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Acidente: Familiares das vítimas viajam para o Fogo mas não a tempo dos funerais

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<p>"São sete [familiares] que já foram sepultados e nós não conseguimos estar com eles nesse momento de tamanha dor", disse Tatiana à Lusa no aeroporto da Praia, horas antes de embarcar para o Fogo.</p><p>Tatiana tentou viajar para a ilha nos dois voos de domingo, mas não conseguiu e acabou por esperar até hoje pela confirmação da viagem.</p><p>Chegou ao aeroporto da Praia às 06:00, depois de deixar os contactos para ser incluída entre os familiares que pretendiam deslocar-se ao Fogo.</p><p>"Se tivéssemos tido mais transporte, poderíamos ter ido ontem [domingo] de manhã para o funeral", afirmou.</p><p>Tatiana, com 31 anos, perdeu um tio, primos e sobrinhos no acidente e soube da tragédia na manhã de sábado, quando o pai, que está nos Estados Unidos, lhe telefonou para dizer que havia familiares entre os feridos.</p><p>"Era mais um passeio, como sempre", contou, recordando que o motorista organizava todos os anos uma saída com os estudantes que transportava durante o ano letivo, como forma de convívio no final do período escolar.</p><p>"Eram jovens com ambição, outros estavam a terminar a escola", disse.</p><p>Entre os familiares que aguardavam hoje no aeroporto estava também Luis Lopes, 25 anos, residente na Praia, que perdeu cinco familiares no acidente e tem ainda dois hospitalizados.</p><p>"Quando eu chegar já não encontro funeral. Tudo aconteceu ontem [domingo]", disse à Lusa, explicando que quer chegar ao Fogo para acompanhar a mãe, que ficou sozinha, e estar junto da restante família.</p><p>Luis contou que deixou o contacto no domingo e esperou pela confirmação da viagem, que ainda não chegou, depois de o Governo ter anunciado que iria assegurar o transporte dos familiares das vítimas.</p><p>"Eram praticamente meus irmãos, pessoas incríveis", afirmou, lembrando que tinha estado no Fogo no ano passado, mas já não via alguns dos familiares há algum tempo.</p><p>Também Aldina Correia, 70 anos, residente na Praia há 47 anos, perdeu dois sobrinhos e não ia ao Fogo há quatro anos, mas decidiu viajar mesmo depois de os familiares terem sido sepultados.</p><p>"Já foram enterrados, mas vou mesmo assim", disse à Lusa, contando que conseguiu confirmar hoje a viagem e que pretende juntar-se à família na ilha.</p><p>"Isso nunca tinha acontecido na nossa terra", lamentou.</p><p>José Moeda, 66 anos, soube do acidente através das redes sociais e chegou à Praia, vindo dos Estados Unidos, para seguir também para o Fogo, onde perdeu familiares e amigos.</p><p>"Sinto-me muito triste, perda de familiares, de amigos. Não temos nada a fazer. Os funerais já foram feitos. Vou visitar os familiares", disse.</p><p>Os 25 mortos do acidente foram sepultados no domingo, na ilha do Fogo.</p><p>Sete funerais realizaram-se durante a madrugada e os restantes 18 começaram ao final da manhã.</p><p>O acidente ocorreu no sábado, quando um autocarro que transportava estudantes saiu da estrada na zona de Campanas de Cima, no município de São Filipe, e caiu por uma encosta com cerca de 30 metros.</p><p>As vítimas integravam um grupo que participava num passeio anual organizado pelo motorista do autocarro, segundo o delegado da Educação no Fogo, José Pedro Gonçalves.</p><p>O acidente provocou ainda vários feridos,&nbsp;<a href="https://expressodasilhas.cv/pais/2026/09/07/fogoacidente-treze-pessoas-continuam-internadas/104486" target="_blank">alguns dos quais continuam internados</a> no Hospital Regional São Francisco de Assis, em São Filipe.</p><p>Perante a dificuldade de vários familiares em deslocarem-se à ilha para os funerais, o Governo cabo-verdiano anunciou que asseguraria as viagens dos familiares diretos das vítimas entre a Praia, na ilha de Santiago, onde se situa a capital do país, e o Fogo.</p><p>A companhia aérea<a href="https://expressodasilhas.cv/economia/2026/09/07/cvsky-realiza-voo-extra-santiago-fogo-para-facilitar-a-mobilidade-de-familiares-das-vitimas-do-acidente/104489" target="_blank"> CVsky anunciou na noite de domingo um voo extra</a> entre Santiago e o Fogo para facilitar a deslocação de familiares, equipas de apoio e autoridades após o acidente.</p><p>O Governo cabo-verdiano decretou dois dias de luto.</p>

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