Pais que expulsaram adolescente após revelar orientação sexual precisam apagar posts discriminatórios, além de pagar indenização
<img src="https://s2-g1.glbimg.com/jERwnaeDCTruZQuF7eMwchxrA68=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/E/Y/zUYiiIRGykFVZU8v1dTA/sophie-emeny-g8-rshvaycy-unsplash.jpg" /><br /> Pais são condenados a pagar R$ 100 mil ao filho após adolescente revelar orientação sexual Os pais que expulsaram o próprio filho adolescente de casa após ele revelar a orientação sexual foram condenados pela Justiça a apagarem postagens discriminatórias que fizeram contra ele nas redes sociais. O caso aconteceu em Jaguaruna, no Sul de Santa Catarina, e eles também precisam pagar uma indenização de R$ 100 mil ao jovem. Relatórios da rede de proteção indicaram que a gravidade das agressões verbais e do tom das postagens impediu que o adolescente fosse acolhido por familiares mais distantes. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp O caso foi divulgado na quinta-feira (3) pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Não foram revelados mais detalhes sobre o adolescente, como a idade, porque o processo está em segredo. Logo após expor a orientação sexual, conforme o MP, o jovem foi expulso do ambiente familiar, passou a sofrer ameaças e teve a intimidade exposta nas redes sociais pelos próprios pais. Pais podem pagar multa diária de R$ 2 mil se descumprirem decisão Durante a tramitação da ação, o MPSC obteve uma medida liminar (temporária) que proibiu o pai de realizar novas postagens discriminatórias ou de expor a rotina e o acolhimento do filho, sob pena de multa diária de R$ 2 mil. A ordem de remoção dos conteúdos e a proibição de novas publicações foram confirmadas na sentença, a decisão em primeiro grau. A ação foi movida pelo MPSC com base na constatação de abandono afetivo e de sucessivas violações de direitos. Adolescente foi encaminhado para abrigo Diante do cenário de risco, o Conselho Tutelar interveio após o adolescente ser expulso e o jovem foi encaminhado para um abrigo para garantir a proteção física e psicológica dele. Durante o processo, o adolescente passou por uma perícia psicológica, que constatou que o jovem enfrentou um contexto prolongado de negligência, violência psicológica e rejeição. A conduta dos pais, de acordo com o laudo técnico, provocou sérios impactos emocionais no adolescente, como sentimentos de abandono e intensa insegurança afetiva. Segundo o promotor de Justiça Tito Gabriel Cosato Barreiro, da 1ª Promotoria de Justiça de Jaguaruna, a condenação decorre do descumprimento dos deveres legais de cuidado, proteção e acolhimento previstos na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). "Esta decisão reafirma que crianças e adolescentes têm o direito de crescer em um ambiente livre de violência psicológica, discriminação e abandono, independentemente de orientação sexual, gênero, identidade de gênero e de tudo que se refira à sua própria construção enquanto pessoa autônoma”, declarou. Bandeira LGBT - LGBTQIA+ Sophie Emeny/Unsplash
