Polícia indicia Emerson Freitas por extorsão e diz que influenciador eleito deputado cobrava dinheiro para apagar posts sobre crimes
Delegado Jorge Pinto fala sobre inquérito contra influenciador Emerson Freitas A Polícia Civil detalhou, nesta sexta-feira (6), as investigações sobre o influenciador eleito deputado estadual Emerson Freitas (MDB). O inquérito aponta que ele exigia pagamentos de criminosos para que os casos não fossem noticiados no seu perfil do Instagram, que conta com 1 milhão de seguidores (veja vídeo acima). Uma das vítimas chegou a pagar R$ 20 mil em espécie, além de uma mesada, para que não fossem publicadas matérias sobre ela. Além disso, conforme as investigações, o influencer cobrava dinheiro para movimentar processos e usava a conta de uma servidora pública para receber valores (saiba mais abaixo). Ele foi indiciado pelos crimes de extorsão, exploração de prestígio e lavagem de capitais. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE A prisão preventiva de Emerson Freitas foi decretada no dia 29 de outubro, mas o influenciador ficou foragido e, na terça-feira (3), o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) suspendeu a ordem anterior. O deputado eleito segue em liberdade, sendo monitorado por tornozeleira eletrônica. De acordo com o delegado Jorge Pinto, o inquérito contra Emerson foi iniciado após denúncias de toque de recolher em comunidades do Recife. Na época, o influenciador era o principal impulsionador das matérias sobre os supostos crimes. Porém, durante as investigações sobre os casos noticiados por ele, a polícia recebeu denúncias sobre a conduta do influencer. "No curso do inquérito, a gente descobre várias testemunhas dispostas a falar, práticas diversas desse objeto inicial, e que estariam vinculando esse indiciado ao condicionamento de postagens ou retirada de postagens ao pagamento em espécie relacionado a pessoas envolvidas diretamente com a criminalidade", explicou o delegado Jorge Pinto, em entrevista coletiva. A Polícia Civil também apreendeu o celular de uma das vítimas e encontrou mensagens do deputado para fechar os acordos financeiros. Por já serem envolvidas na criminalidade, as vítimas de Emerson Freitas ficavam com medo de serem associadas a outros crimes e pagavam pelo silêncio do influenciador. Reprodução de conversa entre Emerson Freitas e uma das vítimas Polícia Civil/Divulgação Falsa influência na Justiça Além das promessas de que não iria divulgar crimes ou nomes de criminosos nas suas redes sociais, Emerson dizia que tinha influência e poderia movimentar processos judiciais a favor das vítimas, mediante pagamento. "Ele utilizava uma falsa influência perante membros da magistratura e do Ministério Público como forma de obter novos benefícios. Ou seja, ele condicionava a suposta paralisação de processos ou de investigações em andamento ao novo recebimento de valores. Só que essa influência nunca existiu, era só mais um engodo que ele utilizava para mentir para essas vítimas e obter vantagens ao longo de dois anos", disse o delegado. A Polícia Civil investigou os processos em andamento, que foram citados por Emerson nas negociações com as vítimas, e não encontrou irregularidades. Alguns dos processos terminaram, inclusive, na condenação dos réus. Durante as negociações, Emerson costumava exigir o pagamento em espécie, para evitar o rastreio do dinheiro. Em um dos casos, ele chegou a receber R$ 20 mil de uma das vítimas durante um encontro realizado em um mercado, de acordo com a polícia. "Ele comprou o silêncio dessas pessoas ou de familiares ligados diretamente a essas pessoas, mediante pagamento em dinheiro ou através da utilização de Pix em nome de terceiros", afirmou o delegado. As investigações apontam, ainda, que uma servidora pública do Detran agia como laranja no esquema criminoso, recebendo em sua conta pessoal os pagamentos em Pix feitos pelas vítimas para Emerson Freitas. Segundo a polícia, a mulher, que não teve o nome divulgado, sabia que os recursos tinham origem criminosa. "Mesmo alertada sobre a possibilidade que o indiciado, amigo dela, poderia estar recebendo dinheiro diretamente de pessoas envolvidas com o tráfico de drogas, ela não colocou qualquer óbice e ainda assim recebia esses valores em favor do indiciado", contou o delegado Jorge Pinto. A servidora foi indiciada por lavagem de dinheiro e é ré no processo judicial. Ela responde em liberdade. Deputado estadual eleito Emerson Freitas (MDB) Reprodução/Instagram VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
