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Maestra da própria obra, Marisa Monte rege sinfonia de 'Phonica', show que se conserva perfeito um ano após a estreia

g1.globo.com · world

Marisa Monte reapresenta o show 'Phonica' na Brava Arena Jockey, na cidade natal do Rio de Janeiro (RJ) Rodrigo Goffredo ♫ OPINIÃO ♬ Quando Marisa Monte terminou de cantar “Ainda bem” (2011), parceria com Arnaldo Antunes, a artista foi ovacionada pelo público que lotou as pistas e camarotes da Brava Arena Jockey na noite de ontem, sábado, 7 de novembro, para assistir à segunda das três últimas apresentações de “Phonica” no Rio de Janeiro (RJ) na volta do show sinfônico à cidade natal de Marisa, um ano após a chegada do concerto pop ao Rio em 31 de outubro de 2025. A ovação foi tão grande que cantora e orquestra tiveram que paralisar o show por alguns segundos para Marisa receber os aplausos do público. Situação semelhante aconteceria, sete números depois, quando a cantora terminou de dar voz à apaixonante balada “Depois” (2011), outra parceria de Marisa com Arnaldo e, no caso, também com Carlinhos Brown. Curiosamente, tanto “Ainda bem” quanto “Depois” são músicas de álbum, “O que você quer saber de verdade” (2011), recebido com certa frieza no lançamento por parte de uma crítica que não soube detectar de imediato a força perene do cancioneiro autoral apresentado por Marisa Monte naquele grande disco... Em essência, pouco mais de um ano após a estreia nacional da turnê em Belo Horizonte (MG), em 18 de novembro de 2025, “Phonica” se conserva grandioso e perfeito em cena. E, se a orquestra atua sob a batuta certeira do maestro André Bachur, quem rege o concerto e a devoção do público é a própria Marisa Monte, maestra da própria obra e da carreira iniciada em outubro de 1987. Marisa Monte segue roteiro de 27 músicas na volta do show 'Phonica' ao Rio de Janeiro (RJ) e oferece bônus após o bis Rodrigo Goffredo Ali, no palco da Brava Arena Jockey, estava mais uma vez uma senhora cantora e uma senhora compositora, autora (com parceiros como Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Nando Reis) de 18 das 27 músicas de um roteiro que, no show de ontem, teve o acréscimo de versão a capella de “Bem que se quis” (“E po' che fà” – Pino Danielle, 1982, em versão em português de Nelson Motta, 1989), bônus que volta e meia Marisa oferece ao público cativo desde o show “Memórias, crônicas e declarações de amor” (2000). Até os inesperados tropeços da cantora nas letras de “O que você quer saber de verdade” (Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, 2006) e “Infinito particular” (Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, 2006), foram encarados com naturalidade pela maestra, ciente de que ninguém é regente da vida. “A vida é assim. Nada sob controle”, gracejou a artista após o canto de “Infinito particular”. Prestes a completar 60 anos de vida e 40 de carreira em 2027, efemérides que não deverão passar em branco ao longo do próximo ano, Marisa Monte consegue se impor naturalmente, sem afetação ou ares de superioridade, diante da orquestra comandada por Bachur. Todo mundo vê e sente que é ela, Marisa, a delicada regente da sinfonia pop de “Phonica”, show que merecia ser perpetuado em registro audiovisual pela beleza do concerto e dos arranjos criados por Ubiratan Marques (maestro da Orquestra Afrosinfônica, da Bahia), o violinista Newton Carneiro e os pianistas Thiago Costa, Débora Gurgel e Jether Garotti para embalar um repertório majoritariamente autoral que reforça a assinatura imprimida por Marisa Monte na música brasileira há 35 anos, precisamente desde 1991, ano em que a cantora começou a gravar as próprias músicas no álbum “Mais”. Enfim, “Phonica” representa o triunfo dessa obra ora enquadrada em moldura orquestral, em interseção com a linguagem da música erudita, sem diluição do apelo pop. Marisa Monte e o maestro André Bachur saúdam o público ao fim da apresentação do concerto pop 'Phonica' na Brava Arena Jockey Rodrigo Goffredo

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