Alunos de escola pública na periferia de cidade cearense ganham medalhas de ouro e prata em olimpíada de foguetes
Alunos de escola pública no CE conquistam ouro e prata em Olimpíada Brasileira de Foguetes Seis alunos de uma escola pública na periferia de Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza, conquistaram medalhas de ouro e prata na etapa nacional da Olimpíada Brasileira de Foguetes (OBAFOG). A conquista veio no fim do último mês de outubro. Siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp Um dos medalhistas de ouro é Wellyson Correia Lima, de 15 anos, que faz o 9º ano do ensino fundamental na escola Osmar Diógenes Pinheiro, localizada no bairro Conjunto Metropolitano — conhecido popularmente como “Picuí”. O estreante na OBAFOG não negou a surpresa com o resultado. “Para ser sincero, eu não esperava uma premiação tão alta assim. Então, conseguimos ser campeões em medalhas de ouro nessa olimpíada. É algo surpreendente, até difícil de se imaginar”, disse o adolescente. 📚 A unidade de ensino oferece educação desde a creche até o 9º ano do ensino fundamental e tem cerca de 600 alunos matriculados. Dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mostram que apenas 4% dos estudantes do 9º ano apresentam aprendizado adequado em matemática. Em língua portuguesa, o percentual é de 21%. Wellyson explicou que o desejo em participar da olimpíada surgiu a partir do incentivo do professor de ciências Rafael Matos. Durante a preparação para as provas práticas e teóricas que a competição exigia, a vontade dele cresceu proporcionalmente. “Antes de realizar o lançamento [do primeiro foguete], eu via como um interesse, mas ainda não tinha tanto aquele esforço, tanto interesse sobre foguetes e interesse acadêmico em relação a isso. Foi só depois, enquanto a gente fazia, que nós realmente nos interessamos de verdade mesmo, além do que já tínhamos de conhecimento”, explicou o estudante. Equipes do Ceará que conquistaram medalhas de ouro e prata em Olimpíadas Brasileira de Foguetes. Reprodução Wellyson conquistou o ouro na equipe formada junto aos colegas Eric Silva Lima das Chagas e Francisco Riquelme Almeida Soares. Já os estudantes Eryck Vieira Sousa, Marcus André Moreira Freitas e Pedro Yuri Acelino Meneses ficaram com a prata. Ainda no ensino fundamental, o adolescente disse que a experiência já o motivou sobre a carreira que quer seguir. “Essa olimpíada de foguete foi um marco importante para eu poder realmente decidir o que eu vou realmente querer fazer no meu futuro. Eu quero fazer engenharia", comentou o estudante, que sonha em ingressar no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), instituição que iniciou a implantação de um campus no Ceará. ‘Fiquei muito realizado’ As medalhas são a consagração de meses de dedicação não apenas dos seis alunos premiados, mas também do professor Rafael Matos, que teve a iniciativa de promover a participação deles na OBAFOG. O professor disse que, em todo início do ano letivo, ele incentiva que os alunos participem de olimpíadas, não apenas a Brasileira de Foguetes. “Agora, eles talvez não percebam, mas lá na frente, essas olimpíadas vão ajudar muito no ingresso nas universidades públicas, que, nos últimos anos, vêm adotando essa forma de ingresso por meio de medalhas e certificados de olimpíadas”, comentou o docente. Segundo o professor, a escola inscreveu mais de 30 equipes, cada uma formada por três alunos. Em maio, os estudantes participaram de uma etapa municipal, realizada no Estádio Municipal Raimundo de Oliveira, conhecido como Raimundão, em Caucaia. No mês seguinte, a organização da olimpíada divulgou a lista de classificados para a etapa nacional, que incluiu duas equipes da escola. “A gente teve algumas semanas de preparativo, de montar os foguetes, construir lá na quadra da escola, a gente espalhava as mesas, pegava os materiais. Eu ajudei eles a comprar alguns materiais que eles não tinham dinheiro”, lembrou o educador. Professor Rafael Matos se emocionou em cerimônia que homenageou as equipes na escola Osmar Diógenes Pinheiro, em Caucaia. Reprodução Na etapa em Caucaia, os seis alunos conseguiram a classificação para a final nacional ao obterem os melhores resultados. “Depois de lançar todo mundo, foi um dia inteiro, embaixo do sol, nós tivemos duas equipes que passaram de 100 metros, inclusive a primeira colocada atingiu 151 metros”, explicou o professor. 🚀 A prova consistia em lançar os foguetes, feitos com garrafas pet, a partir de estruturas montadas por cada equipe. O objetivo era conseguir fazer que o projétil percorresse a maior distância possível. Os bons resultados em Caucaia se repetiram na competição nacional, que aconteceu em um hotel fazenda localizado em Barra do Piraí, no Rio de Janeiro. O foguete da equipe de ouro conseguiu atingir 303 metros de distância; enquanto o projétil medalhista de prata foi a 213,3 metros. O foguete medalhista de ouro atingiu uma altura próxima ao topo da Torre Eiffel, de 330 metros. “Realmente eu fiquei muito realizado profissionalmente, porque é muito massa eu conseguir fazer pessoas conseguirem atingir locais que antes não conseguiam, que era só destinado a quem tem dinheiro”, destacou Rafael. Mobilização da comunidade Alunos de escola pública na periferia de cidade cearense ganham medalhas de ouro e prata em olimpíada de foguetes. Reprodução A escola Osmar Diógenes Pinheiro fica localizada em uma área marcada por vulnerabilidade social, na periferia de Caucaia, cidade que tem Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,682. Nesse contexto, as medalhas brilham ainda mais forte também aos olhos de Maria Auxiliadora da Silva, diretora da escola. “Então aqui nós temos diversos alunos que sempre a gente está buscando oportunidades para que eles possam galgar novos espaços na vida deles”, disse. “Eu particularmente estou muito feliz porque quando a gente vê esses estudantes em uma realidade da qual eles vivem vulnerabilidade em um bairro onde a violência predomina e outros fatores também. E a gente percebe que através da educação esses meninos estão tendo oportunidade de vivenciar a experiência significativa para a vida deles. Então isso para mim já um feito muito grande”, destacou a docente. As passagens e inscrição dos seis alunos para o Rio de Janeiro e mais dois professores responsáveis pelas equipes foram custeadas pela Prefeitura de Caucaia. Cada inscrição custava R$ 1,4 mil. Apesar da ajuda do poder público, houve também uma mobilização da comunidade para ajudar financeiramente os participantes. “Nós conseguimos através de rifas. A gente mobilizou a escola fazendo rifa, fazendo vaquinha online. Os pais se mobilizaram também. A gente conseguiu juntar tudo isso e deu tudo certo”, comemorou a diretora. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:
