Genes dos morcegos podem ajudar a combater o câncer?
<img src="https://s2-g1.glbimg.com/ulYE42I2UdbMb62QjSGNrOLO0oQ=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/d/y/NDiGRtQ46Tce1jFO4EKA/adobestock-448280777.jpeg" /><br /> morcego Rauno Kalda/Adobestock Um grupo de cientistas revelou que os morcegos possuem raÃzes genéticas comuns que estão simultaneamente ligadas à imunidade, resistência a vÃrus, prevenção do câncer e envelhecimento. Em suas descobertas, publicadas na revista cientÃfica Nature, os pesquisadores sugerem que esses mamÃferos alados longevos podem ajudar a medicina a encontrar alternativas para combater o câncer. Em geral, uma regra prática na biologia dos mamÃferos é: quanto maior o animal, mais tempo ele vive. No entanto, isso não parece se aplicar aos morcegos. Um exemplo disso é o morcego-marrom-pequeno (Myotis lucifugus), que tem aproximadamente o tamanho de um rato-do-campo, mas pode viver até 34 anos, uma diferença substancial em comparação com pequenos roedores, que vivem apenas alguns meses. "Parece que cada mamÃfero tem sua própria estratégia de longevidade e imunidade, determinada por sua história evolutiva", afirma o autor principal do estudo, Juan Vázquez, em nota da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Agora no g1 Chaves genéticas para a resistência a vÃrus "Doenças que afligem os humanos – perda muscular relacionada à idade, distúrbios metabólicos, câncer, envelhecimento – são todas condições à s quais os morcegos se adaptaram ao longo de sua evolução. Estudar diferentes animais pode servir de inspiração e levar a avanços decisivos para a saúde humana", afirma Vázquez. Depois dos roedores, os morcegos são o segundo maior grupo de mamÃferos da Terra. O gênero Myotis, com mais de 139 espécies que habitam seis continentes e descendem de um ancestral comum de 33 milhões de anos atrás, tem expectativa de vida que varia de sete a 42 anos. Para entender esse fenômeno, os autores analisaram os genomas de oito espécies e realizaram estudos celulares em laboratório. Eles descobriram que esses animais aperfeiçoaram sua capacidade de combater vÃrus de DNA, como a varÃola e o herpes, enquanto desenvolviam um sistema de defesa mais flexÃvel para se protegerem de vÃrus de RNA que sofrem mutações rápidas, como o da gripe. "Os diferentes tipos de alterações genéticas podem proporcionar uma vantagem na resposta aos desafios impostos por diferentes tipos de vÃrus", afirma a coautora Elise Lauterbur, professora de biologia evolutiva da Universidade de Vermont. Intersecção entre imunidade, envelhecimento e câncer A ciência geralmente aborda longevidade, imunidade e resistência ao câncer como questões separadas. No entanto, os autores do estudo recente observaram que os morcegos possuem um conjunto de genes envolvidos no envelhecimento que se sobrepõem diretamente à queles que evoluÃram para combater vÃrus e inibir tumores. "Descobrimos que existe uma pressão evolutiva significativa para o desenvolvimento de adaptações em genes que se encontram na intersecção entre doenças, câncer e longevidade", declarou Vázquez. Isso "significa que não é necessário tratar todos esses desafios biológicos como problemas separados. A atenção pode ser focada nos genes que se encontram na intersecção desses processos", acrescenta. Substituição celular: estratégia para deter tumores O estudo também visa explicar como os morcegos sobrevivem ao câncer. "Existem três maneiras principais de deter o câncer: ele pode ser prevenido; o DNA danificado que pode levar a mutações pode ser reparado; ou tudo o que está danificado pode simplesmente ser eliminado", aponta Vázquez. Morcegos longevos parecem favorecer a terceira opção. Em vez de reparar o dano, as células afetadas são eliminadas e substituÃdas por novas, o que restringe as mutações cancerÃgenas. Esse mecanismo também é observado em outros animais longevos, como elefantes, ratos-toupeira-pelados e baleias-da-groenlândia. Uma nova abordagem para a medicina humana Em declarações coletadas pela agência de notÃcias espanhola Europa Press, Vázquez propõe que esses animais seriam capazes de "nos ajudar a encontrar maneiras de combater tumores para que nosso sistema imunológico não enfraqueça, o que também poderia nos ajudar a lidar com outros estresses da vida sem esgotar nossas defesas". Além disso, o fato de esses animais alados viverem tanto tempo e conseguirem coexistir com vÃrus sem adoecer ajuda a explicar por que esses mesmos patógenos, ao infectarem humanos, causaram doenças zoonóticas graves nos últimos anos, como o coronavÃrus Sars-Cov-2. Autor: José Urrejola
