20 hits em 20 anos: dancinha levou 'Lovezinho' ao topo e sucesso causou disputa por direitos autorais
<img src="https://s2-g1.glbimg.com/ocamTQKIR2ECQYgSB3dQLzgZJ1Q=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/z/D/Nwwj6sQB6rZFzYBObctQ/fotos-g1-1920-x-1080-px-2026-09-03t230642.571.png" /><br /> Treta internacional de direitos definiram a história de ‘Lovezinho’ Em 2023, era praticamente impossível abrir as redes sociais sem se deparar com o influenciador carioca Xurrasco reproduzindo passos sincronizados diante da câmera. O vídeo tomou conta do TikTok e do Instagram, transformando "Lovezinho", faixa gravada pela cantora Treyce, no grande fenômeno popular daquele início de ano e na trilha sonora absoluta dos blocos de Carnaval. Esta matéria faz parte da série "20 hits em 20 anos", que está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do "20 hits em 20 anos" para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop aqui! À primeira vista, a canção seguia uma cartilha bastante conhecida e eficiente da cultura do funk brasileiro. De clássicos bem-humorados como "Morto Muito Louco" aos lançamentos recentes de Pedro Sampaio, o gênero sempre soube trabalhar fórmulas diretas. A letra trazia uma narrativa descompromissada sobre um encontro regado a maconha, culminando em um refrão grudento que prometia carinho em sequência. O verdadeiro motor do sucesso, porém, estava em uma cadência sonora bastante familiar ao público. Treyce recorreu ao recurso da interpolação, prática que consiste em regravar versos ou melodias preexistentes de outra composição. O refrão reproduzia diretamente as notas de "Say It Right", faixa lançada em 2009 por Nelly Furtado em parceria com Timbaland, dona de mais de um bilhão de visualizações no YouTube. Apesar do alcance viral no Brasil, a reprodução sem autorização prévia gerou um impasse internacional. A gravadora Sony, administradora dos direitos da canção original, chegou a negociar termos e divisões com os representantes de Treyce. Como as partes não alcançaram um consenso, a faixa brasileira acabou sendo sumariamente derrubada das plataformas digitais de áudio e vídeo. O episódio expôs uma engrenagem comum no cenário do funk, onde artistas como MC Pedrinho, MC Davi e MC Ryan SP já declararam inspirações melódicas em outros sucessos. A própria Treyce já havia usado a estratégia ao reaproveitar o arranjo de "Nothing on You", de Bruno Mars, para compor "Me Chama de Amor". Treyce, autora de 'Lovezinho' Reprodução/Instagram O procedimento é diferente das tradicionais versões do forró, a exemplo de "Faço Chover", do Calcinha Preta, ou "Não Quero Mais", da banda Limão com Mel, que operam como releituras formais e declaradas de hits do exterior. Depois de cruzar fronteiras com a polêmica, o fôlego da faixa caiu. Enquanto Xurrasco passou a atuar como atleta no futebol amador, Treyce não encontrou o mesmo êxito em seus lançamentos seguintes. A artista até apostou novamente no método ao lançar "Favela", que buscava suporte na melodia de "Umbrella", de Rihanna, mas sem uma nova dancinha em massa, a repercussão não se repetiu.
