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Jornada maior, renda menor: quase 2 milhões trabalham por aplicativos no Brasil, mostra IBGE

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<img src="https://s2-g1.glbimg.com/Q9J6jiQmFa3oYRuwVzuCbWEgyB8=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/s/H/mkkQYQT7aSNX9IDlG8EA/edicao-imagens-g1-2026-06-12t191142.920.jpg" /><br /> Entregador por app faz desabafo após ser ofendido por cliente Quase 2 milhões de pessoas trabalhavam por meio de plataformas digitais de serviços no Brasil em 2025, segundo dados da PNAD Contínua divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A maior parte desse contingente tinha os aplicativos como principais fontes de trabalho. Eram 1,805 milhão de pessoas, ou 92,1% do total. Outras 182 mil utilizavam plataformas no trabalho secundário, enquanto 28 mil trabalhavam por aplicativos tanto na atividade principal quanto na secundária. O número representa 1,9% da população ocupada, estimada em 102,4 milhões de pessoas em 2025. O levantamento mostra que o trabalho mediado pela internet vai muito além de simplesmente conectar trabalhadores e clientes. Os aplicativos podem influenciar quanto o trabalhador recebe, quais clientes atende, os prazos para realizar tarefas e até sua jornada. Ao mesmo tempo, a pesquisa revela que uma parcela significativa desses trabalhadores depende fortemente de uma única plataforma. Arte/g1 Transporte de passageiros concentra a maior parte Entre os diferentes tipos de aplicativos considerados pela pesquisa, os de transporte particular de passageiros — como Uber e 99 — reuniam a maior parcela dos trabalhadores: 58,9%, ou cerca de 1,2 milhão de pessoas. Em seguida aparecem os aplicativos de entrega, utilizados por 29,9% dos trabalhadores plataformizados. O grupo inclui tanto entregadores quanto pessoas que exploram o próprio negócio e usam essas plataformas para captar clientes e realizar vendas. A pesquisa também considerou aplicativos de serviços gerais ou profissionais, que podem intermediar desde faxinas, cuidados de pessoas, reformas e pequenos reparos até trabalhos de tradução, redação, programação, design, serviços jurídicos e consultas on-line. A categoria inclui ainda determinados tipos de microtarefas realizadas pela internet. 🔎 A pesquisa não considera qualquer ferramenta digital como plataforma de trabalho. No comércio eletrônico, por exemplo, Instagram, WhatsApp, Facebook e o Marketplace do Facebook não entram nessa classificação. Trabalho por aplicativo cresceu 36,8% em três anos Considerando apenas o trabalho principal, o número de pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais passou de 1,319 milhão em 2022 para 1,805 milhão em 2025, um crescimento de 36,8%. Entre 2024 e 2025, a alta foi de 9,1%. Mesmo com o avanço, os trabalhadores plataformizados ainda representavam uma parcela pequena do mercado de trabalho privado: 2% dos ocupados nesse grupo em 2025. O crescimento foi particularmente forte entre os trabalhadores de aplicativos de serviços gerais ou profissionais, cujo número aumentou 55,4% desde 2022, passando de 193 mil para cerca de 300 mil pessoas. Entre os trabalhadores de aplicativos de transporte de passageiros, o crescimento desde 2022 foi de 37,8%. Já os aplicativos de entrega tiveram expansão de 19,3% no período. gráfico ibge Quem está trabalhando pelos aplicativos? O trabalhador plataformizado é majoritariamente homem: 84,4% eram homens; e 15,6% eram mulheres. Entre os demais trabalhadores do setor privado, as mulheres representavam 41,8%. A faixa etária de 25 a 39 anos concentrava 47% dos trabalhadores de plataformas. Também chama atenção a posição que eles ocupavam no mercado de trabalho: 86,8% trabalhavam por conta própria, enquanto apenas 4,5% eram empregados com carteira assinada. A escolaridade também apresenta uma característica própria. Os trabalhadores plataformizados se concentravam principalmente nos níveis intermediários de instrução. Apenas 8,3% não tinham instrução ou tinham o ensino fundamental incompleto, ante 20,3% entre os não plataformizados. Ganham o mesmo, mas trabalham mais O rendimento médio mensal dos trabalhadores que utilizavam plataformas digitais de serviços foi de R$ 3.147 em 2025, praticamente igual ao dos trabalhadores não plataformizados, de R$ 3.148. A diferença aparece na quantidade de horas trabalhadas. Quem trabalhava por aplicativos cumpria, em média, 44,7 horas por semana, contra 39,3 horas dos demais trabalhadores do setor privado. Quando o rendimento é calculado por hora trabalhada, também há piora: os plataformizados recebiam, em média, R$ 16,20 por hora, contra R$ 18,40 entre os não plataformizados. Assim, o rendimento por hora dos trabalhadores de aplicativos era 12% menor. A diferença também aparece na evolução dos últimos anos. Entre 2022 e 2025, o rendimento dos trabalhadores por aplicativo variou apenas 1%, enquanto o dos demais trabalhadores cresceu 10,6%. Quase 40% dependem de uma única plataforma Em 2025, o IBGE investigou pela primeira vez não apenas se o trabalhador utilizava aplicativos, mas também com que frequência e quantas plataformas usava. O objetivo era entender melhor o grau de dependência dessas ferramentas para conseguir clientes e realizar o trabalho. Entre os 1,8 milhão de trabalhadores que utilizavam plataformas no trabalho principal, 62,7%, ou 1,1 milhão de pessoas, trabalhavam exclusivamente por meio delas. Outros 21,6% trabalhavam majoritariamente por plataformas, enquanto 15,7% realizavam seus serviços principalmente por outros meios. A maioria também utilizava apenas um aplicativo: 62,5% trabalhavam com uma única plataforma, 30% usavam duas e 7,5% utilizavam três ou mais. Quando os dois fatores são combinados — frequência de uso e quantidade de aplicativos — aparece um grupo especialmente dependente: 38,8%, ou 701 mil trabalhadores, trabalhavam exclusivamente por plataformas e utilizavam apenas um aplicativo. No outro extremo, apenas 13,6%, ou 247 mil pessoas, trabalhavam por plataformas e também por outros meios, utilizando dois ou mais aplicativos. 🔎 Esse resultado é importante porque depender de uma única plataforma significa ter menos alternativas caso haja mudanças nas regras de funcionamento do aplicativo ou até um bloqueio da conta. O próprio IBGE aponta que essa combinação de alta frequência de uso e pouca diversificação deixa uma parcela dos trabalhadores mais sujeita às decisões das empresas que controlam essas plataformas. grafico ibge Aplicativo pode definir quanto o trabalhador recebe Apesar de a maioria dos trabalhadores plataformizados trabalhar por conta própria, a pesquisa identificou diferentes formas de controle exercidas pelas plataformas. Entre os motoristas de aplicativos de transporte particular de passageiros, 80,2% disseram que a plataforma determinava totalmente o valor que receberiam por cada tarefa ou trabalho. Entre os entregadores, a proporção era de 78,3%. Entre os taxistas que utilizavam aplicativos, chegava a 73,5%. A plataforma também podia determinar quem seria atendido. Isso ocorria totalmente para 70,8% dos entregadores e para 60,8% dos motoristas de aplicativos de transporte particular de passageiros. A forma de recebimento do pagamento também era determinada totalmente pela plataforma para 71,3% dos entregadores e 60,6% dos motoristas de aplicativos de transporte particular. Os aplicativos de serviços gerais ou profissionais apresentavam níveis de dependência menores. Ainda assim, os dados mostram que, para uma parcela importante dos trabalhadores, a plataforma não funciona apenas como um espaço para encontrar clientes, ela também interfere em diferentes aspectos da execução do trabalho. Flexibilidade existe, mas jornada é maior A flexibilidade foi o principal motivo apontado pelos trabalhadores para atuar por meio de plataformas. No trabalho principal, 26,8% deram essa resposta. Mas quase a mesma proporção, 24,6%, afirmou que não conseguiu encontrar outro trabalho. Outros 20,8% disseram que o rendimento era maior do que em outras opções disponíveis, enquanto 16,6% afirmaram que utilizavam as plataformas para complementar a renda. No trabalho secundário, a situação é diferente: 87,7% disseram que utilizavam as plataformas para complementar a renda. Motoristas de app ganham mais, mas recebem menos por hora Os motoristas de aplicativo representam uma parcela importante desse mercado. Em 2025, havia 1,974 milhão de condutores de automóveis no trabalho principal. Desses, 905 mil, ou 45,9%, trabalhavam por meio de aplicativos. O rendimento médio mensal dos motoristas plataformizados era de R$ 2.873, contra R$ 2.805 entre os demais motoristas — diferença de apenas 2,4%. Mas a jornada era maior: 45,9 horas semanais, contra 40,4 horas entre os não plataformizados. Com isso, o rendimento por hora era menor entre os motoristas de aplicativo: R$ 14,40, contra R$ 16 entre os demais. A proteção previdenciária também era menor. Apenas 25,5% dos motoristas de aplicativo contribuíam para um instituto de Previdência, contra 59,2% entre os que não trabalhavam por plataformas. Trabalho de motociclistas por apps quase dobrou desde 2022 Entre os 1,179 milhão de condutores de motocicletas no trabalho principal em 2025, 405 mil, ou 34,4%, trabalhavam por meio de aplicativos. Esse grupo cresceu 91,9% desde 2022, enquanto o total de motociclistas aumentou 22,6%. Nesse caso, o rendimento mensal dos plataformizados era maior: R$ 2.221, contra R$ 1.802 entre os não plataformizados. O rendimento por hora também era superior: R$ 11,40, contra R$ 10,10. Mas apenas 19,4% dos motociclistas que trabalhavam por aplicativos contribuíam para a Previdência, contra 37,1% dos não plataformizados. Plataformas de comércio eletrônico têm outro perfil A PNAD também investigou, separadamente, o uso de plataformas de comércio eletrônico por pessoas que exploravam o próprio negócio em atividades de comércio. Em 2025, havia aproximadamente 5 milhões de pessoas nessa situação. Desse total, 210 mil utilizavam plataformas de comércio eletrônico para obter clientes e vender produtos, o equivalente a 4,2%. O perfil desse grupo é diferente do observado entre os trabalhadores de aplicativos de serviços. Entre os que utilizavam plataformas de comércio eletrônico, 58,1% eram mulheres. O grupo também tinha maior concentração de pessoas mais jovens e com maior escolaridade. A diferença aparece ainda na formalização: 64,6% dos comerciantes que utilizavam plataformas eram formais, enquanto entre os que não utilizavam essas ferramentas a informalidade alcançava 56,1%. O rendimento também era maior. Os comerciantes que utilizavam plataformas recebiam, em média, 44,4% mais do que os que não utilizavam. O rendimento por hora era 38,4% superior. Quase um terço desses comerciantes vendia exclusivamente por meio de plataformas de comércio eletrônico. Agentes do IBGE Reprodução

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