Série de queimadas e fumaça tóxica de lixão colocam Oiapoque em alerta
Incêndio em lixão há duas semanas preocupa moradores de Oiapoque, no Amapá Há dias moradores de Oiapoque, no Norte do Amapá, estão tendo que conviver com os efeitos da série de queimadas registradas no município. A situação é crítica e preocupa ainda mais em razão da cortina de fumaça produzida por incêndio que se arrasta por mais de dez dias no lixão municipal. Moradores relatam dificuldades para respirar e redução da visibilidade nas ruas. A cidade faz fronteira com a Guiana Francesa, está também no centro das discussões da exploração de petróleo e abriga aldeias indígenas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AP no WhatsApp Imagens feitas recentemente mostram a proporção das chamas, o que antes era verde, atualmente está tomado por uma espécie de nevoeiro. Outra imagem mostra a entrada da ponte binacional coberta por fumaça. Segundo a prefeitura, nos últimos dias mais de 200 focos de incêndio foram registrados na cidade. O prefeito, Inácio Maciel (PDT), trata a situação da cidade como de calamidade. Em um vídeo postado nas redes sociais ele destacou que é necessário uma ação integrada para combater a crise climática na cidade. "Existe uma sala de situação onde várias instituições estão reunidas discutindo o plano de trabalho que está em via de ser aprovado pelo ministério da integração e pela defesa civil nacional. Os vários entes municipais junto com os federais e estaduais para que em conjunto possamos fazer um enfrentamento dessa situação de calamidade com inúmeros focos de incêndio", disse o prefeito. Imagem aérea mostra a cidade em chamas durante a noite Divulgação O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, publicou nas redes sociais que está acompanhando a situação do município, e que por meio do Governo Federal destinou mais de R$ 800 mil para ajuda humanitária. “Hoje fizemos uma reunião bem prolongada com a equipe do prefeito Inácio e nossa do Governo Federal, e acabei de informá-los que a gente está repassando R$ 816 mil referente a ajuda humanitária e estiagem”. LEIA MAIS: Comunidade quilombola no interior do Amapá sofre com fumaça de incêndio florestal Carreta colide com ponte de madeira e pega fogo na BR-210, em Pedra Branca do Amapari Além disso, uma reunião realizada neste sábado (7) pelo governo do estado definiu um plano de ação para reforçar o combate no município. Uma das frentes de trabalho é a intensificação da operação Amapá Verde, que desde agosto atua nas regiões mais vulneráveis. O projeto faz parte das ações de proteção à Amazônia e foca na redução dos impactos das queimadas e focos de calor durante o período de estiagem na região. A atuação do programa é dividida em três eixos centrais: prevenção, combate e fiscalização. Na prevenção, são realizadas campanhas educativas, reuniões comunitárias e orientação sobre o manejo correto do solo. No combate direto, equipes de bombeiros militares atuam no apagamento de incêndios florestais em áreas urbanas e rurais. Já a fiscalização combate crimes ambientais, como o desmatamento e as queimadas não autorizadas. Combate à fumaça em Oiapoque após incêndio em lixão. Defesa Civil/Divulgação Fogo subterrâneo e estiagem Equipes de combate atuam no lixão de Oiapoque, mas a natureza subterrânea do incêndio exige resfriamento constante e dificulta o trabalho dos bombeiros. A situação é agravada por um período atípico de estiagem rigorosa na região. A mudança na direção dos ventos tem levado para o centro da cidade não apenas a fuligem do lixão, mas também a fumaça de queimadas urbanas e rurais. O hábito de queimar folhas e lixo nos quintais no fim da tarde, prática comum na região, tem piorado a qualidade do ar durante a seca. Após fumaça tóxica atingir casas, Oiapoque estuda novo terreno para transferir lixão. Girlane Duarte/Rede Amazônica Aumento de casos hospitalares O Hospital Estadual de Oiapoque registrou um aumento na busca por atendimento médico, principalmente por complicações respiratórias. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas formam o grupo mais afetado. Durante a noite, o ar denso e frio faz com que a fumaça se concentre nas ruas e seja visível inclusive em pontos turísticos, como a Ponte Binacional Franco-Brasileira. Moradores relatam que o odor e a fuligem entram nas residências mesmo com portas fechadas ou aparelhos de ar-condicionado ligados. A administração municipal reforça que a conscientização comunitária é indispensável. Sem a interrupção das queimadas domésticas, as ações do poder público não serão suficientes para controlar a crise ambiental e sanitária no município. Cidade está coberta por fumaça Divulgação Emergência climática e recomendações O município também aguarda a homologação do pedido de reconhecimento de emergência climática junto ao Governo Federal, motivado pela severa estiagem que afeta os poços de água e compromete a agricultura familiar da região. A medida permitirá a captação de recursos para ampliação do fornecimento de água potável e suporte humanitário. VÍDEOS com as notícias do Amapá:
