Santa Casa é alvo de operação que investiga contratos e supostos desvios milionários
<img src="https://s2-g1.glbimg.com/67-QgowfaGBlPbmEOhR7edWNCk4=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/3/J/X1a98DTlqaX2qBxh1hyg/canva-2026-09-11t082505.681.png" /><br /> Operação mira desvios milionários na Santa Casa de Campo Grande Gabi Cenciarelli, g1 MS O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou, nesta sexta-feira (11), a Operação Antidotum para investigar suspeitas de fraudes e desvios de dinheiro em contratos ligados à Santa Casa de Campo Grande. Ao todo, são cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO). A operação é realizada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). A ação também conta com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados (CDA) da OAB/MS. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Agora no g1 Segundo o MPMS, a investigação começou a partir de suspeitas de irregularidades em um contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para a digitalização de prontuários médicos. O contrato previa o pagamento de R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, chegando a R$ 5,4 milhões. Ainda de acordo com o Ministério Público, somente no primeiro ano foram desviados cerca de R$ 1,4 milhão. Contratos com empresas do mesmo grupo Durante as investigações, o Gecoc também identificou suspeitas de irregularidades em contratos da Operadora Santa Casa Saúde, empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande. Segundo o MPMS, os contratos foram firmados com várias empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico. O proprietário dessas empresas teria ligação com integrantes da diretoria da Santa Casa. As empresas ainda estariam registradas no mesmo endereço. No entanto, conforme a investigação, o imóvel estava desocupado. Somente em 2025, a Operadora Santa Casa Saúde teria pago aproximadamente R$ 9,6 milhões a essas empresas. O Ministério Público estima que, desse total, pelo menos R$ 3,5 milhões tenham representado prejuízo à entidade. O MPMS afirma que o valor total do prejuízo causado à Santa Casa ainda está sendo calculado. Contratos teriam sido escondidos de órgãos de controle Batalhão de Choque dá apoio em operação contra desvios da Santa Casa de Campo Grande Gabi Cenciarelli/ Reprodução Ainda segundo a investigação, contratos, pagamentos e prestações de contas teriam sido sistematicamente omitidos de órgãos responsáveis pela fiscalização. Entre eles estão o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado. A apuração continua para identificar o valor total dos recursos que podem ter sido desviados e a participação de cada investigado. Operação ocorre em meio a crise na Santa Casa A operação ocorre poucos dias depois de a situação da Santa Casa de Campo Grande ganhar destaque devido à suspensão de cirurgias cardíacas pediátricas eletivas pelo hospital. Na terça-feira (8), foi divulgado que crianças que precisam desse tipo de procedimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso do Sul poderiam ter que viajar para outros estados para conseguir atendimento. A Santa Casa é referência no estado e, segundo o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed-MS), é a única unidade credenciada pelo SUS em Mato Grosso do Sul para realizar cirurgias cardíacas pediátricas de alta complexidade. A suspensão dos procedimentos eletivos ocorre desde 29 de julho. Além das cirurgias cardíacas pediátricas, atendimentos ambulatoriais também foram suspensos, segundo o sindicato. O presidente do Sinmed-MS, Marcelo Santana Silveira, afirmou que a situação preocupa porque a Santa Casa é o maior hospital de Mato Grosso do Sul e recebe pacientes de diferentes municípios. Segundo o sindicato, a suspensão estaria relacionada principalmente à falta de materiais necessários para os procedimentos e ao atraso no pagamento de mais de 100 médicos contratados como pessoa jurídica. O sindicato também afirmou que outras especialidades estariam avaliando deixar de atender na unidade, entre elas anestesiologia e ortopedia. Santa Casa diz que suspensão ocorreu por falta de equipe Na quinta-feira (10), a Santa Casa informou que comunicou oficialmente à Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), em 3 de setembro, a suspensão temporária das cirurgias cardíacas pediátricas congênitas eletivas. Segundo o hospital, a medida foi tomada por causa da falta de médicos especializados para realizar os procedimentos com segurança. A Santa Casa informou que dos dois cirurgiões cardíacos pediátricos que atuavam no serviço, um está afastado por um problema grave de saúde e a outra profissional pediu rescisão do contrato. O hospital afirmou que a especialidade é de alta complexidade e possui poucos profissionais disponíveis no mercado, o que dificulta a recomposição imediata da equipe. A instituição ressaltou que a assistência pediátrica continua funcionando. Os pacientes seguem sendo atendidos, acompanhados e submetidos aos exames necessários. Atualmente, quatro crianças aguardam procedimento cirúrgico, segundo a Santa Casa. O hospital também afirmou que a manutenção do atendimento pelo SUS depende do cumprimento das obrigações contratuais pelos órgãos públicos. De acordo com a instituição, embora pagamentos estejam sendo realizados, ainda existe um desequilíbrio financeiro no contrato, o que afeta a manutenção de equipes, medicamentos, insumos e materiais. Sobre o aporte de R$ 4 milhões anunciado publicamente, a Santa Casa afirmou que, até o momento, o dinheiro não foi recebido pela instituição. O que significa Antidotum O nome da operação vem do latim antidotum, que significa antídoto. A palavra é usada para definir uma substância capaz de neutralizar ou impedir a ação de algo nocivo. No sentido figurado, também pode representar uma medida ou solução adotada para combater um problema. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:
