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Brega funk domina jingles das campanhas para o governo de Pernambuco e divide meio artístico

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<img src="https://s2-g1.glbimg.com/U_x2Lsnr41tNXdlgCmi9nG1cPa8=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/A/Z/CItCJgSWqBx5tGqPZcNQ/brega-funk.jpg" /><br /> Professor Thiago Soares fala sobre uso do brega funk nas eleições em Pernambuco O brega funk é o ritmo musical mais utilizado nas eleições de 2026 em Pernambuco. Um levantamento feito pelo g1 mostra que o ritmo é responsável por quase metade de todos os jingles oficiais das campanhas dos candidatos ao governo do estado (veja vídeo acima). Forró e piseiro ficam em 2º lugar e apenas uma canção é um frevo. Até o momento, a corrida pelo comando do Palácio do Campo das Princesas já tem 15 jingles oficiais. Muito comuns na publicidade, são músicas que, geralmente, têm uma "letra-chiclete", para envolver o eleitorado e facilitar a memorização dos números de votação. A estratégia, amplamente utilizada nas corridas eleitorais, gera divisões e "rivalidades" entre políticos e artistas (saiba mais abaixo). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Dos oito candidatos ao governo de Pernambuco em 2026, três têm jingles. Ivan Moraes (PSOL), João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) foram os únicos candidatos que apresentaram suas músicas para a reportagem. Já Guilherme Fonseca (PSTU) e Victor Assis (PCO) afirmaram não possuir nenhum jingle de campanha. As campanhas de Professora Camila (UP) e Renan Hallais (Missão) afirmaram que os jingles estão em produção. Professor Jeremias do Banco (Democrata) não respondeu. A candidata à reeleição foi a que lançou o maior número de músicas, com sete canções. Ela é seguida de perto pelo ex-prefeito do Recife, com seis jingles. Ivan Moraes lançou duas músicas e, de acordo com sua assessoria, ainda deve lançar mais uma composição antes do 1º turno. Confira abaixo quantidade de jingles para o governo de Pernambuco em 2026 por gênero musical: Brega funk: 6 Forró/piseiro: 4 Swingueira/pagodão: 2 Axé: 1 Frevo: 1 Reggae: 1 Para o jornalista, pesquisador e professor da UFPE Thiago Soares, a música desempenha um papel muito importante nas eleições e o brega funk tem ressignificado esse papel, trazendo "leveza e humor" para as campanha eleitoral. "A música cria uma sinergia afetiva muito grande. A música do brega funk, além da conexão com a música, tem um elemento muito importante que é a leveza e o humor, seja porque ela é uma música coreográfica, seja porque é uma música com a timbragem mais cômica, muitas vezes. Isso gera uma leveza para o campo político. Me parece que acionar o brega funk cria uma espécie de arsenal estético de leveza e de humor para as campanhas", afirma. Estratégia musical Com sete músicas oficiais de campanha divulgadas numa plataforma de áudio, Raquel Lyra distribui os jingles entre forró, piseiro, swingueira e axé, dando destaque também para o brega funk. Apostando na imagem do coração, a candidata colocou a palavra na maior parte das canções, assim como o termo "mainha", que tem sido utilizado estrategicamente pela campanha. Em "Bora com Raquel", uma mistura de forró e piseiro, a letra da música fala em "Deixe mainha, que mainha sabe fazer" e que "Pernambuco faz meu coração bater". Com estilo mais emotivo, a canção "Coração trabalhador" também aposta no forró e no piseiro e utiliza a onomatopeia "tum tum tum" para simbolizar as batidas do coração. "Lembra quando te disseram que você não dava conta, mas a gente foi e acreditou", diz a primeira estrofe da música. A candidata ainda lançou dois jingles no ritmo brega funk, com artistas famosos da cena, como Dadá Boladão, MC Gordinho Bolado e a banda Amigas do Brega. Em "Chama ela", uma releitura da música de mesmo nome que fez sucesso no estado com MC Leozinho, em 2013. Já em "Pro Max", o brega funk é utilizado para memorizar o número da candidata e embalar os atos de rua. "Minha governadora em Pernambuco é Pro Max", diz o refrão em referência a um termo popular nas redes sociais que denomina as "evoluções" do iPhone. Principal adversário de Raquel Lyra, João Campos tem mais da metade de suas músicas dentro do universo do brega funk. São quatro canções, com destaque para parcerias com o artista Anderson Neiff, que já participou de campanhas anteriores do candidato nas disputas pela prefeitura do Recife e do desafio do "nevou" em 2024, quando o ex-prefeito descoloriu o cabelo. Outros artistas do brega, como MC Shevchenko, Lekinho Campos e Os Tralhas também apoiam o candidato. Além de apostar no nome do ex-prefeito, as músicas destacam o apoio do presidente Lula (PT) e remoraram os ex-governadores Eduardo Campos e Miguel Arraes, respectivamente pai e bisavó de Campos, como no forró "João Campos 2026". Em "É João", a música aposta numa relação de amizade com o político. "Eu tenho um amigo, considero como irmão, quando eu vi ele de longe e eu disse: 'é João'", canta o refrão. Em "Hit do 40", a proximidade com o candidato também é reforçada nos versos "João é o meu, é o seu, é o nosso", no ritmo do brega funk. A canção destaca que "toda família" vota no político. A música também alfineta a governadora Raquel Lyra: "O hospital caindo teto com João Campos não vai ter", diz a canção, em referência aos casos de desabamentos registrados em unidades de saúde da rede estadual. João Campos dedica ainda dois jingles para uma mistura entre piseiro e forró. Em "V de vitória", a música fala que "o menino cresceu e o povo abraçou, aprendeu com Eduardo quando foi governador", além de destacar que "não fica no muro, não é do mais ou menos", outra indireta para a atual governadora, que não declarou voto para presidente da República. Candidato a governador pelo PSOL, Ivan Moraes já lançou dois jingles oficiais de campanha. Na setlist do ex-vereador do Recife, está o único frevo, que é a música principal da campanha. "Diferente dos iguais" fala que Pernambuco é "revolução" e cita que "o povo tem o poder" e ressalta que o candidato é diferente de João Campos e Raquel Lyra, de famílias tradicionais na política. De acordo com a assessoria da campanha, participaram da gravação da música os artistas André Rio, Mayra Clara, Mad Chaves, Cecília Meira, Cezar Maia, Bruno Lins e Carla Rio. Já em "Pra ir além", a campanha do PSOL aposta no reggae. A canção defende o uso medicinal da maconha, que cita logo na primeira estrofe: "Eu fui na rua para brisar e descansar e relaxar minha cabeça e de repente acendeu uma vontade de votar em Ivan Moraes. Usar a planta pra trazer o emprego e renda para que a coisa aconteça", diz em menção à regulamentação da maconha. Brega funk vira trilha de campanhas políticas nas eleições em Pernambuco Arte/g1 Jingles e rivalidade no brega Peça fundamental nas campanhas eleitorais mais competitivas, o jingle faz parte da história política do estado. De músicas clássicas como "Arrasta aí", das campanhas de Miguel Arraes nos anos 80 e 90, ao "É Jarbas, Marco Maciel e Sérgio Guerra", da reeleição do ex-governador Jarbas Vasconcelos (MDB) em 2002, muitos dos hits ficaram na cabeça dos pernambucanos. Para o professor Thiago Soares, apesar de ainda importantes, os jingles estão mais parecidos e foram secundarizados nas campanhas. "Hoje ele teria um papel um pouco mais secundário, do ponto de vista dessa construção, quer dizer, me parece que, quando a gente tem todas as campanhas apostando numa estética muito próxima, isso anula um pouco", analisa. Nesse cenário de maior semelhança entre os gêneros musicais nas campanhas, o brega funk mostra ascensão e entra na polarização da equilibrada disputa pelo governo de Pernambuco em 2026. Artistas importantes do ritmo se dividem entre os dois líderes das pesquisas. Recentemente, Anderson Neiff protagonizou uma "treta" pública com Dadá Boladão após declarar que seria "comédia" quem votasse em Raquel Lyra. Em vídeo nas redes sociais, Boladão rebateu e sinalizou apoio à governadora, dizendo que ele não representava todo o movimento do brega funk. Na avaliação do professor Thiago Soares, a ligação de João Campos com a cena do brega desde as campanhas para prefeito da capital abriu espaço para uma rivalidade política dentro da música. "Isso criou também uma certa tensão, uma certa politização dentro do próprio movimento. [...] O que a gente está vendo agora, essa cisão do Dadá Boladão, criando ali uma crítica em relação a Neiff, as mulheres do brega apoiando, ou criando uma certa frente aliada a Raquel Lyra, apontando esses elementos, é uma trajetória de tensões que foram aparecendo e que justamente colocam um pouco o brega dentro desse campo da política", diz. O pesquisador lembra que o gênero do brega sempre teve disputas internas, com as diferenças entre o brega romântico e com o brega funk, e que o gênero conseguiu, nos últimos anos, encontrar um caminho de "institucionalização", a partir da criação de leis. Entre elas, a que reconheceu o brega como expressão cultural do Pernambuco (2017), a que tornou o ritmo patrimônio imaterial do Recife (2021) e, mais recentemente, a instituição do Dia Nacional do Brega, em 2025. Além disso, há um "ecossistema do brega", que vai além de cantores e compositores e encontra influenciadores e páginas de redes sociais com milhões de seguidores. "O brega é formado por um ecossistema midiático muito grande, com páginas nas redes sociais, tipo o Recife Ordinário, Brega Bregoso, e envolve um arsenal de influenciadores, envolve páginas de fofoca, como o Amarelinho, que são páginas muito grandes. E me parece que a gente está olhando muito para os cantores, que são obviamente as figuras mais importantes da cena brega. Mas eu acho que a gente está deixando de ver justamente os influenciadores. Me parece que, nessa reta final da campanha, a gente vai ter aí uma tentativa de aproximação muito grande", afirma. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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