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'Embarcou se sentindo bem': pai relata dor por morte de adolescente em voo entre ES e SP e desespero com demora no socorro

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Ramon Marchiori (à esquerda) falou sobre a morte do filho, Diogo Pompermayer Marchiori (à direita), de 13 anos, em voo entre o Espírito Santo e São Paulo. Acervo de família Amoroso e brincalhão: foi assim que o empresário Ramon Marchiori, de 48 anos, definiu o filho Diogo Pompermayer Marchiori. O adolescente morreu na quinta-feira (5), após sofrer uma parada cardíaca em voo que saiu do Aeroporto de Vitória, no Espírito Santo, com destino a Guarulhos, em São Paulo. Em entrevista exclusiva ao g1, Ramon disse que o filho era muito ligado à família. Aos 13 anos, tinha uma rotina que incluía a escola, as brincadeiras com o irmão mais novo, de 4 anos, e as viagens ao lado dos pais. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp A relação com os familiares era uma das características mais lembradas pelo pai. Diogo era carinhoso com os pais e com o irmão caçula, com quem costumava brincar. Na escola, também era querido pelos colegas. “Era um menino muito agradável. Difícil mesmo era falar um palavrão”, contou. Paixão pelo Botafogo Torcedor do Botafogo, também compartilhava com o pai a paixão pelo futebol, contou o empresário. A paixão pelo Botafogo rendeu uma das lembranças mais especiais entre pai e filho. Os dois viajaram de ônibus até a Argentina, em 2024, para acompanhar a final da Libertadores, quando o time enfrentava o Atlético Mineiro e saiu campeão. “Foram três dias de estrada na ida e outros três na volta. A experiência ficou marcada na minha memória. Foi a maior alegria da minha vida e da dele também”, recordou. LEIA TAMBÉM: Técnica de enfermagem relata falhas em equipamentos usados no socorro a adolescente que morreu em voo de Vitória para SP Tratamento desde a infância O problema cardíaco era acompanhado desde os primeiros meses de vida. Segundo o pai, pouco depois de receber alta da maternidade, Diogo apresentou alterações na respiração e nos batimentos cardíacos. A família o levou para atendimento em Cachoeiro de Itapemirim, na Região Sul do estado, onde ele ficou internado por 20 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Durante a internação, os exames identificaram uma infecção por bactéria hospitalar. Depois da alta, Diogo passou a fazer acompanhamento médico no município. Ao longo dos anos, manteve o tratamento e utilizava medicamentos, mas, segundo o pai, levava uma vida ativa: frequentava a escola, brincava e viajava — e já havia pegado voos para a Inglaterra, Belo Horizonte e São Paulo. A viagem para o estado paulista, na quinta-feira (5), também tinha relação com o tratamento de Diogo. Por indicação da médica que o acompanhava em Cachoeiro, a família procurou um especialista no Hospital Albert Einstein, na capital paulista, para dar continuidade ao acompanhamento e avaliar possíveis mudanças na medicação. Segundo o pai, a consulta já estava sendo planejada havia mais de dois anos. Diogo Pompermayer Marchiori morreu durante um voo do Espírito Santo para São Paulo Acervo pessoal Sintomas no ar e equipamentos com defeito Segundo Ramon, o filho embarcou na quinta-feira (5) se sentindo bem. “Nós fizemos muitas viagens em família. Fomos para Belo Horizonte e até mesmo para fora do país, na Inglaterra. E o Diogo nunca se sentiu mal”, contou o empresário. O empresário disse que, após o serviço de bordo, o filho comeu um biscoito, dormiu por um período e, ao acordar, disse à mãe que sentia uma dor muito forte no peito. Em seguida, ficou desacordado. “Depois disso, eu e minha esposa começamos a gritar, pedindo ajuda. As aeromoças nos levaram para os fundos do avião para iniciar os primeiros socorros, junto com outras duas enfermeiras que estavam no voo”, disse. Segundo Ramon, os tripulantes trouxeram dois cilindros de oxigênio, mas nenhum deles continha oxigênio. Ele também afirmou que o desfibrilador estava funcionando, mas tinha apenas 4% de bateria. “Os tripulantes trouxeram dois cilindros de oxigênio. Os dois não tinham ar, não tinham oxigênio dentro. E o desfibrilador, que estava funcionando, só tinha 4% de bateria”, afirmou. Demora da ambulância e falta das escadas O pai do adolescente contou ainda que, quando o avião pousou em Guarulhos, não havia nenhuma ambulância na pista do aeroporto, apesar de o piloto ter solicitado o serviço. Segundo ele, quando a ambulância chegou, a equipe ainda precisou aguardar a disponibilização das escadas, que estavam a cerca de 15 metros da aeronave, mas não haviam sido conectadas ao avião. O empresário disse ao g1 que chegou a ameaçar pular da aeronave para agilizar o atendimento. “Eu comecei a gritar que ia pular da aeronave, e minha esposa falou para que eu pulasse e fosse buscar a escada”, contou. LEIA TAMBÉM: SERRA: incêndio em apartamento deixa dois feridos; homem foi resgatado desacordado em estado grave COLATINA: caminhonete é atingida por moto na contramão, derruba portão e invade casa; motociclista e passageiro ficam feridos GUARAPARI: viatura com 4 policiais capota após perder o controle em avenida; militares ficaram feridos Ramon contou que, após a ameaça, um grupo de agentes que atuava na pista levou as escadas até a aeronave. Em seguida, Diogo foi transportado para a ambulância. De acordo com o empresário, o trajeto até o hospital durou menos de sete minutos. Ele afirmou, no entanto, que a ambulância contava apenas com um socorrista e uma enfermeira. “Quando chegamos ao hospital, o Diogo já estava sem vida. Os médicos ainda tentaram reanimá-lo com o desfibrilador, mas, infelizmente, ele não resistiu”, relatou. Passageiro denuncia demora no socorro Um passageiro, que não quis se identificar, gravou um vídeo durante o socorro, quando o avião já havia pousado. Na gravação, ele denunciou uma suposta demora no atendimento dos socorristas. “Olha a lentidão do pessoal da ambulância”, disse ele na gravação. Passageiro denuncia demora no socorro a adolescente que passou mal em voo entre ES e SP O outro lado O pai do adolescente disse ao g1 que representantes da Gol foram até o hospital e prestaram apoio à família. Segundo ele, a companhia aérea também custeou o traslado do corpo para o Espírito Santo. Questionada sobre as falhas nos equipamentos, a Gol informou que "todos os protocolos para este tipo de situação foram seguidos e o passageiro foi encaminhado em ambulância para hospital em Guarulhos". A concessionária GRU Airport afirmou que "a equipe de resposta a emergência da GRU Airport foi acionada e, seguindo os protocolos de segurança, prestou os primeiros socorros e encaminhou o passageiro ao hospital mais próximo". 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