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Milton Leite é indiciado por organização criminosa; investigação aponta PCC em mais da metade das empresas de ônibus de SP

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Milton Leite é considerado foragido da Justiça. Reprodução O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União), foi indiciado pela Polícia Civil por organização criminosa após a conclusão do inquérito que investiga a infiltração do PCC no setor de transporte público da capital. A Polícia Civil também solicitou a prisão preventiva de Leite e dos demais indiciados na investigação. O relatório final da investigação aponta que 12 das 22 empresas que operam o sistema de transporte coletivo da cidade estão sob controle direto ou influência indireta da facção criminosa. "Assim sendo, é assombroso, mas é correto afirmar que mais da metade das empresas operando o transporte público da maior cidade da América Latina estariam sob controle direto ou influência indireta do crime organizado", afirma o documento. Leite está preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) II de Guarulhos, na Grande São Paulo. Ele estava preso em Mogi das Cruzes, porém foi transferido após o afastamento de cinco pessoas suspeitas de conceder regalias ao ex-vereador na unidade. Além dele, outros 15 alvos da Operação Vectura Corrupta também foram indiciados por associação e organização criminosa no setor de ônibus da capital paulista. Entre os políticos que também foram indiciados estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans da gestão Ricardo Nunes (MDB), e Danilo Marco Morgado Silva (PL), ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande. No relatório final, a corporação justifica o pedido de prisão em relação a Milton Leite apontando que ele teria ocultado e destruído provas, além de destacar seu alto poder econômico e sua influência política. Procurada pelo g1, a defesa de Milton Leite não se posicionou até a última atualização da reportagem. LEIA TAMBÉM: Delegados, carcereiro e diretor de cadeia onde Milton Leite está preso são afastados por suspeita de regalias em unidade prisional Quais são as suspeitas sobre Milton Leite na investigação que apura atuação do PCC no transporte da cidade de SP Entenda como apreensão de 40 kg de drogas levou à operação que mira Milton Leite e apura infiltração do PCC nos ônibus de SP Milton Leite é transferido após denúncias de regalias em unidade prisional de SP Papel de Milton Leite No relatório final, a Polícia Civil aponta Milton Leite como uma das figuras centrais do esquema de infiltração do PCC no transporte público de São Paulo. Segundo a investigação, o ex-vereador exercia influência política e operacional sobre empresas ligadas à facção, especialmente a Transwolff. Um dos principais pontos levantados é a suspeita de que Milton Leite seria o verdadeiro proprietário da Transwolff, enquanto os diretores da companhia atuariam como seus representantes. O relatório cita depoimentos e análises do Ministério Público que apontam o ex-parlamentar como dono de fato da empresa. A investigação também identificou mensagens que, segundo a polícia, demonstrariam a influência de Milton Leite sobre dirigentes da Transwolff, entre eles Cícero de Oliveira e Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora. Milton Leite se entrega à polícia Reprodução/TV Globo Nas conversas, ele faria cobranças financeiras, receberia atualizações sobre projetos estratégicos da companhia, como o Projeto Aquático e a implantação de uma frota de ônibus elétricos, e convocaria reuniões em seu escritório. O relatório também aponta a atuação de Milton Leite junto a órgãos públicos e concessionárias. Um dos episódios citados envolve uma articulação com a presidência da SPTrans para pressionar a Enel a liberar carregadores destinados aos ônibus elétricos da Transwolff. Além disso, diálogos interceptados entre integrantes do PCC mencionam o nome do ex-vereador como uma pessoa importante para resolver questões operacionais relacionadas ao setor de transporte. Em depoimento à polícia, Milton Leite negou ter participação societária, direta ou indireta, em empresas de transporte e afirmou não conhecer os integrantes da facção mencionados na investigação. Segundo ele, as conversas com empresários e representantes da SPTrans ocorreram exclusivamente em razão do exercício de seu mandato parlamentar. Como investigação sobre envolvimento do PCC no transporte público chegou ao ex-vereador Milton Leite Fantástico Investigação A Operação Vectura Corrupta foi deflagrada em 17 de setembro para cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em cidades como São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. A investigação apura a atuação do grupo em empresas de transporte, licitações, articulações políticas e financiamento de campanhas eleitorais. Também mira a chamada "Sintonia dos Gravatas", núcleo que, segundo a polícia, reuniria advogados que atuariam em benefício da organização criminosa. Milton Leite se entregou à polícia somente em 18 de setembro em uma delegacia de Mogi das Cruzes. No dia, o ex-vereador falou com a imprensa e afirmou ser inocente das acusações: "Sou inocente de todas as acusações. Eu acredito na justiça, no trabalho da polícia. Temos oportunidade agora de provar tudo o que foi dito." Exclusivo: Promotores e policiais apuram regalias em cadeia onde está Milton Leite

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