Huthis reivindicam ataques a aeroporto de Ríade e petrolífera
O s rebeldes huthis reivindicaram hoje uma série de ataques contra vários alvos civis, energéticos e militares na Arábia Saudita, incluindo o aeroporto internacional rei Khalid, em Riade, e instalações da petrolífera estatal saudita Aramco. Num comunicado, o porta-voz militar dos huthis, Yahya Saree, afirmou que o movimento xiita iemenita, pró-Irão, realizou quatro operações que envolveram o disparo de mísseis balísticos e de cruzeiro, além do uso de drones, contra alvos em território saudita. A primeira operação teve como alvo o aeroporto da capital, os tanques de armazenamento de petróleo da Aramco e o centro financeiro de Riade. Saree declarou que os ataques "foram diretos e precisos" e "causaram danos significativos". Horas antes, o Ministério da Energia saudita informou, num comunicado, que "um dos edifícios administrativos da Aramco em Riade foi alvo de uma tentativa de ataque (…), resultando na queda de destroços sobre o edifício". O ministério saudita salientou, no entanto, que os danos foram "ligeiros" e que não houve feridos nem mortos. O ministério manifestou-se após a circulação de vídeos nas redes sociais que mostravam várias torres — alegadamente pertencentes à Aramco em Riade — das quais emanava fumo denso a partir dos pisos superiores. Paralelamente, a coligação militar liderada pela Arábia Saudita informou ter intercetado pelo menos cinco mísseis balísticos lançados contra o reino árabe. Saree afirmou que os huthis também atacaram instalações da Aramco na cidade de Abqaiq, a leste de Riade, bem como "concentrações de tropas sauditas" na província iemenita de Al-Jawf (a norte) e nas províncias de Marib e Lahj, no Iémen. O porta-voz iemenita afirmou que estes ataques foram uma resposta aos bombardeamentos da coligação liderada por Riade — que intervém no Iémen desde 2015 em apoio do Governo iemenita reconhecido internacionalmente —, que é acusada de ter provocado a morte de 33 civis a leste da capital iemenita, Sana, no sábado. Os ataques dos huthis contra instalações civis, incluindo as ligadas ao setor energético e aos aeroportos — entre estes o de Riade —, intensificaram-se paralelamente à ofensiva militar das forças governamentais iemenitas, apoiadas pela Arábia Saudita, para recuperar territórios sob controlo dos rebeldes. Organismos regionais e vários países árabes condenaram hoje a onda de ataques dos rebeldes huthis do Iémen contra a Arábia Saudita e exigiram uma intervenção urgente do Conselho de Segurança da ONU, sob o argumento de que o fornecimento mundial de energia está em risco. O Parlamento Árabe alertou, num comunicado, que estas "tentativas terroristas reiteradas e atrozes" contra as infraestruturas civis e petrolíferas ameaçam a estabilidade regional e "a segurança do fornecimento mundial" de energia. Por isso, solicitou que o Conselho de Segurança da ONU assuma o seu papel para conter as agressões e responsabilizar os autores. Na mesma linha, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Bahrein apelou ao principal órgão da ONU para que tome medidas decisivas contra os agressores e os seus patrocinadores, sublinhando o direito de Riade à legítima defesa. O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), Jassem al-Budaiwi, classificou as ações como "atos terroristas cobardes" e alertou que a falta de firmeza internacional face aos rebeldes huthis apenas fomenta a desestabilização no Médio Oriente. O Qatar, o Egito e a Jordânia também se juntaram às condenações e os seus respetivos Ministérios dos Negócios Estrangeiros classificaram o lançamento de mísseis balísticos contra áreas urbanas e instalações económicas como uma "violação flagrante do direito internacional" e da soberania saudita.
