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Obras feitas por I.A: veja como Salão Internacional de Humor identificou desrespeito a edital e desclassificou 38 trabalhos

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<img src="https://s2-g1.glbimg.com/OJ1qOl4Yxb5MkWzsl5m44O3p0kE=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/q/w/Ty3MqVRluUH613FxybJQ/adilson-1-.png" /><br /> Salão Internacional do Humor é aberto para visitação gratuita em Piracicaba O 53º Salão Internacional de Humor de Piracicaba, uma das mostras mais longevas do mundo no gênero, desclassificou 38 obras das mais de 2 mil inscrições, após a comissão julgadora constatar o uso de ferramentas de inteligência artificial (I.A) na produção dos trabalhos, o que era proibido pelo edital do concurso. Caricaturas e charges lideraram o ranking de inscrições que desrespeitaram as regras da competição. Entenda, na reportagem, como o júri identificou os trabalhos gerados por I.A. Uma triagem prévia, que incluiu o rastreamento de códigos digitais, varredura visual de detalhes e investigação do histórico de artistas para barrar obras geradas por algoritmos, revelou a presença de artes geradas por softwares antes mesmo do início oficial das avaliações. Salão de Humor alcança meio século sem temer a I.A: ‘nunca substituirá senso crítico’ A intenção, segundo a comissão, era garantir a lisura do processo seletivo e a valorização do trabalho autoral dos artistas. A presidente do 53º Salão Internacional de Humor de Piracicaba, Synnöve Hilkner, ressalta que a presença de um especialista em mídias sociais e inteligência artificial no corpo de jurados permitiu interceptar os arquivos irregulares antecipadamente, resguardando o trabalho dos artistas que produzem obras autênticas. Como identificar padrões não-humanos nas artes gráficas? Com 25 anos de experiência, o especialista em imagem, videografista e desenvolvedor de personagens 3D, Adilson Ferreira, foi o mentor do grupo no processo de identificação dos trabalhos que burlaram o edital e usaram I.A. Os softwares de I.A generativas deixam assinaturas e rastros digitais nas imagens, permitindo identificar padrões não-humanos, ressalta o especialista. Estratégias utilizadas na triagem O processo de verificação conduziu a desclassificação das obras suspeitas se apoiou em três pilares fundamentais desenvolvidos por Adilson Ferreira: Auditoria de código-fonte Análise comportamental visual da imagem Investigação do histórico público do participante Junior Kadesh, diretor do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, e Adilson Ferreira, durante trabalho de seleção Adilson Ferreira/Arquivo pessoal 🔣Rastreio de códigos: a principal e mais precisa etapa da triagem foi a verificação do código dos arquivos por meio de softwares especializados em computação gráfica. Esses programas rastreiam metadados e denunciam o uso de ferramentas algorítmicas diretamente na estrutura do arquivo digital. Das 38 obras desclassificadas, cerca de 25 foram identificadas diretamente nesta fase. "O rastreio fica no próprio código. Eu utilizei alguns recursos de software, inclusive da própria Adobe mesmo, que apontam o uso de Firefly, GPT, Gemini. Essa é a primeira triagem. No código é o que dá mais certeza, porque ele acusa até mesmo o próprio software e informa o que foi utilizado", detalha. 🖼️Análise visual de incongruências no segundo plano: Quando o código não entrega imediatamente o uso de IA, a segunda etapa consiste na observação minuciosa de falhas visuais. "Enquanto as ferramentas de IA evoluíram na renderização do elemento principal (primeiro plano), elas costumam apresentar distorções e incoerências nos elementos de composição do plano de fundo. A segunda triagem que eu utilizo é a observação", pontua. "A I.A entrega o que está no segundo plano, muito mais do que o conteúdo do primeiro plano. No primeiro, fica bonitinho. Ela peca no segundo plano. É no fundo de uma imagem que se consegue identificar algumas falhas, aberrações, algumas incoerências. É nisso que eu consigo visualizar e identificar que também é uma I.A", comenta. Salão Internacional do Humor é aberto para visitação gratuita em Piracicaba 🧑‍🎨Investigação comportamental e histórico do artista:Em casos de dúvida persistente, o especialista realizou uma verificação no perfil público do inscrito. A ausência de histórico artístico, com páginas estritamente fechadas para divulgação ou um salto discrepante na qualidade técnica, sem evolução gradual no portfólio, serviram como marcadores comportamentais de suspeita. "Geralmente os artistas têm perfil aberto. É meio estranho o candidato ser um artista e ter um perfil completamente fechado, sendo que ele deve precisar divulgar o trabalho. Nesse perfil aberto, buscamos pelo histórico da evolução dele. De repente, se você olha e não tem nada, ou o que se vê é um trabalho de nível inferior e dá um salto muito grande, já é indício que pode levar a certeza de que houve uso de I.A", detalhou. Participe do canal do g1 Piracicaba no Whatsapp 📲 Aumento de artes originais físicas Em paralelo ao combate às fraudes digitais, a organização celebrou o aumento expressivo de artes físicas originais enviadas nesta edição. Foram selecionadas 21 obras originais feitas em técnicas tradicionais como aquarela e pintura manual — um salto significativo em relação a edições anteriores, onde apenas uma arte original chegou a ser registrada. Futuro das fiscalizações Para fortalecer a transparência nos próximos anos, o jurado Adilson Ferreira sugeriu à organização a adoção de uma etapa de comprovação do processo criativo, exigindo o envio de cerca de dez imagens do making of e etapas de construção da obra, prática já consolidada em premiações como o Cria do Senac. Adilson alertou que as barreiras de detecção tendem a ficar mais complexas com a integração de IAs atuando diretamente no sistema operacional e em softwares profissionais, executando tarefas ao lado do usuário humano. "A pessoa pode trabalhar um pouco, a IA pode trabalhar um pouco. Vai ficar cada vez mais difícil de entender se isso vai ser um trabalho de IA ou não. Hoje, é possível captar porque ainda há limitações. Com o tempo, pode se tornar impossível. Espero que eu consiga ainda achar e vasculhar isso para não ter o problema de injustiça com os artistas", concluiu. Synnöve Hilkner, presidente da 53ª edição do Salão Internacional de Humor de Piracicaba Claudia Assencio/g1 Seleção A mostra escolheu, entre 2.445 inscrições. O Salão reconhece os melhores trabalhos nas tradicionais categorias cartum, charge, caricatura, tiras/HQ, escultura, saúde e, na edição temática de 2026, que propunha o desafio da Inteligência Artificial (IA) e Inteligência Humana (IH) – O Duelo do Século: Algoritmo vs. Alma. O Salão Internacional de Humor de Piracicaba (SP) é um dos maiores eventos de artes gráficas do mundo. Na edição deste ano, reúne 385 obras de artistas de 44 países. Veja programação e cronograma completo de exposições paralelas aqui. Cerimônia de premiação do 53º Salão Internacional de Humor de Piracicaba Prefeitura de Piracicaba/ Reprodução 'I.A veio para ficar, não tem saída', diz presidente A presidente desta edição do Salão afirma que não há mais como ignorar a presença a inteligência artificial. “A I.A veio para ficar, não tem saída. Ela está tomando muitos empregos, não só na parte das artes, mas em vários lugares e ela também gera um grande problema ambiental, que é o custo energético, o custo em água, para gerar as imagens e todo o processo da IA", comentou. "Mas, dentro da nossa possibilidade, vamos trabalhar com a IA dentro da realidade dos artistas, então teve essa categoria temática da I.A, que mostra as preocupações de como ela está envolvendo a vida das pessoas. Por outro lado, ela colabora com muitos processos de criação, ela está colaborando com muitas realidades, em diferentes áreas, em que ela está tendo efeitos muito positivos", ponderou. Luiz Carlos Fernandes, que já expôs obras e foi premiado em edições anteriores, e é um dos jurados do Salão Internacional de Humor de Piracicaba Reprodução/EPTV 'Desenho é assinatura', define jurado Para Luiz Carlos Fernandes, que já expôs obras e foi premiado em edições anteriores e é um dos jurados de seleção neste ano, o nível de qualidade evento realizado em Piracicaba (SP) é alto. “Eu vejo muito a assinatura do artista. Não digo o nome, mas o desenho é uma assinatura. Eu vejo muito o estilo da pessoa, o que é diferente. Eu acho legal quando tem uma novidade e que ninguém fez. Quando o artista vem com uma proposta, o trabalho dá um salto”, afirmou Fernandes. Leia mais Salão de Humor: 40 anos após edição criticada por machismo, cartunista premiada ainda vê barreiras para mulheres no setor Salão Internacional de Piracicaba muda nome de exposição para desassociar 'TPM' do humor gráfico feminino; cartunistas comentam VÍDEO: Tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Piracicaba

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