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Ibama multa fazendas em R$ 1,4 milhão por uso de agrotóxicos ilegais e vencidos em região paradisíaca de MS

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Ibama multa fazendas em R$ 1,4 milhão por uso de agrotóxicos ilegais e vencidos em MS Agrotóxicos ilegais e produtos vencidos há mais de 15 anos foram encontrados em propriedades rurais próximas a rios da região de Bonito e da Serra da Bodoquena. Uma operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou R$ 1,4 milhão em multas em cinco municípios de Mato Grosso do Sul. Veja o vídeo acima. A fiscalização ocorreu em Bonito, Jardim, Caracol, Porto Murtinho e Bodoquenaos, entre os dias 27 e 30 de outubro, após denúncias de uso de agrotóxicos proibidos no Brasil. Os resultados e detalhes das infrações foram divulgados com exclusividade ao g1 neste sábado (6). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Ao todo, 44 propriedades foram fiscalizadas em Bonito, Jardim, Caracol, Porto Murtinho e Bodoquena. Segundo o Ibama, apenas seis não apresentaram irregularidades. Os agentes emitiram 26 autos de infração, que somam R$ 1.488.172 em multas, além de 36 notificações. Os nomes das fazendas não foram divulgados pelo órgão. Durante as vistorias, os fiscais apreenderam 1.799,4 litros e 638,04 quilos de agrotóxicos vencidos; Alguns produtos estavam fora do prazo de validade desde 2010, há mais de 15 anos; Em uma fazenda às margens do Rio Perdido, perto do Parque Nacional da Serra da Bodoquena, os fiscais encontraram 1.279 litros de agrotóxicos vencidos, classificados como altamente perigosos ao meio ambiente; Também foram apreendidos agrotóxicos em propriedades próximas ao Rio da Prata, em Jardim, e ao Rio Formoso, em Bonito, dois importantes atrativos turísticos da região. ⚠️ As irregularidades acendem um alerta para os possíveis impactos sobre a biodiversidade e o turismo da região. Caso essas substâncias alcancem os rios, podem afetar plantas aquáticas, insetos e peixes, comprometendo o equilíbrio dos ecossistemas e os atrativos naturais que fazem da Serra da Bodoquena uma referência em ecoturismo. A operação, porém, não comprovou a contaminação das águas. O g1 procurou o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e solicitou esclarecimentos sobre o assunto, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Propriedade em Caracol Mapa das propriedades averiguadas pelo Ibama. Reprodução A maior multa individual da operação foi aplicada em Caracol. Em uma fazenda de Caracol, os fiscais encontraram agrotóxicos ilegais com rótulos de fabricação chinesa. Também havia embalagens vazias espalhadas perto da vegetação, algumas queimadas e outras descartadas em grotas, locais por onde a água da chuva pode escoar. O proprietário foi multado em R$ 757,5 mil pelo armazenamento e descarte irregular dos agrotóxicos. Ele também terá que comprovar que deu o destino correto aos produtos e às embalagens. A multa representa mais da metade do valor total das penalidades aplicadas na operação. Riscos para os rios e a biodiversidade Ibama multa fazendas em R$ 1,4 milhão por uso de agrotóxicos ilegais e vencidos Ibama A presença de agrotóxicos em propriedades próximas a rios não significa que as águas estejam contaminadas. A fiscalização não comprovou a presença dessas substâncias nos cursos d'água. Ainda assim, especialistas alertam para os possíveis danos caso os produtos alcancem os ambientes aquáticos. Segundo o biólogo e pesquisador José Sabino, associado ao Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal, o uso irregular de agrotóxicos pode ameaçar os rios de águas cristalinas, os peixes e outras espécies que fazem da região uma referência em ecoturismo. O pesquisador explica que os impactos podem atingir diferentes níveis da cadeia alimentar. Os herbicidas, usados para combater plantas indesejadas nas lavouras, podem chegar aos rios e afetar a vegetação aquática, que serve de abrigo e alimento para diversas espécies. "O que é mais visível é a diminuição, eu diria, radical das plantas aquáticas. As macrófitas estão diminuindo de maneira expressiva", relata. 🔎 As macrófitas aquáticas são plantas visíveis a olho nu que vivem total ou parcialmente submersas em ambientes como rios, lagos, represas e áreas alagadas. Essas plantas são importantes para a vida nos rios. Entre suas folhas e raízes vivem larvas de insetos, pequenos crustáceos e moluscos que servem de alimento para diferentes espécies de peixes. Quando a vegetação aquática diminui, esses pequenos animais podem perder abrigo e alimento. A redução deles, por sua vez, pode afetar os peixes menores e, em seguida, os maiores, que dependem de outros peixes para se alimentar. Sabino também alerta para os efeitos dos inseticidas. Embora sejam usados para combater pragas nas lavouras, esses produtos podem atingir insetos que vivem em outros ambientes, inclusive nos rios. A preocupação é relevante para a biodiversidade local. Segundo o pesquisador, das cerca de 90 espécies de peixes catalogadas nos rios da Serra da Bodoquena, aproximadamente 60 dependem diretamente de insetos. "Das cerca de 90 espécies que a gente tem catalogadas nos rios da Serra da Bodoquena, sem chance de erro, eu diria que 60 dependem diretamente dos insetos", explica. Desmatamento A fiscalização também chama a atenção para um contexto mais amplo de pressão sobre o território. Dados do MapBiomas mostram que a Serra da Bodoquena, que inclui Bonito, Bodoquena e Jardim, teve 17,3 mil hectares desmatados entre 2020 e 2024, o equivalente a cerca de 17 mil campos de futebol. Bonito registrou o maior desmatamento no período: 1️⃣Bonito: 9,3 mil hectares desmatados 2️⃣Bodoquena: 5,5 mil hectares desmatados 3️⃣Jardim: 2,5 mil hectares desmatados A apreensão também chama a atenção para o avanço das lavouras na região. Segundo Sabino, dados do MapBiomas mostram que a área agrícola de Bonito passou de cerca de 5 mil hectares, em 2012, para mais de 70 mil hectares. Segundo o pesquisador José Sabino, a substituição de pastagens por lavouras, sem os cuidados necessários para proteger o solo, contribuiu para o problema. "Isso acontece porque naquele momento a soja tava ocupando um espaço que era do pasto e isso foi feito de maneira muito irregular. Eu não tô chamando de ilegal, tô chamando de irregular. Irregular porque não foram tomados os cuidados de preservação do solo", explica. Prejuízos do uso de agrotóxicos ilegais e vencidos Agrotóxicos ilegais e produtos vencidos há mais de 15 anos foram encontrados em propriedades rurais em MS Ibama Além dos possíveis danos ambientais, agrotóxicos ilegais, falsificados ou adulterados podem colocar em risco a saúde das pessoas e a produção agrícola. Segundo Danilo Furtado dos Santos, engenheiro-agrônomo e chefe da Divisão de Insumos e Serviços Agrícolas da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), produtos ilegais podem não ter passado pelos controles de segurança exigidos no Brasil. Por isso, há risco de conterem substâncias proibidas e componentes altamente tóxicos. "O contato pode provocar intoxicações, queimaduras químicas, problemas respiratórios e outras complicações de saúde. Nas lavouras, produtos sem controle de qualidade podem prejudicar o desenvolvimento das plantas, impedir a germinação de sementes e até destruir culturas inteiras", explica. Resíduos desses produtos também podem permanecer em grãos, frutas e outros alimentos, o que pode impedir a comercialização da produção quando são identificadas irregularidades. Furtado explica que os agrotóxicos devem ser armazenados em depósitos fechados, ventilados e sinalizados, longe de casas, alimentos, animais e fontes de água. As embalagens não podem ser reutilizadas nem descartadas irregularmente no ambiente. Durante a operação, os fiscais encontraram situações que desrespeitavam essas regras. Irregularidades encontradas na fiscalização Em 19 propriedades, sete delas em Bonito, os fiscais encontraram agrotóxicos vencidos há mais de um ano. Em nove propriedades, foram identificados problemas como armazenamento irregular e reutilização de embalagens. O descarte irregular das embalagens também dificulta a fiscalização. Segundo o Ibama, quando esses materiais são enterrados ou queimados, fica mais difícil identificar quais agrotóxicos foram usados, principalmente os proibidos no Brasil. A Lei Federal nº 14.785/2023 prevê punições para irregularidades com agrotóxicos. Produzir, importar, transportar, armazenar ou vender produtos não registrados ou proibidos pode resultar em pena de três a nove anos de prisão, além de multa. O uso irregular desses produtos e o descumprimento das regras de aplicação e descarte também podem resultar em prisão, com penas que variam de dois a quatro anos, conforme a infração. Agrotóxicos ilegais e produtos vencidos foram encontrados em propriedades rurais Ibama Ibama multou fazendas em MS Ibama Veja vídeos de Mato Grosso do Sul

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