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Paraguai: oposição tenta abrir processo de impeachment contra Peña após crise bancária

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Santiago Peña, economista e ex-ministro da Fazenda durante o governo de Cartes REUTERS Parlamentares da oposição do Paraguai apresentaram nesta quarta-feira (4) um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña, a quem responsabilizam pela crise do banco digital Ueno, que deixou milhares de clientes sem acesso ao próprio dinheiro. A instituição foi liquidada pelo Banco Central na terça-feira, após a identificação de uma insuficiência de recursos para cobrir suas obrigações. O pedido foi apresentado por 35 deputados, que solicitaram ao presidente da Câmara a convocação de uma sessão extraordinária para esta quinta-feira (5), quando a proposta deve ser discutida. Para que o processo de impeachment seja aberto, é necessário o apoio de dois terços dos deputados. Ainda não está claro se a bancada governista apoiará a iniciativa. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A oposição acusa Peña de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários, entre outras irregularidades. Os parlamentares também afirmam que o Banco Central teria encoberto problemas envolvendo a instituição financeira. A ligação do presidente com o banco está no centro das acusações. Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até março de 2025. Antes de assumir o governo, em 2023, o economista também teve participação no grupo. O caso representa um novo desdobramento da crise que já havia provocado a renúncia de Carlos Carvallo, presidente do Banco Central do Paraguai, e a prisão de oito diretores do Ueno, entre eles o presidente-executivo, Miguel Vázquez. Agora no g1 O caso também trouxe desgaste para o governo de Peña e ameaça a reputação do Paraguai como um dos destinos emergentes da América do Sul para o capital estrangeiro, grande parte dele proveniente do Brasil. Foi nesse contexto que o presidente paraguaio pediu a renúncia de Carvallo. O chefe do BC comandou o próprio Ueno até agosto de 2023. Tanto ele quanto o Banco Central vinham sendo criticados por parlamentares pela supervisão da instituição. Peña também teve ligação com o grupo controlador do Ueno, do qual foi sócio até março de 2025. O Ueno administra aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos no Paraguai. Nesta terça, clientes foram a agências do banco, mas encontraram as portas fechadas. Entre eles estavam aposentados que recebem benefícios do governo por meio do Ueno. “Estamos exigindo acesso ao dinheiro que temos aqui no banco Ueno”, disse à agência Reuters Manuel Cáceres, morador de Ñemby, nos arredores de Assunção. “Infelizmente, muita gente, inclusive eu, está passando a manhã assim.” Diante da crise, Peña anunciou um acordo com líderes do Congresso para acelerar a votação de um projeto que autoriza o uso do Fundo de Garantia do país para fazer pagamentos aos depositantes. O presidente paraguaio afirmou ainda que a medida deve assegurar a devolução de recursos públicos, incluindo valores mantidos pelo instituto de seguridade social IPS e por outros fundos públicos de previdência. 'Caso isolado' Segundo o Banco Central do Paraguai, o caso do Ueno é isolado e não indica problemas mais amplos no sistema financeiro do país. Peña também buscou afastar esse risco: “Este é um caso específico de uma entidade, não do sistema financeiro nacional.” O presidente paraguaio acrescentou que os responsáveis pelo caso “devem responder perante o Judiciário, sem exceções e sem privilégios”. Segundo o BC, a Superintendência de Bancos vai nomear auditores para verificar a situação dos ativos do Ueno. Saída do presidente do BC Carvallo afirmou que permanecerá no cargo durante o procedimento adotado pelas autoridades para lidar com a crise do Ueno. Ao anunciar a saída, ele disse que a decisão ajudaria a reduzir a controvérsia em torno do Banco Central e permitiria que a instituição e a Superintendência de Bancos trabalhassem sem as disputas políticas e a repercussão na imprensa. As críticas já haviam levado parlamentares a pedir a demissão da cúpula do BC, depois que eles rejeitaram um relatório sobre o Ueno por considerá-lo incompleto. O caso também teve reflexos nos mercados. As preocupações com o Ueno pressionaram os títulos em dólar do banco com vencimento em 2031 e os próprios títulos da dívida do Paraguai. Controlado majoritariamente pelo Grupo Vázquez, o Ueno passou rapidamente de uma fintech local de nicho a um banco de médio porte, em uma trajetória semelhante à de plataformas digitais como Monzo e Nubank. * Com informações da agência de notícias Reuters

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