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Mais de 50 casos de esquistossomose urinária notificados em São Miguel até Outubro - INSP

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Em declarações à Inforpress, a vogal do conselho da INSP, Elisabete Lima, avançou que os casos notificados foram confirmados através de exames laboratoriais, mas que os dados ainda estão sujeitos a alterações. A transmissão da doença depende da presença de pessoas infectadas que urinam na água, da existência do caracol hospedeiro do género “Bulinus” e do contacto de outras pessoas com essa água. Conforme explicou, este caracol vive normalmente em águas doces paradas ou de corrente lenta, como tanques, ribeiras e reservatórios, estando presente na ilha de Santiago, conforme o boletim malacológico publicado pelo INSP. Quando uma pessoa infectada urina na água onde existe o caracol hospedeiro, o parasita infecta o molusco, desenvolve-se no seu organismo e volta a ser libertado na água, podendo infectar outras pessoas através do banho, da lavagem de roupa ou de outros contactos com esse meio, detalhou. A mesma fonte esclareceu que a doença não se transmite directamente de pessoa para pessoa e alerta que a actual época das chuvas aumenta o risco de transmissão, devido à maior disponibilidade de água nesses locais e ao afluxo de pessoas. No âmbito da vigilância, o Laboratório de Entomologia Médica do INSP tem desenvolvido actividades de vigilância malacológica e, em colaboração com a Delegacia de Saúde de São Miguel, a câmara municipal local, os ministérios da Agricultura e do Ambiente e outros parceiros, realiza levantamento de caracóis para estudo. Os resultados preliminares desses trabalhos encontram-se disponíveis no boletim malacológico. Na área da vigilância epidemiológica, o INSP tem coordenado investigações desde 2022, com publicação de boletins nacionais e artigos em revistas internacionais, em 2024 e 2025. Relativamente à distribuição da doença, a instituição indicou que a maioria dos casos se concentra no município de São Miguel, embora a localização dos registos tenha variado ao longo do tempo, com o aparecimento de casos em novas localidades do concelho. O risco está associado sobretudo a lugares onde a população mantém contacto com águas paradas ou de corrente lenta, como tanques e ribeiras, que possam albergar caracóis hospedeiros. O INSP alerta, entretanto, para a possibilidade de surgirem casos importados noutras localidades, mesmo sem transmissão activa nesses locais. Para prevenir a transmissão durante e após o período das chuvas, o INSP recomenda evitar o contacto com águas de tanques, ribeiras e cachoeiras identificadas como apresentando risco de contaminação, bem como impedir que as crianças brinquem ou tomem banho nesses locais. A instituição aconselha ainda a população a não urinar nem defecar em tanques, ribeiras e outros cursos de água e a garantir a limpeza e manutenção regular dos tanques, sob orientação das autoridades competentes. Em caso de sintomas, como ardor ao urinar ou presença de sangue na urina ou nas fezes, a recomendação é procurar uma unidade de saúde. O INSP adverte que o fim das chuvas não significa necessariamente o fim do risco de transmissão.

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