Quem é Fabio Schvartsman, ex-presidente da Vale que assume o comando da CSN após Brumadinho
<img src="https://s2-g1.glbimg.com/KttrGcU1ICLUUmAQTR6-LRMKmj4=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/V/S/zeOgF8TqW9o2OA40sRBg/fabio-vale.jpg" /><br /> Mineradora CSN registra vazamento em tubulação A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) informou nesta quarta-feira (2) que Benjamin Steinbruch deixará a presidência executiva da companhia e passará a comandar o Conselho de Administração. A partir de quinta-feira (3), Fabio Schvartsman, ex-presidente da Vale, assumirá o cargo de presidente executivo da CSN. O executivo volta ao comando de uma das maiores empresas do país sete anos depois de deixar a presidência da Vale, em meio aos desdobramentos do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais. Após decisão do STJ, ex-presidente da Vale volta a responder em ações sobre Brumadinho e terá processos separados Schvartsman é formado e pós-graduado em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e também tem pós-graduação em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Antes de chegar à Vale, construiu uma carreira de décadas em grandes empresas. Trabalhou por 10 anos na Duratex e passou outros 22 anos no Grupo Ultra, onde foi sócio-diretor da Ultra S.A. e diretor financeiro da holding Ultrapar. Deixou o grupo em 2007. Depois, comandou a Telemar Participações e a San Antonio Internacional. Em 2011, assumiu a presidência da Klabin, fabricante de papel e celulose, onde permaneceu até 2017. Chegada à Vale Schvartsman assumiu a presidência executiva da Vale em 23 de maio de 2017, aos 63 anos, sucedendo Murilo Ferreira. Na Vale, chegou com o objetivo de liderar uma reorganização da empresa e direcionar suas ações para uma carteira voltada ao Novo Mercado da bolsa de valores. Durante sua gestão, a companhia também aumentou os recursos destinados à segurança de barragens e reformulou o controle de riscos em parceria com a consultoria Deloitte. Outra diretriz adotada durante sua gestão foi a chamada "Mariana nunca mais", em referência ao rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), ocorrido em 2015. Entretanto, quatro anos depois, outro desastre ambiental e social marcaria a história da empresa. Brumadinho interrompe gestão na Vale O período de Schvartsman à frente da Vale foi interrompido pelo rompimento da Barragem I da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019. O desastre deixou 270 mortos e provocou graves danos ambientais. Cerca de um mês depois da tragédia, Schvartsman deixou a presidência da Vale. Eduardo Bartolomeo foi escolhido para sucedê-lo ainda naquele ano. Em 28 de março de 2019, Schvartsman prestou depoimento à CPI do Senado que investigava o desastre. Na ocasião, afirmou que a Vale trabalhava com laudos de estabilidade emitidos por auditorias externas e que não tinha informações prévias sobre qualquer risco de perigo iminente. Também afirmou que a empresa estava fazendo pagamentos emergenciais aos atingidos. Processo criminal Os desdobramentos de Brumadinho continuaram depois de sua saída da Vale. Em janeiro de 2023, o Ministério Público Federal denunciou Schvartsman e outras 15 pessoas, e a Justiça Federal aceitou a acusação criminal. Com isso, o executivo se tornou réu por homicídio duplamente qualificado, com dolo eventual, e crimes ambientais. Em março de 2024, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região concedeu habeas corpus a Schvartsman e determinou o trancamento das ações penais. O Ministério Público Federal recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em abril desse ano, a Sexta Turma do STJ decidiu, por maioria, restabelecer os processos contra o ex-presidente da Vale. A decisão considerou que havia indícios apresentados pelo Ministério Público Federal de forma suficiente. Em 7 de maio, Schvartsman foi formalmente reincluído nas ações pela Justiça Federal. O processo contra ele foi separado dos demais réus, com uma ação exclusiva para homicídio e outra para crimes ambientais. Fábio Schvartsman, em imagem de arquivo Marcelo Camargo/Agência Brasil
