos tornaram-se ligeiramente mais restritivos tanto para as empresas como para os particulares. No caso das empresas, entre os principais fatores apontados estão o nível de incumprimento, os riscos associados a empresas sem contabilidade organizada e as perspetivas para setores de atividade específicos.</p><p>Para os particulares, o endurecimento dos critérios esteve sobretudo relacionado com o nível de incumprimento e com a perceção dos bancos sobre os riscos associados à qualidade creditícia dos mutuários e consumidores.</p><p>Apesar do maior rigor na aprovação, os termos e condições aplicados aos novos empréstimos permaneceram praticamente inalterados. A estabilidade abrangeu, em particular, spreads, garantias, comissões e outras condições, tanto no crédito às empresas como no crédito aos particulares.</p><p>O relatório indica ainda que a proporção de pedidos de empréstimos rejeitados diminuiu ligeiramente tanto para empresas como para particulares.</p><p>Do lado da procura, os bancos reportaram uma ligeira redução da procura de financiamento por parte das empresas. Entre os fatores que contribuíram para esta evolução estão o recurso a outras fontes de financiamento, nomeadamente empréstimos de outras instituições bancárias, e uma menor necessidade de financiamento para investimento, existências e fundo de maneio.</p><p>Entre os particulares, a procura também diminuiu ligeiramente. Segundo os bancos inquiridos, a redução esteve associada sobretudo à menor necessidade de financiamento para despesas de consumo não relacionadas com habitação, incluindo bens duradouros, bem como à baixa confiança dos consumidores.</p><p>A evolução foi igualmente negativa na procura de crédito à habitação, ao consumo e de outros empréstimos. No crédito à habitação, os bancos apontaram, entre os fatores relevantes, a confiança dos consumidores e as despesas de consumo não relacionadas com habitação. No crédito ao consumo, a procura foi condicionada pelas despesas com bens duradouros, pela confiança dos consumidores e pelo nível geral das taxas de juro.</p><p>Para os próximos três meses, contudo, os bancos antecipam uma inversão moderada da tendência. As instituições inquiridas preveem um ligeiro aumento da procura de crédito tanto por parte das empresas como dos particulares.</p><p>Do lado da oferta, a perspetiva é mais diferenciada. Os bancos esperam que os critérios de aprovação para empresas se tornem ligeiramente mais restritivos, enquanto para particulares antecipam critérios ligeiramente menos restritivos.</p><p>No segmento empresarial, cinco dos seis bancos inquiridos preveem manter praticamente inalterados os critérios gerais de concessão de crédito, enquanto um antecipa um ligeiro endurecimento. Ao mesmo tempo, dois bancos esperam um ligeiro aumento da procura empresarial nos três meses seguintes.</p><p>Entre os particulares, as expectativas são mais favoráveis: quatro bancos preveem um ligeiro aumento da procura de crédito à habitação, quatro antecipam aumento da procura de crédito ao consumo e três esperam maior procura de outros empréstimos.</p><p>O inquérito do BCV é realizado trimestralmente junto de seis bancos do sistema nacional e procura avaliar, através da opinião das instituições, a evolução dos critérios, termos e condições da oferta de crédito, bem como da procura. Os resultados complementam a informação obtida mensalmente através dos balanços das instituições financeiras.</p>

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