Itapeva decreta estado de calamidade pública após contaminação da água por parasita
Itapeva decreta calamidade pública por contaminação da água A Prefeitura de Itapeva (SP) decretou, nesta sexta-feira (6), estado de calamidade pública nesta em razão da contaminação da água distribuída à população pelo parasita Cryptosporidium spp. e pela bactéria Escherichia coli enteroagregativa. O município registrou mais de 4,3 mil de atendimentos de pacientes com sintomas de gastroenterite entre 13 de setembro e 31 de outubro. O período com maior procura ocorreu entre os dias 4 e 10 de outubro, quando 1,5 mil pessoas buscaram atendimento nas unidades de saúde. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp 🔎 O protozoário Cryptosporidium spp. afeta as células do intestino delgado e pode ser transmitido pela ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes de humanos ou animais infectados. Ele causa diarréia intensa, cólicas, náuseas, vômitos e febre. 🔎 Já a Escherichia coli enteroagregativa adere às células da mucosa intestinal e secreta toxinas que danificam o intestino. A transmissão ocorre da mesma forma e causa diarréias líquidas, mal-estar e febre baixa, que podem durar mais de duas semanas e causar danos na absorção de nutrientes. Instituto Adolfo Lutz encontrou o protozoário Cryptosporidium spp. em quatro de dez amostras coletadas em Itapeva (SP) TV TEM A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 15.526, publicado no Diário Oficial do Município. O documento aponta que análises laboratoriais realizadas nos dias 28 de outubro e 4 de novembro identificaram a presença dos dois microrganismos em amostras coletadas na rede de abastecimento. A administração municipal classificou a situação como um desastre biológico de Nível III, considerado de grande intensidade. Segundo o decreto, o problema compromete a capacidade de resposta do município e exige a mobilização coordenada dos governos municipal, estadual e federal. A declaração de calamidade pública terá validade de 180 dias, contados a partir da publicação. Caso a situação continue após esse período, a prefeitura deverá emitir um novo decreto, acompanhado de outra justificativa técnica. Santa Casa de Itapeva (SP) Arquivo Pessoal O que muda com o decreto Com a medida, a prefeitura fica autorizada a adotar ações emergenciais para garantir o abastecimento de água potável e reduzir os riscos à saúde da população. Entre as medidas previstas estão a distribuição gratuita de água por caminhões-pipa e pontos fixos, a contratação emergencial de serviços de transporte e fornecimento de água e a instalação de locais de distribuição em escolas, unidades de saúde e outros espaços públicos. O decreto também permite restringir temporariamente o uso da água da rede pública para consumo humano, desde que a população seja comunicada previamente e tenha acesso a formas alternativas de abastecimento. Na área da saúde, a Secretaria Municipal deverá intensificar o monitoramento dos casos de diarreia aguda, ampliar o atendimento nas unidades e realizar exames laboratoriais para identificar os agentes causadores das doenças. As escolas municipais também deverão receber água potável por meio de abastecimento alternativo enquanto durar a contaminação. O documento prevê ainda a suspensão do uso da água da rede pública para consumo, preparo de alimentos e higiene pessoal nas unidades escolares quando os laudos técnicos indicarem risco. Divulgação diária de informações O decreto determina que a prefeitura divulgue diariamente, nos canais oficiais, os resultados das análises da água, o número de casos notificados de doenças relacionadas à contaminação, os pontos de distribuição de água potável e os horários de atendimento. A administração municipal também deverá solicitar ao governo estadual a homologação da situação de calamidade e encaminhar o pedido de reconhecimento federal no prazo de até dez dias após a publicação do decreto. A Sabesp e a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) deverão ser comunicadas formalmente sobre a medida para que adotem as providências de suas responsabilidades e apurem as causas da contaminação. A Sabesp anunciou, nesta quinta-feira (5), seis novas medidas para reforçar o tratamento e o monitoramento da água em Itapeva (SP) TV TEM Medidas da Sabesp Após o Instituto Adolfo Lutz identificar, novamente, um protozoário na água distribuída à população de Itapeva (SP), a Sabesp anunciou seis novas medidas para reforçar o tratamento e o monitoramento da água, ampliar o atendimento à população e ajudar a esclarecer as causas do surto de gastroenterite. Segundo a companhia, serão investidos R$ 50 milhões no pacote de ações. Entre as iniciativas está a criação de uma Comissão Técnica Independente, coordenada pelo médico infectologista David Uip e integrada pela especialista Ângela Di Bernardo e pelo microbiologista Daniel Cerqueira. O grupo será responsável por avaliar os processos de tratamento e distribuição de água, aprofundar as análises técnicas e recomendar eventuais medidas adicionais. Para ampliar o acesso à água potável, a Sabesp também instalará 10 pontos gratuitos de abastecimento em diferentes regiões da cidade. Cada estrutura contará com um reservatório de 5 mil litros. A distribuição dos pontos deverá priorizar equipamentos públicos e famílias em situação de vulnerabilidade. A companhia também afirmou que distribuirá kits de higiene para famílias em situação de vulnerabilidade, acompanhados de material informativo com orientações sobre cuidados de higiene e prevenção de doenças gastrointestinais. Suspensão da cobrança das tarifas Entre 6 de novembro e 5 de dezembro, a Sabesp suspenderá a cobrança das tarifas de abastecimento de água e de coleta e tratamento de esgoto no município. A medida, segundo a Sabesp, será aplicada automaticamente às contas emitidas no período, sem necessidade de solicitação por parte dos moradores. Segundo a Sabesp, as medidas abaixo já estão em andamento: Ampliação da capacidade de filtração da água e intensificação dos processos de desinfecção, incluindo o reforço da cloração; Intensificação das descargas de rede para promover a renovação da água no sistema de distribuição; Realização de quatro coletas diárias em diferentes pontos da cidade, além de análises adicionais em laboratórios próprio e independente; Fornecimento de água potável por caminhões-pipa em locais indicados pelo poder público municipal; Instalação de caixas d’água em escolas para aumentar a capacidade de armazenamento. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) participou, nesta quarta-feira (4), de uma reunião com vereadores de Itapeva para discutir o histórico do problema, as providências adotadas pelo poder público e as ações da Sabesp diante dos casos de gastroenterite. Segundo o órgão, ainda são aguardados os resultados dos laudos mais recentes. O MPSP também informou que instaurou um inquérito civil para apurar as causas do problema e eventual responsabilização pelos danos. Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM
