Polícia investiga suspeita de golpe na venda de cartas de consórcio contempladas no Vale do Paraíba
Jacareí: consórcio é investigado por suspeita de estelionato A Polícia Civil investiga uma suspeita de golpe envolvendo a venda de cartas de consórcio contempladas no Vale do Paraíba. Ao menos 20 pessoas procuraram a delegacia de Jacareí para registrar ocorrências relacionadas ao caso. Também há registros em São José dos Campos e Santa Branca. Segundo as vítimas, os suspeitos ofereciam cartas de crédito contempladas e prometiam a liberação em até 60 dias úteis. Para fechar o negócio, porém, exigiam o pagamento antecipado de valores que chegavam a quase R$ 90 mil. Depois de receber o dinheiro, não entregavam as cartas prometidas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp A investigação apura se os envolvidos praticaram estelionato. Segundo o delegado Tiago Martins Rodrigues, do 1º Distrito Policial de Jacareí, que também atua na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da cidade, há pelo menos cinco pessoas envolvidas, sendo duas apontadas como principais. A suspeita é de que os envolvidos tenham aberto uma empresa formalmente, criado sites e começado a oferecer cartas de crédito contempladas. Os valores cobrados eram compatíveis com os praticados no mercado, o que ajudava a dar aparência de legitimidade às negociações. Vítima de suposto golpe relata que negociação para compra de carta de consórcio era feita pelo celular. Reprodução/TV Vanguarda A venda de cartas de consórcio contempladas é uma atividade permitida, desde que os créditos realmente existam e sejam entregues conforme o combinado. Neste caso, porém, há relatos de que as cartas oferecidas não existiam. "Se a gente conseguir identificar que eles sabiam que não iam conseguir entregar, que não existia essa carta contemplada e que estavam induzindo essas pessoas em erro, aí é crime de estelionato", explicou o delegado. Vítimas relatam prejuízos Uma das vítimas é Karina Souza Paula, escrevente. Ela conta que conheceu o esquema por meio de uma indicação do marido, já que um dos suspeitos era amigo dele desde a infância. O casal pretendia comprar um terreno para montar uma oficina. Karina negociou uma carta de crédito de R$ 350 mil. Para garantir o negócio, precisou pagar R$ 89.890. Primeiro, fez um pagamento de R$ 3 mil como sinal e, depois, transferiu os R$ 86.890 restantes. Segundo ela, a promessa era de que a carta seria entregue em até 60 dias úteis. Quando o prazo terminou, no entanto, a vítima começou a enfrentar dificuldades para falar com a responsável pela negociação. Depois de novas promessas de entrega, Karina decidiu procurar o escritório onde o negócio havia sido fechado. No local, funcionários informaram que a mulher não aparecia havia algum tempo e que outras pessoas também estavam procurando por ela para cobrar explicações. "Eu falei: pronto, acho que caí num golpe", relata. Karina afirma que foi a primeira a registrar um boletim de ocorrência. Depois que um veículo de comunicação local publicou o caso, outras vítimas entraram em contato com ela. Um grupo foi criado para reunir os relatos e, quando ela deixou a conversa, já havia mais de 21 pessoas. Agora no g1 Outro prejudicado é o empresário Emerson Rezende, de Santa Branca. Ele conta que também chegou à negociação por indicação de conhecidos que já haviam feito negócios com os suspeitos. Em maio, assinou o contrato e pagou os valores exigidos. A promessa era de que a carta seria liberada em até 60 dias. Quando o prazo terminou, a responsável pediu mais uma semana. Como a liberação não aconteceu, Emerson solicitou o estorno do dinheiro. A empresa prometeu devolver os valores em cinco dias úteis, mas, ao procurar o escritório, ele também não encontrou ninguém. Emerson afirma que depositou R$ 67.520, além de um sinal de R$ 10 mil, por meio de transferências via Pix. O dinheiro seria usado para investir na própria empresa, que funciona em um imóvel alugado. "Foi uma coisa bem frustrante, porque a gente se programou para isso, investiu. Tem gente que até pegou empréstimo para pagar", conta. O motorista autônomo Aldemir Moreira Martins, morador de Jacareí, também relata prejuízo. Ele assinou o contrato em 6 de agosto e pagou R$ 53 mil. O objetivo era comprar uma carreta nova para trabalhar. Segundo Aldemir, a suspeita deixou de atender às ligações depois que o prazo de entrega terminou. Ao procurar a polícia, ele descobriu que outras pessoas enfrentavam o mesmo problema. "Todo mundo que juntou esse dinheiro foi trabalhando", afirma. Delegado alerta para cuidados antes de fechar negócio O delegado Tiago Martins Rodrigues orienta que consumidores tenham cuidado com ofertas de cartas contempladas feitas exclusivamente pela internet ou por telefone. Entre os sinais que merecem atenção estão promessas de liberação rápida, exigência de pagamentos antecipados, ausência de atendimento presencial e empresas muito novas que oferecem condições aparentemente vantajosas. Ele ressalta que a existência de um CNPJ ou de um site não garante que a empresa seja confiável. "Se a oferta está muito boa, desconfie. Ninguém quer perder dinheiro, principalmente o vendedor", alertou. Em caso de suspeita de golpe após um pagamento via Pix, a orientação é contestar a transação imediatamente pelo aplicativo do banco. O Mecanismo Especial de Devolução (MED), do Banco Central, permite que a instituição financeira comunique o banco que recebeu o dinheiro e solicite o bloqueio dos valores para análise. O delegado também cita outras duas ferramentas do Banco Central: BC Protege+: permite bloquear a abertura de novas contas bancárias em nome do consumidor. O bloqueio pode ser desativado temporariamente quando a pessoa precisar abrir uma conta. Registrato: permite consultar informações sobre contas bancárias e relacionamentos financeiros vinculados ao CPF. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina
