Polícia investiga se houve falha humana em queda de asa-delta com duas mortes no Rio
Estado do Rio registra um acidente com voo livre a cada 15 dias A Polícia Civil investiga se as mortes do instrutor de voo livre Luiz Eduardo Rodrigues dos Santos e do passageiro argentino Adrian Guillermo Arismendi, de 26 anos, na manhã de segunda-feira (2), foram causadas por um erro do próprio instrutor durante uma manobra de asa-delta. Peritos da Polícia Civil estiveram no Clube São Conrado de Voo Livre para analisar o equipamento, que fazia apenas seu terceiro voo. O clube deve enviar para a 15ª DP (Gávea) até sexta-feira (6) um documento de análise do acidente. O g1 apurou que há pelo menos um outro caso com características semelhantes, segundo a delegacia. Em fevereiro de 2026, o instrutor de voo livre Rodolfo Pascoal Ladeira, piloto e instrutor, e a turista colombiana naturalizada americana Jenny Colôn Rodríguez morreram quando a asa-delta onde estavam caiu no mar da praia de São Conrado. Rodolfo chegou sem vida à areia. Jenny foi socorrida em estado grave e encaminhada ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu. Um relatório de análise do acidente de fevereiro, feito pelo Clube São Conrado de Voo Livre e obtido pelo g1, atestou que não havia danos prévios ao equipamento e que as condições meteorológicas eram propícias para a atividade de voo livre. "Não se pôde determinar de maneira conclusiva o que de fato ocasionou o acidente, ficando em aberto a conclusão final desta análise (falha estrutural, imperícia etc)", diz o trecho final do relatório. Vídeo mostra queda de asa-delta que matou 2 pessoas em São Conrado Em entrevista ao RJ2 após o acidente que terminou com a morte de Adrian e Luiz Eduardo, o vice-presidente do Clube São Conrado de Voo Livre, José Bruno Batalha Menescal Filho, afirmou que a única explicação para tantos acidentes fatais é o fator humano: "Eu acho que o ser humano. Simplesmente a atividade e o ser humano. É isso que nós vamos rever. Não tem explicação, com todo rigor que a gente tem: não tem explicação", disse ele. Em caso de falha humana causando a morte dos passageiros e dos próprios instrutores, o advogado criminalista Breno Melaragno avalia que esse cenário pode resultar em uma extinção de punibilidade. "Em direito penal, a conduta é sempre individual. O que é extinção da punibilidade? É quando não há mais possibilidade da pessoa ser punida por eventual crime, a primeira causa delas é a morte", explicou o advogado. "O que se destina a investigação é descobrir se mais alguém teve culpa no acidente, além do instrutor", pontuou. Em 2026, a média de ocorrências com asa-delta e parapente na cidade do Rio é de um acidente a cada 19 dias. Foram 16 acionamentos do Corpo de Bombeiros para atender vítimas que praticavam voo livre. Em 2025, foram 20 acionamentos. Em 2024, foram 15 vezes que os bombeiros foram acionados. LEIA TAMBÉM: Asa-delta: voo duplo é permitido? Entenda as regras para pilotos e passageiros Mortes em voos de asa-delta no Rio expõem falhas na fiscalização Instrutor responde por homicídio culposo Novo vídeo mostra asa-delta batendo em parapente de Phil Haegler em São Conrado O instrutor de voo Sérgio Manoel da Silva responde na Justiça do Rio pelo homicídio culposo (quando não há intenção de matar) do piloto americano Phil Haegler após um acidente em novembro de 2025 em São Conrado, na Zona Sul do Rio. A denúncia do Ministério Público do Rio contra Sergio foi aceita pela 16ª Vara Criminal no dia 16 de outubro. Ele responde em liberdade. O caso de Phil Haegler foi um dos acidentes que terminaram em morte na região desde o ano passado. Em 2026, foram outros 5 casos envolvendo praticantes de voo livre ocorridos na região, que estão sendo investigados pela Polícia Civil e pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). De acordo com o presidente do Clube São Conrado de Voo Live, Bruno Menescal, Sergio não pode atuar como instrutor: "Afastado por tempo indeterminado, sujeito a avaliação psicológica", respondeu Menescal ao g1. O relatório final da 15ª DP (Gávea) apontou que Sergio agiu com "negligência" e "desatenção", não observando as regras de segurança do voo desportivo. O piloto disse que voava com um aluno e se distraiu por instantes ao se aproximar do pouso, causando o acidente. Segundo Sergio Manoel, Phil não cometeu erro algum. O instrutor admitiu à polícia que errou. O piloto afirmou que, ao se aproximar da área de pouso, olhou para baixo para soltar a perneira do aluno, uma manobra padrão, e perdeu a visão do parapente de Haegler por "cerca de três segundos". Ao olhar novamente para frente, Sergio Manoel disse que se assustou ao ver o parapente conduzido por Haegler e tentou fazer um movimento brusco, mas não conseguiu evitar a colisão. Ele afirmou ainda que a barra da asa-delta e seu corpo encostaram no parapente, e que ficou desesperado ao perceber que Haegler não conseguiu recuperar o voo. O g1 não conseguiu contato com a defesa de Sergio Manoel da Silva.
