Presidente da Sérvia dissolve parlamento e antecipa eleições
<p>"Convoco eleições legislativas para 25 de Outubro", anunciou Vucic numa declaração na presidência em Belgrado, citado pela agência francesa AFP.</p><p>Vucic, que vai renunciar ao cargo para ser candidato a primeiro-ministro, disse que o decreto entrará em vigor assim que for publicado no Diário Oficial.</p><p>O chefe de Estado afirmou que as eleições são necessárias devido às contínuas tensões e divisões no país dos Balcãs.</p><p>"Tivemos (...) enormes turbulências. (…) Precisamos de resultados eleitorais que mostrem claramente a vontade do povo e a direção para onde a Sérvia se está a dirigir", afirmou, também citado pela agência norte-americana AP.</p><p>Vucic, cujo mandato terminaria em 2027, já tinha anunciado em junho que se iria demitir para concorrer a primeiro-ministro pelo conservador Partido Progressista da Sérvia (SNS).</p><p>A Constituição exige que Vucic se demita do cargo de Presidente para se candidatar a primeiro-ministro, o que deverá fazer em breve, altura em que será substituído interinamente pela presidente do parlamento, Ana Brnabic.</p><p>As eleições de outubro, que estavam previstas para 2027, vão realizar-se num clima de acrescida tensão política, numa altura em que os populistas no poder tentam manter-se no Governo, apesar do descontentamento popular generalizado.</p><p>Os protestos começaram após a tragédia na estação de comboios, em 01 de Novembro de 2024, que causou 16 mortos no norte da Sérvia.</p><p>Os manifestantes exigiram que fossem encontrados os responsáveis pelo desabamento da pala de betão na cidade de Novi Sad e o fim da corrupção, que atribuíram como a causa de trabalhos de remodelação de fraca qualidade.</p><p>As manifestações de protesto quase diárias, que por vezes reuniram centenas de milhares de pessoas, abalaram Vucic como em nenhum outro momento desde que chegou ao poder, em 2012.</p><p>O primeiro-ministro, Duro Macut, solicitou na segunda-feira a dissolução do parlamento de 250 deputados, no meio de tensões provocadas pelos protestos, mas também por condenações internacionais à homenagem a Ratko Mladic.</p><p>O antigo comandante sérvio-bósnio morreu em 27 de agosto, quando cumpria pena de prisão perpétua numa prisão em Haia, nos Países Baixos, após ter sido condenado por crimes de guerra e contra a humanidade.</p><p>Milhares de pessoas, incluindo vários ministros, assistiram ao funeral de Mladic na segunda-feira, o que suscitou críticas de vários países, incluindo Portugal, e da União Europeia (UE), com a qual Belgrado tem em curso negociações de adesão.</p><p>Mladic, antigo chefe militar das forças sérvio-bósnias, foi capturado em 2011 na Sérvia, após 16 anos em fuga.</p><p>Em 2017, foi condenado a prisão perpétua pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade durante a Guerra da Bósnia, que fez quase 100.000 mortos.</p><p>Entre os seus crimes, figuram o massacre de cerca de 8.000 homens e rapazes bósnios, cometido em julho de 1995 na região de Srebrenica (leste).</p><p>O massacre de Srebrenica foi o primeiro genocídio reconhecido na Europa depois da Segunda Guerra Mundial (1936-1945).</p><p>Vucic disse acreditar que a Sérvia "escolheu o caminho europeu correto, enquanto preserva as amizades tradicionais, o orgulho nacional e a dignidade".</p><p>"Cidadãos da Sérvia, terão a oportunidade de escolher entre muitas opções. Escolham o vosso futuro. Peço que o façam de forma pacífica e digna", disse ainda Vucic, de acordo com a agência espanhola EP.</p><p>"Aquele que escolherem receberá as minhas felicitações, porque considero que preservar o nosso sistema democrático, as nossas famílias sem divisão e a nossa sociedade é uma prioridade para o nosso país", acrescentou, antes de assinar os dois decretos.</p><p>Foto:<a href="https://depositphotos.com/photos/s%C3%A9rvia.html?filter=all&qview=668357218"> depositphotos</a></p>
