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Fogo/Acidente: Genoveva consola o neto no hospital mas esconde a notícia de que irmã morreu

newsdepo.com · health

<p>A irmã, de 15 anos, morreu no acidente e a família esconde essa informação do menino de 11 anos.</p><p>"Os psicólogos vão dizer", afirmou a avó, explicando que ainda não tiveram coragem de lhe contar.</p><p>Genoveva chegou ao Hospital Regional São Francisco de Assis, na ilha do Fogo às 07:00 para saber do neto, que, segundo os médicos, está estável.</p><p>“Foi operado, partiu um dos pés, tem pontos de sutura no rosto, mas está bem", relatou à Lusa Genoveva Barros, 72 anos.</p><p>"Chego no meu neto e dou consolo, digo ‘vovó está cá para quando precisares’", contou, acrescentando que o rapaz lhe pediu um sumo ou um iogurte, mas o médico disse que ainda não podia.</p><p>"Ainda não disseram quando ele vai poder ir para casa. Ele está com oxigénio. Sinto-me triste, nem consigo dormir, tenho dor por todas as vítimas que morreram", afirmou, apontando que conhecia muitos dos mortos, vários da sua zona.</p><p>Às portas do hospital, familiares das vítimas dividem o luto e o amparo mútuo após a tragédia com um autocarro, chegando logo pela manhã em busca de notícias sobre o estado dos parentes que sobreviveram ao acidente.</p><p>No corredor de acesso às urgências, familiares aguardam notícias, enquanto outros chegam, cumprimentam-se, abraçam-se e trocam palavras de conforto.</p><p>Agostinho Correia, 55 anos, viajou da cidade da Praia para a ilha segunda-feira para acompanhar o sobrinho de 12 anos, internado após sofrer ferimentos numa perna, na coxa e na cabeça.</p><p>"O médico disse que está estável, que está fora de perigo", contou Agostinho, que ainda não conseguiu vê-lo.</p><p>"Dentre os 25 que morreram, muitos são primos, sobrinhos, colegas de escola do meu sobrinho", acrescentou.</p><p>Também Rosa Andrade, 69 anos, chegou ao hospital para saber da sobrinha de 10 anos, ferida nas pernas, e ainda não conseguiu vê-la.</p><p>A tragédia trouxe-lhe à memória a erupção vulcânica do Fogo de 2014, que destruiu localidades em Chã das Caldeiras e obrigou centenas de pessoas a deixar as suas casas.</p><p>Nas salas de internamento, crianças recuperam dos ferimentos, algumas deitadas e com curativos, enquanto médicos e enfermeiros acompanham a sua evolução. Apesar das dores, estão acordadas e algumas reagem à presença de quem passa: uma delas chegou a acenar aos jornalistas.</p><p>O ministro da Saúde e porta-voz do Gabinete de Crise, Lúcio Miranda Fernandes, corrigiu, em declarações à Lusa, para 38 o número de pessoas acidentadas, menos uma do que inicialmente indicado, explicando que uma grávida foi contabilizada entre os feridos, mas posteriormente, revelou que ela não estava envolvida no acidente.</p><p>O acidente causou 25 mortos e 13 feridos, dois dos quais foram transferidos para a cidade da Praia, um deles num estado clínico de maior gravidade, e um já teve alta.</p><p>Ainda hoje está prevista a transferência de mais uma criança para a capital do país, para uma cirurgia na perna, permanecendo apenas nove no hospital da ilha do Fogo, todos estáveis e alguns terão alta nas próximas horas, mas podem não voltar para casa.</p><p>Uma das preocupações das autoridades é evitar que os sobreviventes regressem imediatamente às suas casas quando ainda não estiverem preparados.</p><p>O hospital disponibilizou um espaço onde alguns poderão permanecer durante alguns dias com os familiares, recebendo cuidados médicos e apoio psicológico.</p><p>"Sabemos que neste momento há muitas pessoas que vão querer visitar essas crianças. Vão querer fazer perguntas que talvez elas ainda não estejam preparadas para responder", explicou.</p><p>Mais de 20 técnicos, entre psicólogos e técnicos sociais, foram mobilizados da Praia e acompanham, desde o primeiro dia, sobreviventes, familiares e pessoas que regressaram a casa depois de perderem entes queridos.</p><p>As equipas têm identificado sobretudo ansiedade, depressão e medo, e o acompanhamento deverá prolongar-se nos próximos meses, sobretudo com o regresso às aulas.</p><p>"Temos escolas que perderam 13 estudantes", disse Lúcio Miranda Fernandes, adiantando que o Ministério da Saúde vai trabalhar com o Ministério da Educação num plano para acompanhar o regresso às aulas dos alunos afetados, incluindo a preparação dos professores para identificar sinais de eventuais perturbações psicológicas.</p>

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