De ‘Golfo da América’ a ‘Estreito de Trump’: relembre as ofensivas do presidente dos EUA para rebatizar lugares e se auto-homenagear
<img src="https://s2-g1.glbimg.com/BCBNX725C_waegm3HJ5ZMAbpR_g=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/d/K/AZGE6KRSSWDABgK8YCNg/2026-09-02t181020z-2101691279-rc26bnagxs5e-rtrmadp-3-usa-trump.jpg" /><br /> Governo Trump rebatizou locais em homenagem ao presidente e em movimentos de disputa geopolítica Montagm/g1 Desde que voltou à Casa Branca, Donald Trump transformou a mudança de nomes de lugares, prédios e instituições em uma marca de seu segundo mandato. Em menos de dois anos, o presidente dos Estados Unidos determinou novas denominações, apoiou homenagens a si próprio e propôs rebatizar locais históricos como gesto político em meio a disputas com outros países. Algumas mudanças saíram do papel; outras esbarraram em disputas judiciais, limites legais ou na resistência de governos estrangeiros. Na mais recente ofensiva, Trump propôs trocar o nome do estado do Novo México para 'Nova América'. Relembre abaixo as principais propostas de mudança e auto-homenagens até o momento. 'Golfo da América' Em janeiro de 2025, Donald Trump assinou uma ordem executiva para que os Estados Unidos passassem a chamar o Golfo do México de “Golfo da América”, alegando razões de justiça e afirmando que o novo nome seria mais "bonito". A mudança teve efeito principalmente dentro dos EUA, sem obrigar outros países a adotá-la. Google e Apple passaram a exibir a nova denominação em seus aplicativos para usuários norte-americanos. Na época, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, contestou a decisão e afirmou que um único país não pode determinar internacionalmente o nome da região. Em tom provocativo, ela sugeriu, ainda, que os Estados Unidos fossem rebatizados de "América Mexicana". Trump testa democracia dos EUA com auto-homenagens ao pôr seu nome em instituições 'Trump-Kennedy Center' Em dezembro de 2025, o presidente Donald Trump propôs acrescentar o próprio nome ao Kennedy Center, histórico centro de artes cênicas de Washington criado em homenagem ao ex-presidente John F. Kennedy. LEIA TAMBÉM: Trump faz combo de auto-homenagens e põe próprio nome em centro cultural e até navio; analista vê situação inédita para oposição nos EUA A iniciativa provocou questionamentos de congressistas, historiadores e integrantes da família Kennedy. O nome de Trump chegou a ser retirado do edifício após uma decisão judicial, mas voltou à fachada depois de uma nova decisão. A nova inscrição, aprovada em agosto de 2026 pelo conselho do Kennedy Center, traz os dizeres: “Centro John F. Kennedy para as Artes Cênicas, restaurado e reformado pelo presidente Donald J. Trump”. Fachada do Kennedy Center, com nome de Donald Trump inserido no início do letreiro original 'Centro Memorial John F. Kennedy de Artes Cênicas' em 19 de dezembro de 2025. REUTERS/Kevin Lamarque 'Instituto de Paz Donald J. Trump' Em dezembro de 2025, o nome de Donald Trump também foi acrescentado ao Instituto da Paz dos Estados Unidos. Sediada em Washington, a instituição é independente, apartidária, sem fins lucrativos e financiada pelo Congresso americano, com a missão de atuar na prevenção e resolução de conflitos violentos no exterior. A mudança ocorreu na véspera da assinatura de um acordo de paz entre Ruanda e República Democrática do Congo, com a presença de Trump. Ao comentar a decisão, a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou que o instituto havia sido renomeado em homenagem ao presidente e disse que o novo nome serviria como um “poderoso lembrete” do que, segundo ela, uma liderança forte pode fazer pela estabilidade global. Placa com nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é fixada na frente do nome do Instituto da Paz dos EUA em Washington D.C. em 3 de dezembro de 2025. Divulgação/Departamento de Estado dos EUA 'Aeroporto Internacional Donald J. T' Em julho de 2026, o aeroporto internacional de Palm Beach, na Flórida, foi rebatizado de Aeroporto Internacional Donald J. T, em mais uma homenagem ao presidente dos EUA. A mudança foi justificada pelos fortes laços do presidente com a região. Trump é presença frequente no aeroporto porque seu luxuoso resort Mar-a-Lago fica localizado a poucos quilômetros de distância. Placa de boas-vindas no Aeroporto Internacional de Palm Beach, que foi renomeado como "Aeroporto Internacional Presidente Donald J. Trump", em West Palm Beach, na Flórida, EUA, em 9 de julho de 2026. Marco Bello/Reuters ´Lago América' Em agosto de 2026, durante a uma crise diplomática e tarifária com o Canadá, o presidente dos Estados Unidos assinou uma ordem executiva estabelecendo que o Lago Ontário passe a se chamar "Lago América". Novamente, o Google e a Apple acataram a mudança de nome em seus mapas para os estadunidenses. ‘Nova América’ ➡️O Lago Ontário está entre os dois países e integra o conjunto dos cinco Grandes Lagos da América do Norte. A decisão de Trump não obriga o Canadá a mudar o nome do lago. Autoridades canadenses rejeitaram rapidamente a ideia. “É Lago Ontário para os canadenses e para o resto do mundo. Agora e para sempre”, escreveu o primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, nas redes sociais na sexta-feira. Google Maps altera nome do Lago ontário Para Lago América Reprodução/Google Maps 'Estreito de Trump' Em setembro de 2026, Trump sugeriu renomear o Estreito de Ormuz como “Estreito de Trump”, em meio à retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã e às disputas pelo controle da passagem. “Agora que o temos sob controle dos EUA, deveríamos mudar o nome do Estreito de Ormuz para ESTREITO DE TRUMP???”, escreveu o presidente em sua rede social, a Truth Social. A sugestão veio semanas depois de Trump afirmar que pretendia declarar o Estreito de Ormuz território dos Estados Unidos. O governo iraniano reagiu dizendo que a passagem está sob sua autoridade. Dias depois, Trump também compartilhou uma montagem que apresentava Ormuz como “novo território dos EUA”. Imagem compartilhada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 18 de agosto de 2026, mostra Estreito de Ormuz como 'novo território dos EUA. Reprodução/Casa Branca no X ‘Nova América’ Também em setembro de 2026, Trump defendeu a mudança do nome do estado do Novo México para “Nova América”. Durante o feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos, no dia 7, o presidente publicou memes nas redes sociais em apoio à ideia, em meio ao aumento das tensões nas negociações comerciais com o México. Apesar das manifestações de Trump, o governo federal dos Estados Unidos não tem autoridade para alterar o nome de um estado. O Novo México é governado pela democrata Michelle Lujan Grisham, que ocupa o cargo desde janeiro de 2019 e foi reeleita em 2022. Initial plugin text O presidente dos EUA, Donald Trump, em entrevista no Salão Oval da Casa Branca, em 2 de setembro de 2026. Evelyn Hockstein/ Reuters
