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Quem dá nome às ruas de Itapetininga? Conheça história de Campos Salles, Francisco Válio e Virgílio de Rezende

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Quem foram as personalidades que dão nome a ruas mais movimentadas de Itapetininga Passar pelas ruas Campos Salles e Dr. Virgílio de Rezende e pela Avenida Francisco Válio faz parte da rotina de quem vive em Itapetininga (SP). As vias, que se conectam e estão entre as mais movimentadas da cidade, homenageiam personalidades que tiveram papel importante na história do município. Na quinta-feira, 5 de novembro, Itapetininga completou 256 anos. Terceiro maior município do estado de São Paulo em extensão territorial, a cidade também preserva sua história nos nomes de ruas e avenidas que contam a história de quem ajudou a construir a identidade da cidade. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp O g1 conversou com um historiador e comerciantes que conhecem as vias como a palma da mão. À reportagem, eles destacaram a importância desses locais para o desenvolvimento de Itapetininga e contaram histórias relacionadas às ruas e avenidas. O pesquisador de história regional e genealogia José Luiz Nogueira, de 84 anos, é responsável pelo Instituto Histórico e Geográfico de Itapetininga. Ele explicou quem foram as personalidades homenageadas e qual foi a participação de cada uma na história do município. Veja mapa com as ruas Campos Salles, Virgílio de Rezende e avenida Francisco Válio Doutor Campos Salles Antes de receber o nome de Campos Salles, a via já foi chamada de Rua Lambari e Rua do Comércio. Após a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, passou a ser denominada Rua Doutor Campos Salles. O nome homenageia Manuel Ferraz de Campos Salles, quarto presidente do Brasil, que governou o país entre 1898 e 1902. A rua fica na região central de Itapetininga e, atualmente, mais de 120 anos após o fim do mandato do ex-presidente, é conhecida pela concentração de estabelecimentos comerciais. Ao longo da via, há lojas de roupas, calçados e eletrodomésticos, além de comércios tradicionais do ramo da alimentação. Essa característica fez com que a rua também se tornasse uma referência para quem procura fazer compras na cidade. Manuel Ferraz de Campos Salles, 4º presidente do Brasil entre os anos de 1898 e 1902 Crédito Câmara Municipal de São Paulo/Reprodução A rua também é marcada pelo intenso movimento de veículos e pedestres. A procura por lojas e serviços faz com que as vagas de estacionamento dos dois lados da via estejam frequentemente ocupadas, enquanto as calçadas recebem diariamente um grande fluxo de pessoas. Mas por que a rua recebeu o nome do ex-presidente? De acordo com o pesquisador, cerca de 20 dias após a Proclamação da República, os vereadores de Itapetininga se reuniram em uma sessão na Câmara Municipal e decidiram mudar os nomes de algumas ruas da cidade. Foi nessa ocasião que a via passou a homenagear Campos Salles. “Então, foi para homenagear os republicanos que eles deram esses nomes. Campos Salles nem sabia o que era Itapetininga. Ele nasceu em Campinas e morreu em Santos. Ele era advogado, fazendeiro de café e foi o quarto presidente do Brasil”, explicou José Luiz. Pesquisador de história regional e de genealogia José Luiz Nogueira, de Itapetininga (SP) Arquivo pessoal Tradição no comércio local A Rua Doutor Campos Salles também funciona como uma ligação entre diferentes pontos do Centro de Itapetininga. Por ela, moradores e visitantes têm acesso ao tradicional calçadão, à Praça Peixoto Gomide, a três escolas e à Avenida Doutor Virgílio de Rezende. Em funcionamento desde 1996, o restaurante "Pavê e Comê", localizado em uma das esquinas da Rua Campos Salles, está sempre movimentado. Sabrina Carolina Jardim Lins, responsável pela administração do restaurante e mulher do proprietário, Eduardo Costa Lins, explica que a rua concentra diversos estabelecimentos comerciais, bancos, casas lotéricas e lojas de vestuário. Segundo ela, o movimento de trabalhadores desses locais também contribui para atrair clientes ao restaurante. "O pai do Eduardo já tinha um comércio no local, e o desejo da mãe do Eduardo, a Dona Aracy, era vender os doces, as receitas que ela fazia e que todos elogiavam, sendo assim, nasceu o 'Pavê e Comê'. Antigamente, o comércio se concentrava mais na Campos Salles, mas ao passar dos anos, está migrando para outros bairros também", disse Sabrina. Sabrina Carolina Jardim Lins, responsável pela administração do restaurante Pavê e Comê e o esposo, Eduardo Costa Lins Arquivo pessoal O movimento no restaurante é intenso, principalmente entre 12h e 14h30, horário de almoço. Sabrina destaca que estar na Rua Campos Salles, considerada o "coração" do comércio de Itapetininga, influencia diretamente o fluxo de clientes e as vendas. "Para nós, fazer parte da rotina de uma das ruas mais tradicionais e conhecidas de Itapetininga é motivo de muito orgulho. São 30 anos de história, acompanhando o crescimento da cidade, as transformações do comércio e, principalmente, fazendo parte do dia a dia de tantas pessoas", afirmou. Segundo a empresária, ao longo dessas três décadas, o restaurante construiu mais do que uma relação comercial com os clientes: criou vínculos e teve o privilégio de atender diferentes gerações de famílias. "Já tivemos o previlégio de atender avós e pais e hoje atendemos, filhos e netos, que resume o que é a Campos Salles. Tradição que atravessa gerações", finalizou. Dia a dia no restaurante Pavê e Comê é agitado, com o horário de pico concentrado no almoço, em Itapetininga (SP) Google Maps/Reprodução Rua Doutor Virgílio de Rezende Com cerca de dois quilômetros de extensão, a Rua Doutor Virgílio de Rezende é uma das vias mais conhecidas de Itapetininga. O nome é uma homenagem ao médico e educador Virgílio de Melo Rezende, que marcou a história do município pelo trabalho dedicado à população. Ele ficou conhecido por atender gratuitamente moradores que não tinham condições de pagar por uma consulta e por ensinar enfermagem sem cobrar pelos serviços. Em reconhecimento à sua contribuição, recebeu homenagens na cidade: além de dar nome à rua, também foi lembrado com um monumento na Praça Siqueira Campos. Nascido em Sergipe, Virgílio de Rezende iniciou a carreira como professor em São Paulo. Por volta de 1896, chegou a Itapetininga, onde construiu sua trajetória como médico e educador. “Logo, ele passou a trabalhar na beneficência local. Ele morou na Rua Campos Salles e era procurado por pacientes, não cobrava consultas, atendia de graça”, explicou José. O médico e educador Virgílio de Mello Rezende tem um monumento em sua homenagem na Praça Siqueira Campos em Itapetininga (SP). Canal do Nogueira de Itapetininga/Reprodução De acordo com o pesquisador, na Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itapetininga o médico ministrou, de forma gratuita e diariamente, aulas de enfermagem. “Durante quase 35 anos exerceu sua atividade médica, no seu consultório na Rua Campos Sales nº 72. Ele era bastante procurado por pacientes que podiam e que não podiam pagar a consulta”, completou José. A rua que homenageia Virgílio de Rezende é marcada pelo intenso movimento de veículos e pela variedade de estabelecimentos comerciais e de serviços. Ao longo da via, há lojas, clínicas médicas, laboratórios, escolas, restaurantes e até a sede da Sabesp. A cerca de 450 metros do Centro, a rua também faz ligação com a Avenida Professor Francisco Válio. Frederico Pineda Lechugo é proprietário da Papelaria Pauta, localizada no meio da Rua Doutor Virgílio de Rezende há mais de 30 anos. Initial plugin text Quando decidiu abrir o negócio, o comerciante chegou a ser questionado pela escolha de um ponto considerado distante do Centro. Mesmo assim, apostou no potencial da região e acreditou no crescimento do comércio no entorno. "Ao longo dos anos, a avenida era considerada residencial e agora é, na sua grande maioria, comercial. De segunda a sexta o movimento é intenso devido às clínicas, as escolas próximas e o caminho para o centro comercial, bancos, a Sabesp. Aos sábados já fica mais tranquilo. A loja tem atendimento das 8h as 18h e é movimento o dia todo", disse. Frederico Pineda Lechugo é proprietário da Pauta Papelaria, em Itapetininga (SP) Arquivo pessoal Avenida Francisco Válio A Avenida Professor Francisco Válio também está localizada na região central de Itapetininga. A via recebeu esse nome em homenagem ao professor Francisco Válio, que morreu em 1946. “Ele nasceu em São Miguel Arcanjo. Ainda jovem, se mudou para Pilar do Sul, onde exerceu a função de viajante. Em 1921, veio para Itapetininga, onde confirmou seu conhecimento autodidata, na tradicional escola Peixoto Gomide”, explicou José. Avenida Professor Francisco Válio também está localizada na região central de Itapetininga (SP) e foi homenageada ao educador Blog Caminhos do Sertão/Reprodução Segundo o pesquisador, ele deixou para trás a vida que tinha, buscando novas oportunidades para sua família em Itapetininga. Na época, a cidade estava em um crescimento constante e Francisco conseguiu emprego como bancário. Além disso, Francisco Válio foi fundador da Escola Técnica de Comércio, onde eram formados contadores. “Ele foi o fundador da Associação Comercial de Itapetininga. Foi presidente da entidade e exerceu vários cargos de diretoria. Falecendo no dia 1º de maio de 1946, no dia do trabalho”, contou o pesquisador. Popularmente conhecida como "avenida das autoescolas", a via concentra diversos estabelecimentos do ramo. Conforme apurado pelo g1, pelo menos sete autoescolas estão em funcionamento no local. A Autoescola Vieira é uma das que fica na avenida. O estabelecimento está em atividade desde 1987, com a fundação marcada para o mesmo dia do aniversário da cidade, em 5 de novembro daquele ano. A gerência explicou que a avenida foi escolhida pela intensa movimentação e pela localização estratégica, já que concentra a maior parte das autoescolas de Itapetininga. "Durante todo o dia tem grande movimentação, especial no final da tarde. Muita coisa aconteceu neste anos, mas um caso inusitado foi o relato de muitos anos atrás de um instrutor que estava em aula e teve que parar por causa de presos que estavam fugindo da antiga cadeia pública e passaram em frente ao carro durante a aula", relatou a gerência da unidade. Autoescola Vieira é uma das mais tradicionais de Itapetininga e fica na avenida Francisco Válio Google Maps/Reprodução História da cidade Em 22 de junho de 2005, durante uma sessão solene no plenário da Câmara Municipal de Itapetininga, foi fundado o Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Itapetininga(IHGGI), por José Luiz Nogueira. Apesar da sua formação em física pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), o itapetiningano se dedica há mais de 20 anos, junto de outros amigos, às pesquisas sobre a história, figuras e ligações familiares da cidade. À reportagem, ele reforçou que, ao realizar um trabalho minucioso com a pesquisa regional, começou a perceber a falta de conhecimento dos moradores sobre a história da cidade. “Eu fico abismado. As pessoas não conhecem a história de Itapetininga. Até nas escolas, eu faço palestra para os professores e alunos, e eles não sabem das histórias”, relatou. Escola Estadual Peixoto Gomide, em Itapetininga (SP) Jaime Rafael/TV TEM Na semana que antecede o aniversário da cidade, José também realiza um trabalho voluntário nas escolas municipais, onde ministra palestras e abre espaço para que os estudantes tirem dúvidas. “A gente está sempre contando essas histórias. A cada pergunta que eu faço ou uma palestra, vou contando as coisas, também para ver quem prestou atenção. Eu vejo que as pessoas não têm mais conhecimento sobre a cidade. É triste, mas é verdade. Por isso vamos insistindo”, afirmou ao g1. A história de Itapetininga começa como uma estrada de passagem, uma rota para tropeiros e mercadores. Beatriz Pereira/g1 *Colaborou sob a supervisão de Larissa Pandori Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

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