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Justiça do Paraguai decreta prisão preventiva de ex-presidente Santiago Peña

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Santiago Peña, presidente do Paraguai desde 2023 que renunciou ao cargo em 5 de novembro de 2026. REUTERS/Cesar Olmedo/File Photo A Justiça do Paraguai determinou, neste sábado (7), a prisão preventiva do ex-presidente do Paraguai Santiago Peña, que perdeu o cargo num processo de impeachment na última sexta-feira (7). Ele é investigado pelos crimes de lesão de confiança, na condição de instigador, e administração em benefício próprio, como autor. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A decisão atende a um pedido feito pelo Ministério Público (MP) do país feito horas antes. Segundo o juiz Humberto Otazú, responsável pelo caso, a medida foi adotada para garantir que Peña permaneça no país durante o andamento do processo. Durante a audiência, o ex-presidente optou por ficar em silêncio. O juiz também informou que analisa o pedido do MP para bloquear os bens de Peña. De acordo com Otazú, há pontos do pedido que ainda estão sendo avaliados pela Justiça. Peña deve seguir detido no Regimento de Escolta Presidencial em razão de seu acesso a informações sigilosas sobre o sistema financeiro e o crime organizado durante o mandato, diz o magistrado. Peña é acusado de abuso de confiança, tráfico de influência e adminsitração em benfício próprio. A acusação faz parte das investigações sobre o caso Ueno Bank, que apura irregularidades envolvendo a instituição financeira e seus antigos dirigentes. LEIA TAMBÉM: Entenda a crise que colocou banco sob suspeita e levou à renúncia do presidente do BC O ex-presidente prestou depoimento à Justiça neste sábado (7), sede do Procuradoria-Geral do Ministério Público, em Assunção, por volta das 11h no horário de Brasília. Ele é apontado como um dos sócios do grupo controlador do ueno e está sendo investigado por crimes relacionados ao escândalo. Da crise bancária à derrocada política Peña foi preso temporariamente na última sexta-feira (6), logo após a conclusão da votação da perda de seu mandato pelo Senado do país. A crise política no Paraguai começou após a quebra do banco digital ueno. A instituição deixou milhões de clientes sem acesso às próprias contas. O caso provocou protestos em Assunção e aumentou a pressão sobre o governo de Peña. Peña passou a ser alvo de acusações por seus vínculos empresariais com o grupo controlador do ueno. O presidente manteve participação na holding ligada ao banco até março de 2025. O Banco Central paraguaio interveio no banco após identificar problemas em operações de crédito e irregularidades na contabilização de ativos. O órgão regulador também apontou que a instituição não tinha capital suficiente para continuar funcionando. Na última quinta-feira (5), o presidente anunciou que renunciaria ao cargo. Ele afirmou que queria preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas. A decisão, porém, não encerrou o processo de impeachment. Os parlamentares decidiram manter o julgamento. A saída voluntária de Peña poderia garantir a ele uma cadeira vitalícia no Senado e imunidade parlamentar. O Ministério Público também abriu investigações criminais sobre o caso. As apurações envolvem Peña, o vice-presidente Pedro Alliana e autoridades do Banco Central. Com a saída oficial de Peña, Alliana assumiu a Presidência para completar o mandato, previsto para terminar em agosto de 2028.

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