Debate no g1: candidatos ao Senado por MT discutem tarifaço, segurança pública, emendas parlamentares e infraestrutura
O debate promovido pelo g1 nesta quinta-feira (3) entre candidatos ao Senado por Mato Grosso foi marcado por discussões sobre segurança pública, saúde, infraestrutura, comércio exterior, emendas parlamentares e a relação entre os Poderes, além de troca de acusações entre os candidatos. Participaram do encontro Fávaro (PSD), Galvan (Avante), Pedro Taques (PSB) e Zé Medeiros (PL). Os candidatos Mauro Mendes (União Brasil), Janaina Riva (MDB) e Margareth Buzetti (PP) não compareceram. O debate foi transmitido ao vivo pelo site e pelos perfis do g1 no YouTube, Tiktok e Instagram (veja, mais abaixo, vídeos de cada tema). Foram convidados os candidatos de partidos e federações com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso, ou que alcançaram ao menos 5% de intenções de voto na última pesquisa Quaest. Seis temas foram previamente definidos e comunicados às campanhas antes do debate. A ordem dos assuntos foi sorteada antes do início do encontro, bem como a posição das cadeiras durante o encontro e a ordem das considerações finais. Os participantes tiveram 15 minutos de tempo de fala para administrar ao longo da discussão, com intervenções de até 1 minuto e 30 segundos por vez. Ao final, todos tiveram direito a um minuto para as considerações finais. Confira o que falaram os candidatos sobre os temas estabelecidos: Primeiro tema: relações entre poderes No primeiro tema, os candidatos ao Senado por Mato Grosso discutiram a relação entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Antes de apresentarem suas propostas, os participantes cumprimentaram os eleitores e destacaram a importância do diálogo e do respeito entre as instituições. Segundo tema: comércio exterior No segundo tema, os candidatos ao Senado por Mato Grosso discutiram propostas para ampliar o comércio exterior, fortalecer as exportações do estado e garantir novos mercados para os produtos brasileiros. Também foram abordadas questões como soberania nacional, valorização do setor agropecuário e o tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Taques defendeu a ampliação das exportações de Mato Grosso para diferentes mercados e afirmou que o país deve adotar uma postura de soberania nas relações comerciais. Ele destacou a necessidade de defender a produção nacional e os interesses dos produtores e afirmou que o Brasil deve buscar compradores para seus produtos independentemente do país. Galvan destacou a importância do comércio exterior para a economia brasileira e defendeu a valorização dos produtores rurais. Segundo ele, o setor agropecuário é responsável por garantir a segurança alimentar e está diretamente ligado à capacidade do Brasil de exportar. Ele também criticou o governo federal por, em sua avaliação, não valorizar quem trabalha diretamente no campo. Fávaro afirmou que o Brasil tem buscado ampliar as oportunidades comerciais e diversificar os mercados para os produtos nacionais. Ele destacou que o país não depende de clientes preferenciais e citou o tarifaço dos Estados Unidos como exemplo da importância de manter relações comerciais com diferentes países. Segundo Fávaro, a existência de outros compradores permitiu ao Brasil manter as exportações, gerando renda para o país. Medeiros defendeu que o Brasil, por seu tamanho e capacidade produtiva, precisa negociar com diferentes países. Ele criticou o governo federal e afirmou que a atual condução das relações internacionais colocou o país em conflitos comerciais. Ele também responsabilizou o governo pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e afirmou ter propostas para ampliar o comércio exterior e contribuir para o crescimento da economia brasileira. Na réplica, Taques voltou a defender a reciprocidade nas relações comerciais e afirmou que o Brasil não deve assumir uma posição de dependência em relação aos Estados Unidos. Ele também criticou quem apoia o tarifaço e reforçou a necessidade de proteger os interesses brasileiros nas negociações internacionais. Fávaro respondeu destacando ações do governo federal para ampliar as oportunidades comerciais para o Brasil. Ele afirmou que a competitividade dos produtos brasileiros permite ao país enfrentar tentativas de restrição ao comércio e defendeu que o respeito à soberania nacional contribui para a abertura de novos mercados. Terceiro tema: SUS No terceiro tema, os candidatos ao Senado por Mato Grosso discutiram os desafios do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo investimentos, atendimento nos municípios, filas e fiscalização dos recursos públicos. Antônio Galvan destacou a importância de discutir a saúde pública não apenas durante o período eleitoral. Ele afirmou que dezenas de prefeituras de Mato Grosso não receberam vans destinadas ao transporte de pacientes e defendeu maior atenção às demandas dos municípios. Pedro Taques afirmou que, além da rede pública, é necessário fortalecer os hospitais filantrópicos que também prestam atendimento à população. Ele criticou a demora no atendimento pelo SUS e disse defender tanto o sistema quanto os servidores da saúde. Taques também afirmou que, apesar de todos os candidatos defenderem o SUS, é necessário combater a corrupção e prometeu fiscalizar a aplicação dos recursos destinados à área. Segundo ele, cerca de R$ 1 bilhão teria sido desviado da saúde em Mato Grosso. José Medeiros declarou apoio ao SUS, mas criticou o funcionamento do sistema e as filas enfrentadas pelos pacientes. Ele afirmou que não faltaram recursos para a saúde em Mato Grosso durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e disse que havia verbas disponíveis nos municípios do estado. Medeiros também afirmou que as emendas parlamentares não possuem percentual de retorno para os parlamentares. Carlos Fávaro concordou com a necessidade de ampliar os investimentos em saúde e afirmou que o governo federal tem destinado recursos para Mato Grosso. Ele citou investimentos na construção e estruturação de uma maternidade em Sorriso e na construção de outra unidade em Várzea Grande. Apesar dos investimentos, Fávaro reconheceu que ainda há demandas a serem atendidas na saúde pública do estado. Quarto tema: segurança pública No quarto tema, os candidatos ao Senado por Mato Grosso discutiram propostas para combater a criminalidade, o avanço das facções criminosas e os feminicídios no estado. Também foram abordados investimentos em segurança pública, integração entre as forças policiais, endurecimento de penas e uso de tecnologia no combate ao crime. Pedro Taques afirmou que Mato Grosso enfrenta um cenário de violência e apontou a atuação de facções criminosas no estado. Ele comparou os índices de violência de Mato Grosso aos do Rio de Janeiro e citou o número de feminicídios registrados no estado. Também mencionou o aumento dos homicídios e defendeu a criação de um piso mínimo de investimentos em segurança pública. Taques criticou ainda a retirada de R$ 500 milhões da área para investimentos no Parque Novo Mato Grosso. Sobre a pena de morte, afirmou que a medida é inconstitucional no Brasil. José Medeiros relembrou o período do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que, naquele momento, o combate ao crime organizado ocorreu de forma mais ampla, com grandes apreensões de drogas e ações contra as facções criminosas. Ele defendeu uma atuação mais rígida contra essas organizações e afirmou ter um projeto para ampliar a classificação e o tratamento dado às facções criminosas. Antônio Galvan criticou o governo atual na área de segurança pública e relembrou propostas apresentadas durante o governo Bolsonaro. Ele defendeu a adoção da castração química como medida relacionada ao combate à criminalidade e propôs o uso de inteligência artificial para auxiliar as forças de segurança. Galvan citou Campo Verde como exemplo de município com redução da criminalidade e afirmou que sua prioridade seria ampliar a segurança dos cidadãos. Carlos Fávaro afirmou que, diante da organização das facções criminosas, o Estado também precisa aprimorar sua estrutura de combate ao crime. Ele citou a atuação na PEC 18, que prevê mudanças para permitir maior integração da Polícia Rodoviária Federal com as demais forças policiais no combate às organizações criminosas. Fávaro também pediu atenção dos eleitores a propostas que classificou como mirabolantes e destacou projetos de lei voltados ao endurecimento da progressão de pena para condenados por crimes contra mulheres e à dificuldade de saída do sistema prisional. Quinto tema: infraestrutura e logística No quinto tema, os candidatos ao Senado por Mato Grosso discutiram investimentos em rodovias e ferrovias, concessões, pedágios e obras de infraestrutura para melhorar o transporte e o escoamento da produção do estado. Carlos Fávaro destacou os investimentos na duplicação da BR-163 e afirmou que as obras contribuíram para superar o histórico de acidentes na rodovia, conhecida como Rodovia da Morte. Ele também defendeu a continuidade dos investimentos em infraestrutura para garantir melhores condições de deslocamento à população. Fávaro criticou a gestão anterior e afirmou que, sem a contratação de financiamentos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), não teria sido possível avançar nas obras. Segundo ele, o percentual de rodovias classificadas como boas no estado passou de 40% para 80%. José Medeiros criticou Fávaro e afirmou que, caso as obras dependessem do governo atual, levariam décadas para serem concluídas. Ele defendeu a retirada do Partido dos Trabalhadores do governo federal e acusou a legenda de tratar Mato Grosso apenas como fonte de recursos, principalmente por meio da produção agropecuária. Medeiros também afirmou que o Brasil precisa reduzir entraves para permitir maior crescimento econômico. Pedro Taques defendeu a chegada da ferrovia a Cuiabá e citou projetos como a Ferrogrão, além da atuação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO). Ele afirmou, no entanto, que, além da ampliação das ferrovias, as rodovias também precisam receber investimentos. Taques criticou os valores cobrados nos pedágios e prometeu fiscalizar as concessões rodoviárias. Ele também apontou suspeitas de corrupção envolvendo obras e contratos no setor. Antônio Galvan questionou o uso de recursos do BNDES para justificar investimentos em infraestrutura e afirmou que o dinheiro do banco não pertence aos governos, mas é destinado ao financiamento de projetos. Ele disse ter identificado poucas obras realizadas com esses recursos e citou a BR-158. Galvan também criticou os valores cobrados nos pedágios de Mato Grosso e afirmou que a população acaba arcando com custos elevados. Ele defendeu as rodovias como essenciais para o deslocamento das pessoas e para o escoamento da produção e questionou a falta de avanços em projetos de ferrovias e hidrovias. Para ele, os valores cobrados nos pedágios do estado são excessivos. Sexto tema: emenda parlamentares No sexto tema, os candidatos ao Senado por Mato Grosso discutiram o uso das emendas parlamentares, a transparência na aplicação dos recursos e os critérios para distribuição das verbas aos municípios. O debate também abordou a fiscalização das emendas e a possibilidade de mudanças no modelo atual. Carlos Fávaro defendeu as emendas parlamentares como instrumento para reduzir desigualdades entre os municípios. Ele afirmou que, durante sua atuação política, destinou cerca de R$ 4 bilhões para Mato Grosso com o objetivo de diminuir essas diferenças. Fávaro também se posicionou contra qualquer tipo de emenda secreta e defendeu transparência na aplicação dos recursos. Pedro Taques defendeu que a definição do destino das emendas tenha participação da população. Ele afirmou que, durante sua atuação política, promovia reuniões com representantes da sociedade, prefeitos e integrantes da segurança pública para identificar as principais necessidades de cada região. Taques disse que priorizava municípios com menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) e afirmou que, caso eleito, pretende fiscalizar a aplicação das emendas parlamentares. Ele também citou as chamadas emendas Pix e defendeu maior controle sobre o destino dos recursos. Antônio Galvan criticou o modelo atual de distribuição das emendas e afirmou que prefeitos e vereadores acabam dependendo de parlamentares para conseguir recursos para os municípios. Ele classificou essa relação como uma forma de dependência política e mencionou a existência de um suposto pedágio para a liberação das verbas. Segundo Galvan, gestores que não aceitam essas condições podem ser acusados de não querer recursos para a cidade. Ele defendeu que os municípios recebam repasses maiores e afirmou que existem outras formas de fazer o dinheiro chegar às prefeituras sem depender das emendas parlamentares. José Medeiros afirmou ter orgulho de já ter destinado recursos aos 141 municípios de Mato Grosso e disse adotar um sistema de rodízio para distribuir as emendas. Ele negou a existência de emendas secretas em sua atuação e afirmou dar transparência aos recursos destinados. Medeiros também disse já ter encaminhado denúncias ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre possíveis casos de mau uso e corrupção envolvendo emendas parlamentares. O candidato defendeu a manutenção das emendas e afirmou que alguns municípios, principalmente os mais pobres, não têm outras fontes de recursos e dependem dessas verbas para realizar investimentos e atender demandas da população. Tema livre No tema livre, os candidatos ao Senado por Mato Grosso abordaram educação, economia, geração de empregos e fizeram críticas aos adversários e ao governo atual. O candidato Pedro Taques também fez acusações relacionadas ao ex-governador Mauro Mendes, que não participou do debate. Pedro Taques iniciou o tema afirmando que gostaria que Mauro Mendes estivesse presente no debate. Ele fez uma acusação envolvendo um depósito da empresa Oi para a Minerbras e afirmou que pretendia apresentar informações que, segundo ele, indicariam que parte dos recursos teria chegado a uma empresa ligada ao filho de Mendes. Antônio Galvan afirmou ter percorrido os 141 municípios de Mato Grosso e disse ter encontrado pessoas perdendo empregos. Ele criticou o governo atual e afirmou que empresas brasileiras estão fechando as portas. Na área da educação, defendeu o modelo de escolas cívico-militares e afirmou que a educação também deve ser responsabilidade dos pais e das mães. Galvan criticou ainda as universidades federais e fez acusações sobre o consumo de álcool e drogas nessas instituições. Carlos Fávaro destacou a importância da educação e defendeu o papel das universidades federais. Ele afirmou ter trabalhado pela expansão dos institutos federais em Mato Grosso e citou o programa Pé-de-Meia como uma política de incentivo à permanência dos estudantes na escola. Para Fávaro, a educação é capaz de transformar a realidade da população. José Medeiros afirmou que considera o processo eleitoral sagrado e criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele também fez críticas ao governo atual.
