De escândalo bancário ao impeachment: veja a cronologia da crise no Paraguai que derrubou o presidente
Entenda o escândalo financeiro que levou à renúncia do presidente do Paraguai O Congresso do Paraguai aprovou nesta sexta-feira (6) o impeachment do presidente Santiago Peña. A crise política começou após o fechamento de um banco e chegou rapidamente chegou ao Congresso, onde a oposição apresentou um pedido para afastar Peña. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp ▶️ Contexto: O país vive uma profunda crise política após vir à tona um escândalo envolvendo a quebra do banco "ueno", que deixou milhões de clientes sem acesso aos próprios depósitos. O ueno, que pertence ao Grupo Vázquez, fechou as portas na terça-feira (3), depois que o Banco Central iniciou o processo de liquidação da instituição. A autoridade monetária identificou uma insuficiência de recursos para cobrir as obrigações do banco, relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à instituição. O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. Peña, que também é economista, foi acionista do grupo proprietário do ueno até março do ano passado. Na quinta-feira (5), em meio à pressão política, Peña anunciou que pretendia renunciar ao cargo. A Câmara dos Deputados, no entanto, aprovou a abertura do processo de impeachment contra o ele. Na prática, o Congresso ignorou o pedido de renúncia do presidente. O Senado retomou a análise do pedido de impeachment nesta sexta. Veja, abaixo, a cronologia da crise no país. Banco ueno fecha as portas Ueno Bank no Paraguai Marcos Landim/RPC Na terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai liquidou o banco digital ueno após identificar uma insuficiência de recursos para cobrir as obrigações da instituição. A medida foi tomada após a identificação de problemas relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao banco. Com a decisão, a instituição que tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social, fechou as portas. Escalada da crise Na quarta-feira (4), relatos de falhas nos aplicativos de outras instituições financeiras começaram a circular no país e aumentaram a preocupação dos clientes. A Associação de Bancos do Paraguai informou que as instituições estavam trabalhando para atender ao grande volume de pessoas que tentam transferir contas do ueno. A entidade afirmou que o sistema bancário continuava operando normalmente. Oposição apresenta pedido de impeachment Congressistas debatem impeachment do presidente Santiago Peña REUTERS/Cesar Olmedo A crise bancária chegou ao Congresso na quinta-feira (5). Deputados da oposição apresentaram um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña e o vice-presidente Pedro Alliana. A acusação apontou possíveis conflitos de interesse, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários. Os parlamentares também acusaram o Banco Central de encobrir irregularidades. Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do ueno, até março de 2025. A oposição sustenta que a relação do presidente com o grupo representa um conflito de interesses. Câmara aprova abertura do impeachment Ainda na quinta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, com 78 votos, a abertura do processo de impeachment contra Peña. O pedido contra o vice-presidente Pedro Alliana, no entanto, foi rejeitado. A decisão abriu caminho para que ele assuma a Presidência caso Peña deixe o cargo. Peña anuncia renúncia Santiago Peña, presidente do Paraguai desde 2023 que renunciou ao cargo em 5 de novembro de 2026. REUTERS/Cesar Olmedo/File Photo Horas depois da decisão da Câmara, Peña apresentou uma carta de renúncia em um vídeo publicado nas redes sociais. O presidente pediu desculpas aos clientes prejudicados pela crise bancária e afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas. A renúncia, porém, ainda precisava ser analisada pelo Congresso. Congresso suspende sessão O Congresso iniciou a análise do pedido de renúncia de Peña na tarde de quinta-feira. A sessão foi marcada por um longo debate entre governistas e oposicionistas. A oposição defendeu que a renúncia seja rejeitada e que o processo de impeachment tenha continuidade. Os parlamentares argumentaram que, se deixar voluntariamente a Presidência, Peña poderá assumir uma vaga de senador vitalício, com imunidade parlamentar. Já os governistas sustentaram que aceitar a renúncia seria a maneira mais rápida de encerrar a crise e permitir a transferência de poder ao vice-presidente. Quando percebem que não teriam votos suficientes para aprovar a saída do presidente, parlamentares do Partido Colorado, legenda de Peña, deixaram o plenário. A movimentação derrubou o quórum necessário para a continuidade da sessão. A votação foi suspensa, e a renúncia não foi aceita. Com isso, na prática, Peña permaneceu no cargo. À noite, o Senado fez uma nova sessão para iniciar o debate sobre o impeachment do presidente. Senado aprova impeachment Policiais em frente ao Congresso do Paraguai durante o andamento da sessão extraordinária que começou a julgar o pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña Daniel Duarte/AFP O Congresso retomou a análise da crise nesta sexta-feira. A destituição do presidente foi aprovada pelos 44 senadores presentes na sessão. Com isso, Peña perde o direito ao cargo de senador vitalício. Ele teria esse benefício, além de foro privilegiado, caso a renúncia fosse aceita. O Ministério Público também abriu investigações criminais sobre o caso. As apurações envolvem Peña, o vice-presidente Pedro Alliana e autoridades do Banco Central. Com a saída oficial de Peña, Alliana deverá assumir a Presidência e completar o mandato, previsto para terminar em agosto de 2028. A posse, no entanto, ainda depende da formalização da saída do atual presidente. VÍDEOS: agora no g1 Agora no g1
