Cientista brasileira vence concurso internacional com imagem de bactéria de cárie dentária: ‘Para sempre na minha memória’
<img src="https://s2-g1.glbimg.com/tU7lML3-CLJzKMt1UOgexQYFPdU=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/i/Q/09RoPtQLCLdeVJ1gNQVw/capa-agenda-g1-2026-09-01t213510.410.jpg" /><br /> Maria Clara Müller ao lado de Richard Henderson, vencedor do Nobel de Química de 2017. Reprodução/WhatsApp A pesquisadora pernambucana Maria Clara Müller virou destaque mundial ao vencer o concurso de imagens científicas captadas por microscópio do Congresso Internacional de Microscopia, em Liverpool, na Inglaterra. Doutora em química pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ela ganhou o prêmio com a foto de uma bactéria de uma cárie de dente. O anúncio da premiação foi feito no domingo (30), durante a programação da Assembleia de Jovens Cientistas, um dos eventos paralelos do congresso. A premiação foi entregue por Richard Hendersen, um dos vencedores do Nobel de Química 2017, responsáveis pela criação de técnicas que permitiram a visualização de estruturas de biomoléculas, como o zika vírus. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE A imagem foi produzida durante os estudos de um grupo que desenvolve uma tecnologia para tratar cáries sem o uso de uma broca e será a capa da revista científica Journal of Microscopy. Ao g1, a cientista contou que não esperava conquistar o primeiro lugar e estava reunindo coragem para pedir uma foto com Richard Henderson quando saiu o anúncio da vitória. "O evento já estava chegando ao fim. Estava me perguntando se teria coragem de me aproximar do Richard Henderson para pedir uma foto, porque estava com um pouco de vergonha. Foi justamente nesse momento que anunciaram que a minha imagem tinha vencido. Fui até a frente e tive essa oportunidade de tirar uma foto sem precisar pedir, e ele ainda me pediu para explicar a imagem. Foi um momento rápido, mas inesquecível, que vai ficar para sempre na minha memória", disse. Agora no g1 A Assembleia de Jovens Cientistas é realizada a cada quatro anos pela Federação Internacional de Sociedades de Microscopia (IFSM) e reúne pesquisadores em início de carreira de diferentes países, selecionados por suas realizações científicas e pela qualidade dos trabalhos apresentados no congresso. Maria Clara disse que a imagem premiada foi produzida durante o doutorado utilizando o microscópio eletrônico disponível no Laboratório do Departamento de Química Fundamental da UFPE. "Meu grupo de pesquisa da UFPE desenvolveu uma tecnologia para tratar a cárie sem broca, e o meu trabalho de doutorado se concentrou em descobrir como essa tecnologia funciona. Para isso, usei muitas técnicas avançadas de microscopia. A imagem vencedora do concurso mostra as bactérias causadoras da cárie penetrando em pequenos canais que temos no nosso dente, que ficam expostos quando o dente está cariado", detalhou. Imagem científica produzida pela pesquisadora Maria Clara Müller vence concurso de congresso internacional na Inglaterra Reprodução/WhatsApp Ciência no cotidiano Formada em Engenharia Química, com mestrado e doutorado pela UFPE, Maria Clara disse que muitos estudos científicos parecem distantes da realidade, mas destacou que a pesquisa desenvolvida por ela, assim como outras apresentadas no evento, tem aplicação direta em um problema comum à população. "Às vezes, o trabalho dos cientistas parece muito distante. Por exemplo, esse é um congresso só sobre microscopia e reúne cientistas de áreas diversas que usam técnicas avançadas de microscopia sobre temas que muitas vezes as pessoas não têm ideia do que esses cientistas estão estudando. Mas essas pesquisas estão presentes na nossa realidade, como é o meu caso. Estou usando essas técnicas de ponta para um problema no dia dia, que é a cárie dentária", conta. No próximo mês, a pesquisadora inicia uma parte do pós-doutorado na França, onde dará continuidade às pesquisas para entender o funcionamento da tecnologia desenvolvida pelo grupo da UFPE para o tratamento de cáries. "Vou continuar usando técnicas de microscopia avançada. Dessa vez, vou usar um microscópio que é capaz de enxergar com altíssima resolução uma única célula de uma bactéria enquanto ela está viva, imersa em meio líquido. E eu consigo ver como essa bactéria responde ao longo do tempo a um tratamento que eu estou aplicando. E eu uso nos meus estudos essa bactéria, que é a causadora da cárie, e o tratamento que eu aplico nela é essa tecnologia que foi desenvolvida pelo meu grupo de pesquisa em Pernambuco", detalhou. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
